quinta-feira, 5 de setembro de 2013



Silêncio respeitoso


A palavra tem muito de silêncio
Porque o ouvinte
Tem um pouco de surdez


Às expensas


Às expensas
De um cérebro treinado
Os músculos se retraem
E mínguam.

Distendidos
Das ofertas de venda,
Empréstimo de préstimos
Ou favores de condução livre,

Tudo aqui pode ser comprado,
Pendente de o cérebro articular
O trânsito das malas repletas,
Pela ausência de ética.

De resto, a libertinagem
Será lembrada de atuar sempre,
A favor da melhor oferta
Pelo menor esforço,

Fadiga de quem chora
A dor de viver perdulariamente,
Sem saber que desperdiça
Sua poupança de existir.



Epitáfio


Nas esculturas
Moldadas de nós diariamente
Redesenhamos nossos humores
E nosso caráter para cada ocasião...
Somos prisioneiros dessa ética
De comportamentos diversos
Frente a senhores diversos.
Sabemos ser amáveis ou grosseiros,
Só não aprendemos ser sinceros
Com nós mesmos.

Nossas esculturas sorriem
Ou choram para cada ocasião,
Estátuas que seremos um dia
Quando todo o resto ruir em nós,
Apodrecidos pela lápide
Sobre ossos, sob nossos nomes,
Perdidos na sanha das derrotas,
Subjugados pela forma
Que cobre o âmago
Das almas.


Considerações


O tic-tac acorda o tempo
Que eu pensava dormido.
É madrugada e o dia
É um dia ido...


A manhã de hoje


A manhã de hoje
Já é passado, não existe mais
Na realidade,
Como tudo que vivemos até
O último segundo.

A manhã de hoje é um fio
Na memória dos acontecidos.
Parece-te lógico agora?
O passado não é distante
Da próxima hora.


Gaiolas vazias


Os pássaros se libertaram
Da opressão dos humanos
E voam...
Para longe de suas garras afiadas.
Os humanos estão indignados
Por se julgarem donos deles.

Os cães ouviram boatos
Sobre a fuga dos pássaros
E também correram para a rua,
Mas foram capturados.
Os cães não têm asas
E voltam matar a fome
Nos lixos dos humanos,

Por isso continuam
Presos a eles, seus donos,
Senhores de suas fomes.
Mas os humanos, sem o saber,
Fizeram-se prisioneiros
De seus cães e passarinhos
E choram desesperados a falta
De tal obediência.