sexta-feira, 4 de outubro de 2013



Para o arqueólogo do futuro


Antes de tentar provar a existência
De um mundo passado
Melhor provar a existência de si mesmo
No mundo presente.



Conferições


Cada vida
É um grande retrato
E cada retrato
 Tem sua própria vida.
Uns bendizendo
Nascituros,
Outros se despedindo
Dos moribundos.


Agruras


O menino e seus fortes sonhos...
Quando irão se somar
As diferenças?
O menino vai crescendo
E desacreditando de seus sonhos,
Parecendo tudo
Uma imensa mentira
Para seus planos
De ir atrás
Desse arco Iris
Desfabricado
A cada ato seu
Para o sustento mesquinho
Das fomes diárias
De em adulto.


Entrementes


Entrementes ouvi há tempos
Entre mentes desabrigadas
Uma voz de desalento
Entrementes açulada...

Dizia no megafone a verdade:
Que mentes em mentes
Dragam a porção nada
De cada mente assolada.


Pontes


Como atravessar a ponte
Que nos separa dos amigos
Mortos?
Se quiser acreditar
Encontrará razão para tal,
Se quiser duvidar
Também encontrará
Alguma razão...
Ou seria a desrazão
Das crendices?
Mas, um dia, em algum lugar,
Eles estarão lá
Esperando que creia
Na sua realidade
De ser.




Conforto

De uma palavra
Pousando
Sobre a poesia
No gesto desamarrado
Do tango
Em vias de ser dançado...

Ela não pede aplausos,
A palavra,
Pede o silêncio da música
Vinda dos longes
Ao ouvido atento
Ao fado.