segunda-feira, 7 de março de 2011

Pierrete


Sob a máscara é possível
Ser outra pessoa, acessível neste dia
Para as fantasias belicosas...
Sim, belicosas, pois é uma peleja a noite
Das esperanças fúteis da espera...

Todo o ano sendo servil ao conceito,
Agora é o fio desfeito da espera.
A hora do som, do samba, do suor
Escorrendo pelos corpos cavernosos...
Atrás da próxima orgia feito prélio.

Pierrete sabe seu valor nessa guerra,
Olhos procuradores sob uma máscara
Encontram olhos entregadores sob
As tensões das luzes e tambores.
O que haverá depois da refrega?
Privilégios


Uma queda vertiginosa sobre
As próprias mensurações
É triste...maldosamente triste,
Extremamente deletério
Pensar-se menor que ontem,
Apesar de tudos...

Você não é obrigado a pensar
Se o cansa o ato contínuo
De fiscalizar seu desatino, mas
É uma questão de raciocínio,
E raciocinar é a única prerrogativa
Que temos a mais que o símio.
brocardo


Eu começo
Com uma letra maiúscula,
Você completa com o
pensamento,
Em maiúsculo momento
De finalizar o poema.

Assim escrevemos juntos
Nossos pensamentos.
A poesia está aqui, como
Um pássaro ou um mosquito,
Rodeando nossas cabeças.
Se deixar

eles podem eternizar
O texto, ou cagar sobre ele...
Depende de nós, de mim,
Descrevendo o começo,
De ti, completando o
pensamento.
extenues


A morte
É plantada junto
Com o nascimento.
Tudo que flore, murcha
em algum outro
momento.


Simples
Como ver brotar
É ver nascer o rebento.
Simples como ver murchar
É ver morrer de vez
O encanecido.

Normal
Como encanecer
Avelhantado ou precoce.
Então, por que choras
A falta desse primo
Plantio, já seco?
Quando e porquês


Quando eu partir,
Que não me partas ao meio.
Estaremos sempre juntos,
Por inteiro.

Ontem fomos à praia,
Você não veio.
Fomos à Curitiba,
Você ligou.

Quando eu partir será assim
Uma praia ou a ida,
Como desta vez primeira,
Com volta presumida.

Quando partires
Retrataremos juntos
As partes viajáveis
Desse mundo...
arroubos


A masculinidade exige
De todos nós uma postura
Entre monstruosidades
E constante doçura...

O gotejamento da fonte
Morro abaixo, escorrendo
Água límpida como sangue
Nas nossas fases...

Eu vacilei algumas vezes
Entre meus dedos clareados
De masculinidade imatura.

Mas aquela idade se agarra
Ao chamado do cão dentro
Do homem vindo criatura.
O desmonte


“O Programa Atitude, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Criança e da Juventude em parceria com dez municípios paranaenses, completou seu ciclo com uma série de conquistas e resultados nas 34 comunidades onde está sendo executado. Criado para superar o ciclo de violências contra a criança e o adolescente, o Programa é uma iniciativa governamental que visa dar oportunidades de esporte, cultura, lazer e qualificação profissional aos jovens e garantir proteção às crianças e adolescentes. Foi proposto devido à necessidade de intervenção sobre os fatores de risco à violência, no sentido de consolidar uma rede de proteção à criança e ao adolescente formada entre todas as esferas governamentais, organizações não-governamentais e demais setores da sociedade civil. Entre os resultados práticos nas comunidades, percebe-se um grande avanço no fortalecimento da rede de proteção e na mobilização da comunidade em busca de soluções para os problemas locais. O Programa Atitude tem garantido o acesso aos serviços de saúde, educação e assistência social para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social.” comentário do jornal desta semana.
Bonito, não é? Pois bem, o programa contratou aproximadamente 200 profissionais, entre sociólogos, psicólogos, educadores e outros, por um ano, prorrogável por mais um ano, coincidentemente findando após as eleições. Passando aí a continuação dos projetos para as prefeituras...acontece que essas 34 comunidades arregimentaram milhares pessoas com atendimentos diversos, diga-se quase sem respaldo das prefeituras à altura das verbas liberadas desde o inicio. Intervieram numa gama de situações de desamparo familiar, criaram situações de sociabilização inéditas nessas comunidades. Agora tem prefeitura simplesmente desmontando o processo, desligando profissionais das áreas, encerrando um trabalho de dois anos, deixando esses adolescentes na mão, como se dizia: “perdidos como cachorro caído de mudança”, esses meninos e meninas que estão tomando um rumo em suas vidas amargas, sendo decepcionados outra vez, por pessoas em quem eles depositaram confiança, entregues outra vez às garras de traficantes e à fuga aos policiais que, a grosso modo, não estão preparados para lidar com tais situações, tratando esses adolescentes sem rumo, por suas situações de desamparo, como bandidos escolados nessas trincheiras. Esses adolescentes são buchas de canhão para veteranos fugitivos de polícia. De resto essa desmobilização gradual deixará em vacância carros, computadores, bibliotecas, entre inúmeros itens que, na maioria das vezes se esvai nos esquecidos porões da memória.
Quem há de responder por mais esse disparate administrativo, que dói ver passar aos olhos vendados das autoridades “competentes”?!
Sergio.donadio@yahoo.com sergiodonadio.blogspot.com./