segunda-feira, 23 de junho de 2014



Do livro Pinturas
Marga


O não homem se levanta,
Quase alcança o limite céu,
Quase se sabe asas,
Formas... Fogo que arrasa
Entre outros astros, longe...

Com o vermelho dos sóis
A transparência de não ser...
Talvez alma? Este não ser
 Abraça imagens no rasgo
Do infinito, visto distante.

Muito longe do hoje homem
O não homem se apresenta
Palavra... Conquistador
Conquistado na inferência
 De não ter passado.


sábado, 21 de junho de 2014



Subpostos


O papel carbono é
 A utopia do fácil...
A essência do feito hoje
posto à prova amanhã...
Cedo perdemos a ilusão
De certos...
Fica a impressão de falhos
Entre ofertamentos...
Quase não podemos reagir,
Mas é preciso sempre
Discernir o certo do fácil...
Agir por impulso é falso.
Esperar pode ser perder
O tempo da ação... Então,
Vamos prosseguir o calco?

Sergiodonadio.blogspot.com

sexta-feira, 20 de junho de 2014



Do livro  Mutações

Semeios


A vida semeia vidas.
Queiram ou não os mais secos
Há poesia nesses grãos frescos
Das manhãs trigais...
Há poesia nas portas das escolas
Semeando crianças...
Há poesia nos bancos das praças
Segurando velhices...

Como há vida no semeio
Dessas palavras explicativas,
Trazidas no seio da dor,
Do riso, do grito de alegria
Nas portas das escolas,
De compreensão nos velhos
Freqüentadores da praça
E nas manhãs trigais...

terça-feira, 17 de junho de 2014




As folhas


As folhas
Estavam acomodadas ontem
Dentro desses arbustos,
Mas o vento levou-as
A passear
E não voltaram...
Conheceram novos rumos,
Novas cores, outras plagas...
As folhas são assim meninas
Voejando suas asas
Para horizontes desconhecidos
De novas paragens...
E se ferem facilmente
Pela estrada.

sábado, 14 de junho de 2014





                             Miguel Nicolelis, um brasileiro


Um brasileiro, como tantos, radicado no Estados Unidos, comanda uma equipe de cientistas patrocinada por empresas privadas e com verbas do governo, o que viabiliza, depois de muitos estudos, um chip que, implantado no cérebro, revitalizará o comando para mobilização de membros paralisados por seqüelas de toda ordem. Esses estudos em experiências com macacos já surtem efeito, e passada a fase de rejeição em alguns casos, serão implantados em seres humanos que perderam os movimentos de pernas e braços. O sucesso com as experiências direciona os holofotes sobre o brasileiro, que gosta de futebol, de música, e mesmo vivendo fora por anos não perdeu sua ligação com o país de origem.
Em entrevista o Dr. Nicolelis discorre sobre sua trajetória, o porquê da saída do Brasil, a falta de apoio para suas pesquisas aqui, a baixa remuneração... Todos os motivos de tantos cérebros que partem para buscar oportunidades onde elas são ofertadas. Agora volta suas atenções para cá, montando em Natal, no Rio Grande do Norte, um posto avançado do laboratório, o primeiro fora dos Estados |Unidos, um braço de seu trabalho que é operado por cientistas brasileiros que voltam do exterior e dão vida às suas experiências, e são remunerados com o mesmo ganho que auferem na central de lá. Perguntado por que o Brasil como primeiro campo, de doze planejados, respondeu que, lá fora o país é visto como muito promissor na área, e, por que é brasileiro!
Não foi o primeiro e não será o último, Dr. Miguel, a se ver forçado a emigrar ou se ver exilado pelas forças regressivas da nação. Mas, como muitos outros, não perdeu sua nacionalidade no âmago dos sentimentos. Este médico paulistano formou-se na Universidade de São Paulo e hoje lidera um grupo de pesquisadores na Universidade Duke, nos Estados Unidos, que está na vanguarda das tentativas de integrar o cérebro humano com a máquina. Também lidera o projeto do Instituto de Neurociência em Natal, RN

Publicado na Revista da Cidade  em 2007