segunda-feira, 1 de abril de 2013
moinhos
Moinhos de vento
Dependem do tempo,
Se espesso, frio de gelo
Nas pás que o recebem
E passam adiante...
Moinhos que ventam
Situações de penúria
Ou jubilo Ventam
As estreitas relações
De climas diversos...
Moinhos com vento
Eternizam condições
Adversas, sendo esperado
Tempestades, momentos tranqüilos... Pá de cal
Sobre intenções do tempo
Para sair na frente diante
Das agruras de sorver
Outros vendavais...
Em tempo.
Espremedor a manivela
O dia se desalinha
Com o que me sei,
Já não pode trazer as coisas
Antigas para meu convívio.
Já não pode saber o que pensei.
A distância tenta espairecer
Com as coisas novas,
Mas não sei como usar
As coisas novas...
As coisas novas
Não me conhecem
Como o antigo rádio a pilha,
Como o espremedor
A manivela,
O dia se desalinha
Ou sou eu?
Levados a termo,
O copiador de outras ações
Vira espelho de outras questões...
Menos responsável pelo errado,
Ganhador das glórias do certo.
Percebi isso um tanto tardo
Nas soluções de meus conflitos,
Copiados de outros conflitos
Mal resolvidos, mal criados,
Pois que já vistos.
Espelhos de tantas faces...
Absolutas, mandantes, discriminadoras das faces duras
De erros, de cores, de racismos...
Que fé pode absolver tais pecados?
O dia hoje pode ensinar espelhos
A procurar sua outra face,
A que ficou escondida
Nos erros...
A linha que nunca termina
Paulo Leminski é da minha geração, se não tivesse se apressado estaríamos dialogando a razão. Morto aos 44 anos pelos excessos, viveu quanto pode a curta percentagem de seu direito, depois se despediu como todo ser humano, deixando chorar os defeitos. Foi criticado por ser concretista, e, às vezes, pelos concretistas. Imolado por sua irreverência, veio à tona numa obra, em versos miúdos, de peso.
Para a crítica literária e professora de literatura da Universidade de São Paulo Leyla Perrone-Moisés, já está na hora de a academia incluir Leminski em seu currículo. Ela lamenta que o nome do poeta não circule na USP e aponta os motivos: - Ele era ligado à poesia concreta, que tem seus inimigos. Além disso, sua obra ainda não entrou para o cânone porque é um risco formar alunos com coisas que ainda estão acontecendo, por isso o programa é defasado. Ao mesmo tempo, isso evita que ele se torne um objeto morto, sacralizado.
No calor dos anos 70 e 80, Leminski entrou em grandes polêmicas na defesa do movimento concretista, apesar de não ser considerado um poeta concreto por Leyla Perrone, Alice Ruiz e Maria Esther, entre muitas outras. Os poetas Ferreira Gullar e Afonso Romano de Sant'Anna, faziam críticas ao movimento, ouviram poucas e boas dele. Hoje, Afonso reavalia a contenda:- “Tivemos alguns arranca-tocos, mas são caneladas que acontecem em qualquer partida. Eu insistia que ele deveria achar sua própria linguagem, pois, enquanto ficasse na periferia do concretismo, seria apenas um afluente”. Ferreira Gullar diz que não conhece a obra de Leminski, mas, apesar das rusgas do passado, elogia. Seu legado é o de ter feito a ponte entre a poesia erudita e a experimental. Ele juntou a coloquialidade da poesia marginal com o lado mais elaborado do concretismo. Seus versos eram cultos, mas ao alcance de todos.
Cada vez que tentam bater nele o mito cresce mais. Diz Jorge Mautner: “Ninguém amou tanto a poesia quanto Paulo Leminski”.
O hippie erudito trouxe para o Paraná um olhar de lupa, reconhecendo sua faina, puxa outros para o patamar de reconhecer-se valores na periferia de São Paulo e Rio de Janeiro. “A linha que nunca termina” é a constatação desse fato, escritos de admiradores do Leminski estão aí gravados para propor isso.
