segunda-feira, 9 de junho de 2014



Arrebóis


Quando é o fim do dia?
Quando é o fim dos dias?
Quando a fome ceder eito
Em manhãs e tardes frias
Será o fim dos teus dias
Sem essa dorida agonia...

Mas o dia hoje não termina
Quando a sombra anoitece,
Mas quando empalidece
A esperança na espera.
Quando a fome desistir,
As vontades afrouxarem,

Aí finda o dia em cansaço,
Será o fim dos teus dias...
Entre ramas e espinhos.
Espera... Espera... Mas
O sol avisará a hora da
Tua paz em tua guerra.

sábado, 7 de junho de 2014



Insepultos


As dores estão mentindo,
Não fomos tão chegados,
Expulso-as e retornam
Pedindo perdão por nada,
Só a noite não dormida
No seio da madrugada...

Na desbotada defunta
Não há experiencial
Que saiba tal progênie,
O bem livre de outro mal,
A casa desafortunada
Ao som do funeral.

Por que então corremos?
Sentemo-nos à espera
Desse profundo trauma
Antes que se releve
As dores dessa alma
Extinta ou sobrevida.

A morte não tem espelho
Que faça curtir o belo
Ou demonizar o feio.
Somos todos a espera
Pelos ossos prometidos
Limpos de manuseios.

quarta-feira, 4 de junho de 2014



Quem são os humanos?

                    Em vista dos noticiários

Quem são os humanos?
Talvez os que choram a dor,
Talvez os que riem o riso...
E até sorriem o improviso.
Talvez os feitos do barro
Ou nascidos dos macacos...
Ou ainda vencedores
 Troglodíticos amuados
Fugidos das geleiras...
Mas, são humanos.


Quem são os humanos?
Com o medo dos leões
A fuga dos mais fortes,
A briga por alforjes
Carregados de comida,
Ou apenas a briga
Pela briga... Pois sendo
Humanos, são feros...
Mais que feras, raivosos
Na perversidade...





Quem são os humanos?
Os inventores, alquimistas,
Donos de suas verdades
Egoístas por metades...
Viajores desses mares
Tão necessários de ser.
Talvez as feras selvagens
Na visão dos outros,
Trucidando o que seja
Diferente do outro.

Então, somos humanos?
De tanta desumanidade,
Arcamos com a culpa
De discernir a maldade
Da inocência absoluta.
Mas agimos por que
Somos humanos?
Frágeis, conquistáveis
Pela curvidade senil
A outros nós mesmos.

Do livro “ANSIARES”

terça-feira, 3 de junho de 2014



Do livro
“resgate das palavras vazias”

De tardezinha,
Quando as passarinhas voltam,
Conscientes de alimentar pintainhos,
É que aprendo a lição delas:
Ir longe, mas não esquecer o ninho.










As chagas recentes
Escondem as antigas,
Cicatrizadas.
As chagas recentes
São mais doídas...
As chagas recentes
Expõem a fraqueza
Contumaz dos anos...
Chagados.

Por onde começar
A suturar as feridas?
Os pés sangrados
Querem ser curados,
As mãos calejadas,
O pescoço doído, mas
A chaga mais recente
Ainda é a vida
Encontrada perdida.













Pois é...
Às vezes é de ré que se anda
Para contornar obstáculos.










Sobre os direitos humanos


É provável que esteja solto
O matador da mulher
Voltada das compras.
Preso está o viúvo
Em sua dor sem conta...











Eu tive sonhos,
Joguei-os fora,
Sabedor de que
Não era hora

De ter sonhos
Sem remorso,
Agora que os feitos
Ficam no passado

E as irrealidades
Se apresentam
Impunes...

No futuro,
Eu tenho sonhos
Ainda puros.














São árvores que frutificam
Essas que estão florindo,
Como as futuras mamães
Em sua plena infância...








Brasília


Fomos visitar
a cidade nova.
Ela não tem história,
Só promete futuros...
É bom ver plantarem
Tanta esperança...











O namorado
do namorado
Homofobicamente
Não é parente...








Discretamente


Quem sabe
O poluto saiba
Que o impoluto
É que vence...













Demora
O saber esperar.
Mas um dia
Vai chegar...













Mais que o canto
O encanto.
Assim é a ópera
E seu canto...











Tá no tempo
De escrever gritado.
Cansei de escrever
Baixinho cochichando
versos amargos...











A dor segura o ímpeto
De passear pelas vidas...
Aqui há de sedar
A parte esquecida.












Nem tudo que se visita
Pode ser ideograma.
O que não está escrito
No verso é filigrana...
Nem todo amor prometido
Termina em cama.









Passamos da hora de saber,
Estamos na hora não prevista
Do que tem para acontecer
Não é capa de revista...





















Sei... Não sei que sei,
Mas vou levando e sou levado
Ao primórdio do saber.
Talvez saber-me seja lógico,
Sei-me agora mais ignaro
Que antes de ser esse otário,
Porque agora conscientizo
De meu livre arbítrio livre
De quanto valerá meu grito!























Um pouco à esquerda
Encontra-se a felicidade...
As experiências são laváveis.
Um passo apenas,
Apenas o esticar do braço
Ao abraço disponível,
Louvável ser sempre
Um pouco à esquerda,
Ao alcance, se não do abraço,
Do olhar esgarço.



















Pela sonda
Em todo oceano
Passa a vida
Do insano...











O quietar
do corpo
Liberta
a inquietação
Da alma













Esta cidade, sem ruínas,
Como contar sua historia?
De memória?
Uma cidade só ruínas
Reconta sua história
Dentro da outra história


















Escribas


O escrever, às vezes,
É um grito
Por socorro,
Às vezes, não nego,
 É um eco.
Transformo o choro
Em riso,
O riso em espectro.
Ponho vírgulas
Que mudam
O sentido,
De assombramento
Em aviso,
Onde rimos juntos,
 Eu e o acento.
Por fim o papel estrila,
Resolve
Que não mais quer
Ser a quina.
Talvez o oleado aceite
Esta ideia de deleite
E sina.