sexta-feira, 8 de agosto de 2014



Quem se atreve?


Às vezes concluímos
Que o ato faz desfeito
Através de feitos...
Por defeito ou mora,
Por malícia e glosa,

Quem se atreveria a forçar
Empresas, que são pessoas
Jurídicas, que termo feio...
A se fazer físicas, com cara
Peito e garra para desfazer
O que fora mau feito?!

Por conluio e prosa,
Prosaica alienação de fatos,
Se desfaz o feito, se altera
O não feito, se apropria
Do alheio eito.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014



Onduladas.
Do livro aparições
Sim, os meninos têm medo,
Mas o medo dos meninos
É medo crestado simples,
Das coisas reais à sua volta.
Diferente do dos adultos,
O medo adulto é complexo,

Abrange outras esferas...
Governamentais, imperiais,
O medo dos meninos é
 Sensível ao seu ambiente,
 Em que são postos viver.
Quando nuvens ondulam
Adultos têm medo da chuva.
Crianças brincam de formar
Imagens de dragões reais...

Grandes trechos de silêncio
Também medram adultos
Mais que aos meninos.
 O medo adulto tremulado
É por onde encaminham
As vidas de seu passado...
Sergiodonadio.blogspot.com

sábado, 2 de agosto de 2014



Pincéis
Do livro aparições

Quais as cores do mundo?
Eu pinto com cores suaves,
Tem quem goste dele aceso,
Tem quem o vive descolorido...
Quais são as cores que
Deixaremos para o mundo?
Há que se perguntar aos herdeiros
Se querem lembranças de guerras
Ou da paz em sua vez de colori-lo...
Assim, eu o pinto para os meus,
Coloro suavemente
Como nos ensina o céu de hoje,
Vindo de tantas pinceladas...
Em não sendo afoito.



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Pecha
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A história pode ser escrita
Com mentiras muitas vezes ditas.
Somemos  promessas às conquistas,
Subtraiamos das falas o não dito,
Será feito por escala um outro rito,
O de chamar de excelência o bandido.
A história deverá ser reescrita
Quando os cárceres forem fechados
E cair um a um os devedores
Dessa faina de surrupiar favores,
Da fome dos meninos abandonados
À foice que carregam sendo fardo
A capinar o chão deles vivido
Entre o luxo das grandes alvoradas
E o lixo sobrado dos festins.
Veremos que cada geração magoada
Tem seu próprio baile despedida
De uma ilha por ilhada fase,
Do promontório ao tabuleiro donde
Se puxará a corda do enforcado
Resultante de mais uma tomada
Do poder aos desgraçados.
A história será reescrita
Com o sal de seus salários.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014




Do livro resgate das horas vazias

Predatismos


Todos somos criaturas?
Então, por que uns morrem
De tantas fomes distintas
Enquanto outros colhem
O que sobrou dos ossos?!

Cães passeiam entre ossadas
Inda pulsando veias sobre
As tantas malsinadas áreas,
Que sossego pode atar-se
Ante as ambições do homem?

Cães são menos predadores
De suas presas difíceis,
Raivosos por suas crias,
Do que esses seres híbridos
Entre vampiros e homens.

Enquanto uns banqueteiam
Outros semeiam babas.
Quanto somos criaturas,
Se as colheitas são fartas
E não amainam as fomes?

Sergiodonadio.blogspot.com