Leminski é da minha geração, mas viveu à frente do nosso tempo, outro paranaense famoso, Dalton Trevisan, quando perguntado se não iria escrever obras longas, disse de seu sonho era escrever haicais, assim é Paulo, diz em mínimas palavras o que poderia gastar o dia dizendo.”A mim me basta
a sombra que deixa, o corpo que se afasta.” Que mais é preciso?
az de copas
Az de copas
Em 30 de outubro de 2007 anunciou-se festivamente que o Brasil sediaria a copa de 2014. Para isso “bastava” construir, reconstruir ou reformar 12 estádios... Mas, além disso, terá de adequar hospedagens, vias de acesso, aeroportos, metrôs, treinar pessoas para recepcionar os visitantes... Sete anos parece que dá até para recriar cursos de língua, de técnica laboral para construir novos hotéis, vias, pistas, e aprender a gerenciá-los... Pois bem, estamos em véspera de 2014, o que foi feito para solucionar o problema dos aeroportos? Para criar leitos para os visitantes? Arejar as vias de acesso? Em que estágio estão os estádios? Seis anos e milhões de reais depois, acrescentados aos programados custos, onde estamos?
Em 24 de junho de 1950, na primeira partida da copa do mundo, o Estádio do Maracanã (nome da avenida em frente) no Rio de Janeiro, recebia 200 mil pessoas, feito para 155 mil no máximo, inaugurado pelo Presidente Dutra com os andaimes sendo retirados às pressas, tapumes derrubados pelos tanques do exército, montes de pedra e areia, foi dado por feito, mas só dez anos depois teve os últimos retoques finalizados.
Sessenta e quatro anos depois vamos passar pelo mesmo vexame?!
O Itaquerão, estádio prometido para a abertura da copa de 2014, está em ritmo do “vai da valsa”, expressão usada na época da construção do Maracanã, ainda em moda para certas iniciativas lentas... O próprio Maracanã está “fazendo água” como se viu na última chuva. Mas, apesar dos pesares os estádios estão prometidos para a copa das confederações, anterior à copa do mundo.
O Grupo Executivo da Copa do Mundo de 2014 (Gecopa) publicou uma lista consolidada das obras. São 101 intervenções, sendo 12 estádios, 51 projetos de mobilidade urbana, 31 ações em aeroportos e 7 em portos. A previsão é de um investimento total de mais de R$ 26 bilhões para a Copa.
A maioria dos aeroportos do Brasil foram construídos antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação. A Infraero afirmou: "Na corrida contra o tempo, garantirá que os sessenta e sete aeroportos na sua rede estejam em perfeitas condições para receberem com conforto e segurança os passageiros do Brasil e do exterior". Em maio de 2010, o governo brasileiro alterou a legislação de licitação para permitir maior flexibilidade. Esta palavrinha dá medo... mas "A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo. Vai ser uma ferramenta interessante para promover uma transformação social." Declarou o Presidente da FIFA.
Estádios tornam-se monumentos desde a Roma do Coliseu, a grande arena dos gladiadores, os agora em construção vão marcar sua presença, pela grandiosidade própria e pela ativação das áreas ao redor. Esperemos...
Em 30 de outubro de 2007 anunciou-se festivamente que o Brasil sediaria a copa de 2014. Para isso “bastava” construir, reconstruir ou reformar 12 estádios... Mas, além disso, terá de adequar hospedagens, vias de acesso, aeroportos, metrôs, treinar pessoas para recepcionar os visitantes... Sete anos parece que dá até para recriar cursos de língua, de técnica laboral para construir novos hotéis, vias, pistas, e aprender a gerenciá-los... Pois bem, estamos em véspera de 2014, o que foi feito para solucionar o problema dos aeroportos? Para criar leitos para os visitantes? Arejar as vias de acesso? Em que estágio estão os estádios? Seis anos e milhões de reais depois, acrescentados aos programados custos, onde estamos?
Em 24 de junho de 1950, na primeira partida da copa do mundo, o Estádio do Maracanã (nome da avenida em frente) no Rio de Janeiro, recebia 200 mil pessoas, feito para 155 mil no máximo, inaugurado pelo Presidente Dutra com os andaimes sendo retirados às pressas, tapumes derrubados pelos tanques do exército, montes de pedra e areia, foi dado por feito, mas só dez anos depois teve os últimos retoques finalizados.
Sessenta e quatro anos depois vamos passar pelo mesmo vexame?!
