sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014



Porque sou uma pessoa
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Porque sou uma pessoa
Há que haver um ascendente
Meu em algum lugar achado
Ou em algum outro se perdeu,
Não sendo  o mesmo eu...

Porque sou uma pessoa
Há que haver uma identidade,
RG, sabe, com minha foto,
Aquela, esquisita, sem sorriso,
Ou mesmo sem vida.

Porque sou uma pessoa
Aqui e no navio, a caminho
Da Europa ou de África,
Ou de algum outro ponto
Onde eu me seja...

Porque sou uma pessoa
Mesmo que não o seja
Numas horas de medos,
Das fomes, dos degredos...
Das faixas de lonjuras...







Porque sou uma pessoa
E sou ainda a criatura, a
do dia da criação, talvez
Nem com uma costela
A mais para ceder...

Ou um pecado a menos
a cometer, com minha
Vontade de ser eu,
Entre as criaturas que
Se foram, e se o perdeu...

Porque sou uma pessoa
Além de ser uma ínfima
Parte água desse mundo,
Entre as águas diluídas
Nos corpos outros...

Menos eu, que viajei e
Perdi-me das tribos raças
E uivos, e relinchos...
Porque sou uma pessoa
Há que haver um Deus!


O hóspede


Chegou,
carregando um nome
Pesado demais
Para sua miúda pessoa,
Mas todos reverenciam
A pose que embarga vozes,
Uma lágrima se solta,
De nervoso.

Então, na escala de valores,
Te solta, homem,
De teus tamancos rotos
E viaja...
Que amanhã não terás o
Mesmo hóspede,
Nem sua paz será
Vendida assim barato.

Ele invade teu mundo, homem,
Mas, se nem tu sabes
Que é teu,
Como vai saber o nobre,
Que se perdeu?
Se não ouves
 O pensamento dele,
Vai te sentir mais dono
Do que é teu.



Olhe diretamente
Nesses olhos mortiços,
Eles estão medrosos de te mirar,
Pois são acostumados
À baixa das cabeças,
Quando chegam,
E quando partem, deixam rastros
De anomalias para ficar.

Fique ereto, homem!
Não do tamanho do teu corpo,
Mas do de tua alma.
Vê que ele se apequena
Frente à tua resoluta
Imagem?
-Fica ereto, homem, mesmo
Que depois se acovarde.

Estás aqui no teu terreno,
Ciscado e lavrado por ti mesmo,
Então, homem, não se ceda,
A luz é fraca, mas a sombra
É tua, enquanto
Não te amanheça.

 do livro almas andorinhas



-Quarta de cinzas domingo


Há mil anos ontem à noite
Perguntaram-me as horas,
O verão mudando ponteiros,
O sábado indo embora...

As crianças dormitando
Enquanto o carro fareja
As poeiras da chuvarada
E o radio anuncia a valsa

Dos carnavais a quaresma
Que dia, mesmo que noite,
Que viagem bem acabada,

Um ponto esperado antes
Uma batida de portas,
O rádio silenciado, o sono...










intempéries
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Nem todos os princípios
Retornaram,
Os retardatários se apressam
A chegar antes do dilúvio,
As fraldas da terra firme
Se desmancham
Pela insensatez dos mandantes
E dos construtores radicais
Nas rampas da montanha...
Que se desmancha.

O calendário continua sendo
Sexta feira, antes dos
Finais de cada semana,
Mas não se iludam os passageiros,
A terra está se movendo
Antes...
A vida já foi mais fácil?
Apenas com guerrilheiros mal
Armados.
Agora, a natureza se arma,
E amedronta.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

