quinta-feira, 6 de junho de 2013

A hora de deixar de viver A hora de deixar de viver Não cura feridas, Não torna santos os pecados atribuídos, Não se faz de rogado o pobre coitado, Devedor das contas em vida... A hora de deixar de viver Apenas é um último suspiro Atestado pelo médico com expressão sábia De dizer que mesmo está-se morto, Embora não pulse, não está frio o corpo, Não está ausente a alma... A hora de deixar de viver Traz a memória dos desacontecidos... Quem há de reclamar segredos Dessegredados? Apenas não é bom chorar o fato, Corriqueiramente fático. Não há de haver choro ou riso, Flores ou velas ou pães servidos juntos. A hora de deixar de viver Pode ser apenas o princípio Outra vez...
Vendilhões Há pouco tinha um sorriso. Onde deixou esse sorriso, Nas artimanhas das tardes, Nas tristes noções do siso? Quando te escavaram rugas Nas faces antes angelicais? Onde as intenções que As mãos alisavam suaves Sob as ondas dos cabelos? É alguém que não se sabe Alguém que inda irradia Com seu sorriso a apatia... O sorriso de há pouco, Onde o deixou de arcado, Nas artimanhas dos dias Levados a cabo, varridos? Quando te cavaram aros Fundidos no teu sorriso?!
Incompressíveis Antes de mais nada entender O incompressível saber dos matutos, Que não se deixam dobrar Pelos contratos escritos escondendo Em letras miúdas, quase invisíveis Ao olho despreocupado, as teorias Sem princípios... Perguntar ao eco dos poços d’agua, Descendo a corda e gritando, Sem resposta, mas convincente eco Nas solitárias manhãs nevoadas... A espantar os medos, as pressões Dos passos de umas vacas perdidas Da mangueira, com sede... A sede de tantos males, fuxicos, Encomendas de tais gritos antes Comícios políticos prometedores, A inação dos proscritos na lavra De curtir o sol desde madrugada Ao fim do dia lavrado , conciso, Seus princípios. De nada vale a prescrição de ritos, De nada vale a promessa crédito De outra parte desconhecedora De tais aflitos, pela seca rezada, Praga de outras reses, mortas, Feitas propagandas contra a seca De tais solícitos. Antes de mais nada entender O incompressível saber dos matutos, Que não se deixará olvidar Os contratos cooptados nisso De esconder termos fictícios De tais jornadas, visto a fereza Dos requisitos.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O grande circo mítico De mito em mito se engenha um país de soluções rápidas e efêmeras, assim feito com as pessoas dos imperadores, depois derrubados, com os militares que proclamaram a república e logo depois se desentenderam, com as ditaduras e seus próceres, com Getúlio Vargas, depredado na época, depois endeusado. Com Castelo Branco, moderado para o conceito de seus pares. Assim por diante, com o mundo esquizofrênico de Janio Quadros ao collorido de Fernando, todos esquecidos pelas novas gerações por seus feitos e defeitos. De todos os solavancos dessa estrada, vamos nos ater aos mais próximos da memória coletiva, inda ontem, 1995, o mítico candidato a presidente Lula juntava os inquietos numa central única, (CUT) para azucrinar o governante da hora, o outro mítico Fernando, que tendo domado a inflação, levava uma lavada no Congresso, com o apoio de apenas vinte por cento dos congressistas. Depois, conseguia aprovar a reeleição com o voto de maioria, o que sucinta a criação de um “mensalinho” comprando os votos que lhe eram contrários antes, para quebrar a espinha opositora. Bem, passados esses entraves, a política mudou em 2002, com a entrada na administração daquele pessoal da CUT, que jogou fora as pedras para se tornar vidraça. Esses personagens pouco a pouco vão se apagando, para dar lugar aos novos míticos. Depois de mais uma derrama de dinheiro público, alcunhada de “mensalão”, eis que se apaga a luz sobre aqueles acontecidos, desde os feitos da monarquia, aos da primeira república, das duas ditaduras, dos planos de contenção e expansão malogrados ou não... O novo mítico está sendo formado agora, com a maciça propaganda para a eleição do ano que vem, com novas alternativas de promoção pessoal. Esqueçam Lula, FHC, Getúlio, e todos os mitos menores criados a cada época eletiva. Os nomes do momento Dilma, Aécio, Eduardo Campos, Barboza, estão sendo chocados cada um em seu ninho. Mas não se iludam, são todos predadores. visto que a situação do cidadão, embora o país tenha evoluído, continua precária, arriscaria até dizer cada vez mais precária... e não vai mudar, seja quem for o próximo mandante. A população continuará desatendida compulsoriamente, bandidos continuarão assaltando com canetas ou outras armas do mesmo calibre, vide esses canalhas incinerando pessoas que tenham pouca grana para ser roubada, vide a dentista. Sabem por quê? Porque os “meninos” como aquele de 1,95 de altura aos dezesseis anos, que estuprou a senhora num coletivo ontem, à vista de todos os outros , não vão responder DEVIDAMENTE pelos seus atos, com as tais penas reduzidas, cadeias superlotadas, massacres dentro e fora! Agora querem solucionar o problema do menor tornando-o de maior... não, não ,não... Enquanto os míticos se preocuparem apenas em ser mitos, não teremos educação, o chamado berço, para ao invés de
engenharias blog Quando vier o tombo d’águas Estará prevenido o formigueiro Para segurar a desgraça... Melhor que o homem engenheiro.
matutagem blog O matuto marca seu tempo, Infinitamente largo, Jogando pedrinhas n’água Na forração do fundo límpido, Que lhe dirão o tempo vida, Sem a pressa dos estressados Entre outros, desprevenidos, Que vão a nada...
frágeis blog Pelos mares Do céu navega A gôndola Passeando As cores Entre nuvens Prontas Para chover. Não se vê intrusa, Apenas navega Sonhos interminados Nas gangorras Do outro lago Tantas vezes Lavado, inundado, Espremendo As barcaças De cedro frágil.