O Itaquerão, estádio prometido para a abertura da copa de 2014, está em ritmo do “vai da valsa”, expressão usada na época da construção do Maracanã, ainda em moda para certas iniciativas lentas... O próprio Maracanã está “fazendo água” como se viu na última chuva. Mas, apesar dos pesares os estádios estão prometidos para a copa das confederações, anterior à copa do mundo.
O Grupo Executivo da Copa do Mundo de 2014 (Gecopa) publicou uma lista consolidada das obras. São 101 intervenções, sendo 12 estádios, 51 projetos de mobilidade urbana, 31 ações em aeroportos e 7 em portos. A previsão é de um investimento total de mais de R$ 26 bilhões para a Copa.
A maioria dos aeroportos do Brasil foram construídos antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação. A Infraero afirmou: "Na corrida contra o tempo, garantirá que os sessenta e sete aeroportos na sua rede estejam em perfeitas condições para receberem com conforto e segurança os passageiros do Brasil e do exterior". Em maio de 2010, o governo brasileiro alterou a legislação de licitação para permitir maior flexibilidade. Esta palavrinha dá medo... mas "A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo. Vai ser uma ferramenta interessante para promover uma transformação social." Declarou o Presidente da FIFA.
Estádios tornam-se monumentos desde a Roma do Coliseu, a grande arena dos gladiadores, os agora em construção vão marcar sua presença, pela grandiosidade própria e pela ativação das áreas ao redor. Esperemos...
Em 30 de outubro de 2007 anunciou-se festivamente que o Brasil sediaria a copa de 2014. Para isso “bastava” construir, reconstruir ou reformar 12 estádios... Mas, além disso, terá de adequar hospedagens, vias de acesso, aeroportos, metrôs, treinar pessoas para recepcionar os visitantes... Sete anos parece que dá até para recriar cursos de língua, de técnica laboral para construir novos hotéis, vias, pistas, e aprender a gerenciá-los... Pois bem, estamos em véspera de 2014, o que foi feito para solucionar o problema dos aeroportos? Para criar leitos para os visitantes? Arejar as vias de acesso? Em que estágio estão os estádios? Seis anos e milhões de reais depois, acrescentados aos programados custos, onde estamos?
Em 24 de junho de 1950, na primeira partida da copa do mundo, o Estádio do Maracanã (nome da avenida em frente) no Rio de Janeiro, recebia 200 mil pessoas, feito para 155 mil no máximo, inaugurado pelo Presidente Dutra com os andaimes sendo retirados às pressas, tapumes derrubados pelos tanques do exército, montes de pedra e areia, foi dado por feito, mas só dez anos depois teve os últimos retoques finalizados.
Sessenta e quatro anos depois vamos passar pelo mesmo vexame?!
O Itaquerão, estádio prometido para a abertura da copa de 2014, está em ritmo do “vai da valsa”, expressão usada na época da construção do Maracanã, ainda em moda para certas iniciativas lentas... O próprio Maracanã está “fazendo água” como se viu na última chuva. Mas, apesar dos pesares os estádios estão prometidos para a copa das confederações, anterior à copa do mundo.
O Grupo Executivo da Copa do Mundo de 2014 (Gecopa) publicou uma lista consolidada das obras. São 101 intervenções, sendo 12 estádios, 51 projetos de mobilidade urbana, 31 ações em aeroportos e 7 em portos. A previsão é de um investimento total de mais de R$ 26 bilhões para a Copa.
A maioria dos aeroportos do Brasil foram construídos antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação. A Infraero afirmou: "Na corrida contra o tempo, garantirá que os sessenta e sete aeroportos na sua rede estejam em perfeitas condições para receberem com conforto e segurança os passageiros do Brasil e do exterior". Em maio de 2010, o governo brasileiro alterou a legislação de licitação para permitir maior flexibilidade. Esta palavrinha dá medo... mas "A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo. Vai ser uma ferramenta interessante para promover uma transformação social." Declarou o Presidente da FIFA.
Estádios tornam-se monumentos desde a Roma do Coliseu, a grande arena dos gladiadores, os agora em construção vão marcar sua presença, pela grandiosidade própria e pela ativação das áreas ao redor. Esperemos...
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