                    Babel
 
Judas, em hebraico Judá  Yehûdâh,  que significa "abençoado" ou "louvado"), era um nome comum na antiguidade, sendo o nome de apóstolo que mais vezes aparece nos Evangelhos (vinte vezes) depois do de Simão Pedro. Caiu em desuso depois da suposta traição a Jesus. Assim são os nomes, há certo modismo, cada época tem suas preferências, atentando a isso procurei (cultura inútil?) quais os nomes preferidos dessa geração: Ana e Lucas continuam sendo campeões, seguidos por Mariana e Marina, Rafael, Felipe, Guilherme e suas variações. Maria e José caíram em desuso. O tempo recria motivos para nominar filhos com os heróis do momento. Como cada nome tem seu significado, há de se dar nomes aos bois da presente confusão judicial, ligando-os aos seus senhores fica um tanto estranho pressagiar recém nascidos e sua sorte, senão vejamos: Dirceu: pessoa que identifica o perigo. Genuíno: puro, sem mistura, verdadeiro. Valério: robusto, valente. Roberto: brilhante na fama... Pela amostra os senhores desses nomes não condizem com o que se esperava deles. Pejorativamente um nome casou exatamente com o dono: Jacinto Lamas... Este estava predestinado. Por outro lado, Joaquim: exaltado, estabelecido por Deus. Parece mais condizente para o momento. Dilma: que ostenta o elmo, proteção com armadura. Também chega lá... Mas a etimologia não pressagia futuros doutores  salafrários,  apenas cria nos pais uma esperança... Quem sabe um dia os “severinos” possam galgar postos sem enlamear seus predestinados nomeadores, como Pelópidas, o famoso Paulo Gracindo... ou  Ariclenes,o  Lima Duarte, e outros que, não se sabe de onde, trouxeram essa carga pesada ao nascer. Como Armênia Gozza Pinto, senhora que escondia seu nome no mais secreto aposento de sua alma. Assim somos, nomeados ao nascer, esperançados de ser.
Somos uma gente simples de nomes complexos, gostamos de copiar a honra dos heróis, quando vencedores, e execrar quando perdedores, assim importamos Lincoln, Diego, Izabella, Giuliano, Thomas, etc... Em lugar de Yara, Jaciara, Juraci, Ubiratã herdados de nossos índios brasileiros. O que fazer com essa dicotomia? Bem, entre marias e josés, cachoeiras e cabrais, genuínos e farsantes estão se espalhando pelas nossas ruas e assembléias... Infelizmente pode se fazer pouco rotulando pessoas, apenas esperar que honrem seus nomes, sejam eles Armando Pinto ou Tommazo Buscetta.


                                    Excertos do sermão da montanha:            fb

Convido–os a meditar sobre o sermão da montanha, donde apreendemos lições proficientes, ensinadas há dois mil anos e atuais no seu sentido maior de regrar a conduta da vida. Se conseguirmos levar a sério as palavras de Jesus, quando diz que devemos dar a outra face quando nos baterem na direita, em vez de retrucar, como no “olho por olho dente por dente”e fazer as pazes com adversários enquanto estamos a caminho com eles, esquecendo as ranhuras, e, que devemos dizer sim quando a resposta for sim, e não quando for não, sem titubear. Que não devemos alardear a esmola dada, às trombetas, que não sejamos hipócritas como os que gostam de rezar empertigados, nos templos e esquinas, mas que rezemos em silêncio, nos nossos quartos, de portas fechadas, que o Pai está presente nos lugares ocultos e ouve intenções. Que, ao rezar, não multipliquemos as palavras, a oração que nos ensina traz sete petições, as três primeiras visando à glória de Deus, as outras quatro os nossos interesses espirituais e temporais, ou seja:”Pai Nosso que estás no céu, Santificado seja o Teu Nome”que Deus deve ser respeitado e venerado.”Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia”que visa a conservação da vida corporal.”Perdoa-nos as nossas ofensas assim como perdoamos os nossos ofensores”a miséria moral que oprime é pior que a indigência material e a condição para obter o perdão é o perdão aos nossos inimigos.”E não nos deixe cair na tentação mas livra-nos do mal”tentação é provação, contratempos da vida e sedução pecaminosa da concupiscência.e, finalizando com o “amém”, que vem do hebraico,”assim seja”,rogando ao Pai que conceda o pedido em oração.
Por fim, que é preciso olhar os lírios no campo e as aves no céu, que crescem sem se afadigar ou fiar, sem juntar ou ambicionar, e nem por isso tiram um côvado à duração de suas vidas. Se conseguirmos viver com a bondade no coração, seremos dignos da companhia deste homem, que viveu segundo tais princípios e não cedeu, mesmo condenado por sua crença, à força dos poderosos. Os poderosos de então sucumbiram à história, e Jesus, o aniversariante, permanece nos corações dos cristãos. Que assim seja para sempre.












Novo caderno para 2014











Meu tributo a Rita Lee


Quanto mais proibido
Mais faz sentido a contravenção
Legalize o que não é crime
Recrimine a falta de educação

Gravidez versus aborto
Quem quer nascer no mar morto?
Quem quer morrer antes da concepção?
Obrigado não

Separe o joio do trigo
O Maquiavel do seu amigo
Casamento gay além de opção
É controle de população

Foi-se a ditadura militar
Foice e martelo não vão mais vingar
Servir exército só se for da salvação
Obrigado não

Diga não às drogas
- Mas seja educado, diga não obrigado
- Por que whisky sim? Por que Cannabis não?
- Cuidado com polícia
Cuidado com ladrão
Não seja condenado a votar em canastrão
Obrigado não

Rita Lee


Roçado

Cá estou
Domando o último
Cavalo de arado...
Trazem agora um trator novo
Rosnando seu motor
Sulcando mais terra,
Virando insetos que antes
Os pássaros vinham beliscar,
Agora fogem de medo,
Como eu.

Cá estamos,
Domando-me cavalo
Do último arado...
Trazem a mim agora o novo
Rosnando novidades
Nos sulcos da terra,
Acordando animalejos
Que antes beliscava,
Dos quais fujo de medo,
Sendo eu.