quarta-feira, 8 de maio de 2013

Predadores blog No céu azul sobrevoa Uma águia ameaçadora, As pombas pousam a medo, Os coelhos escondem-se Nas moitas espinhosas, A cabra leva seu filhote Para as pedras ocas... Em outra cena o urso Espreita a foca respirando Receosa sobre o gelo... A onça planeja o ataque, A cobra planeja o bote, O jacaré engole piranhas... Este mundo natural, na TV, É espantosamente cruel Mas é incrível como Esses animais ferozes Deixam o bicho homem Bem alimentado, afinal É natural a desordem Na escala evolutiva A luta pela sobrevida.
olhares blog Olha, eu não aceitei o destino. Talvez tenha uma resposta para isso, De correr atrás dos impossíveis, Crendo-os possíveis, e, Passíveis de solver em água morna De uma chuva distante, Na distante infância de poças de água Com relevância para a vida, O cerceamento aos sonhos de voar... Navegar... Ser alguém a mais que O moleque de calças curtas e Suspensórios... Suspensórios, A gente usava até os oito nove anos, Daí passava a calças compridas e cintos. Agora, vendo alguns senhores usados, E seus suspensórios, voltando à infância, Com seus pesares e suas dores e dúvidas Sobre ser amado ou abandonado Dentro de suas casas esvaziadas. Assusta-me a imagem desses senhores Com seus suspensórios, voltando Ao pó de suas idades imaturas Para vivê-las de novo, No esquecimento
A perversidade da liberdade blog A perversidade da liberdade Com esses meninos impúberes Soltos, (ou presos?) nos computadores... Oscilando entre ver as coisas E curtir as cores das coisas Lá fora... A perversidade da liberdade Ocultando a realidade das cores vivas No ambiente de sol das manhãs A esses meninos dormindo ainda Suas intenções nas cobertas Cá dentro... A perversidade da liberdade Impondo olhares de fora para dentro Dessas salas aparelhadas para Silenciar o prazer nessas crianças Levadas a não pensar Em si... A perversidade da liberdade Amputada nesses tempos perigosos De supor que possam viver Aleatoriamente no virtual, Enquanto crescem as cores Lá fora... A perversidade da liberdade De cegar à luz as nascentes novas, Das águas às cabeças límpidas, Impondo rotas alternativas De desviver suas idas Adiante... A perversidade da liberdade De ir e não ficar olhando passar Os sóis de cada dia, alterados Pelas estações dos anos, Floridas à espera Deles... A perversidade da liberdade Desacontecida nas tardes suadas De antes, agora higienizadas Pela ausência do prazer De ser o viver-se Ainda... Ainda que novas idéias gerem Novas situações, amputadas pela Inação de tantos frente À obcecada visão vesga do real Das vidas perversamente Diluídas.
Acentuada blog A criatura que te veste Não eterniza suas peles, Trocadas a cada dia vivido Em ti, Portanto, não se imole nisso, Não se tatue de destro, Não se intimide de medos, Não se enfrente em degredos... Apenas vista... Vista esta face Que te agita e verta O suor das malícias Conquistadas No correr desses dias... Apenas viva intensamente tua fase De carnes sobre ossos, sob peles E intenções de lívidas moradas De moscas e vermes Na próxima Madrugada. Veja porque augusto dos anjos Se nutria das podridões do ser E faça o contrário, Usufrua esta veste, antes Que apodreças, E sejas outra vez Nada.
Viciosidades blog De amanheceres estamos fartos, Façamos um monumento A este ego efêmero que verte A ânsia de viver tudo urgente, Antes que desfaçam vontades E a tarde comece a ser tarda Esperando outra vez amanhecer. Sexualizemos este conviver De entardeceres estamos tardos O masoquismo faça entender Que ainda vale viver o prazer, Nem que seja doído conceber Cada novo intento, revendo Perceber a inutilidade de sofrer, A viscosidade de conviver A viciosidade de não ser. Apenas não sabemos dobrar Em noites que acompanhem Tais excertos, qual seja a parte Viva de ensejos e eretilidades, Ok, façamos a mesma verdade Repetir-se sem mágoas idas: Façamos um monumento A este ego efêmero!
Pela ausência blog A pálida distância Converte-se em lágrimas A notícia estampa a cara dum filho Abrandado pela dor da falta... Aqui se ferem crianças No abandono como cães ou ratos, Pelos covis de estreitas salas Correm amedrontados. É madrugada já, Principia uma correição de falas, Descalços os meliantes Convertem-se em tímidos medrosos Nesta escala de crimes e penas... Que pena que as penalidades Serenizam quando O acusado tem diploma... Para o efeito causal merece Um tratamento especial... Fico indignado: o de mais dispêndio Para ser formado Homem, Forma-se bandido... Aí, pelo concurso de ter cursado Diferencia-se do menor, Abandonado.