outonais
Essa paisagem escorrida
De árvores
Voltando à vida.
Essas folhas enegrecidas
Contornando
As águas vivas.
Essas meninas colhidas
De semblantes,
Envilecidas.
Toda sorte de saudades,
Das meninas,
Das idades...
Dessa idade fluida
De olhares
Enternecidos...
É essa paisagem escorrida
De formas
Voltando vidas.
domingo, 17 de abril de 2011
Retratos nos túmulos
A dureza impenetrável,
De campas frias,
Estas feições calhau,
Seixos de madrepérolas,
Sem lembrança da história,
a face rígida sem dor.
As pessoas impessoais
Amadurecem nesse tempo
De esperas ásperas...
Aqui não se memoriza o mal,
Apenas a nuvem rala
De passadas casuais ontem...
Apenas um olhar, distante,
Distraído, seguro de si,
Do lado de cá das coisas
Dessentidas demais,
Assoando suas lágrimas
De tantas outras vindas.
Agora se vão as visitas,
Findo o dia dos finados
O outro lado assobia fados
Indiferente a tais conquistas
De meros muros penetráveis
Idílicos, puros.
Olhar o poente
De repente
O sol se desprende
Dos galhos da árvore
Para o silêncio
Das horas frias.
Agora se levantam
Os noctívagos...
Seria bom dormir de novo
Já que os dias se repetem
Há tanto tempo...
Não há novidade
Digna de registro na tarde
Se pondo no balanço
Da galhada dessa árvore
Que segurou um sol.
De repente
O sol se desprende,
Cansado de cerzimentos,
Para o silêncio
Das horas frias.
A dureza impenetrável,
De campas frias,
Estas feições calhau,
Seixos de madrepérolas,
Sem lembrança da história,
a face rígida sem dor.
As pessoas impessoais
Amadurecem nesse tempo
De esperas ásperas...
Aqui não se memoriza o mal,
Apenas a nuvem rala
De passadas casuais ontem...
Apenas um olhar, distante,
Distraído, seguro de si,
Do lado de cá das coisas
Dessentidas demais,
Assoando suas lágrimas
De tantas outras vindas.
Agora se vão as visitas,
Findo o dia dos finados
O outro lado assobia fados
Indiferente a tais conquistas
De meros muros penetráveis
Idílicos, puros.
Olhar o poente
De repente
O sol se desprende
Dos galhos da árvore
Para o silêncio
Das horas frias.
Agora se levantam
Os noctívagos...
Seria bom dormir de novo
Já que os dias se repetem
Há tanto tempo...
Não há novidade
Digna de registro na tarde
Se pondo no balanço
Da galhada dessa árvore
Que segurou um sol.
De repente
O sol se desprende,
Cansado de cerzimentos,
Para o silêncio
Das horas frias.
pire
A vida é esta caverna
De tempos imemoriais,
Donde trouxemos desenhos
E formas descomunais.
É esta fonte pendurada
Nos estalactites que somos
A gotejar estalagmites
Disformes...
Das eras de pedras lascas
Às eras de perdas laicas
O que somos mais que fósseis
Desses memoriais?
Apenas o que caçamos...
E se cassamos demais
Seremos tanto humanos
Quanto animais.
A vida, esta caverna,
É só um momento a mais
Nesses dentes afiados
De caçar.
aleivosias
É hora de sentar-se
Frente o próprio eu, dialogar com ele,
Ouvir dele a aspiração das verdades...
Talvez absolutas, talvez tardas,
Mas presentes nesta hora
De sentar.
Nesta hora de meditar
É tempo das sinceridades, de olhares
Fixos na expressão do rosto,
Este num espelho fosco
De mentiras antigas, quase verdades,
Mas inda podres.
É hora de soltar-se
Do aleive necessário antes,
valorizar o instante, quando ruborizam
as faces envergonhadas
e posam sorrisos esmaecidos
pelo juízo.
A vida é esta caverna
De tempos imemoriais,
Donde trouxemos desenhos
E formas descomunais.
É esta fonte pendurada
Nos estalactites que somos
A gotejar estalagmites
Disformes...
Das eras de pedras lascas
Às eras de perdas laicas
O que somos mais que fósseis
Desses memoriais?
Apenas o que caçamos...
E se cassamos demais
Seremos tanto humanos
Quanto animais.
A vida, esta caverna,
É só um momento a mais
Nesses dentes afiados
De caçar.
aleivosias
É hora de sentar-se
Frente o próprio eu, dialogar com ele,
Ouvir dele a aspiração das verdades...
Talvez absolutas, talvez tardas,
Mas presentes nesta hora
De sentar.
Nesta hora de meditar
É tempo das sinceridades, de olhares
Fixos na expressão do rosto,
Este num espelho fosco
De mentiras antigas, quase verdades,
Mas inda podres.
É hora de soltar-se
Do aleive necessário antes,
valorizar o instante, quando ruborizam
as faces envergonhadas
e posam sorrisos esmaecidos
pelo juízo.
dimensidades
Vive-se ao mar as dores do mar.
Vive-se à terra as dores da terra,
Que aqui nos vamos a navegar
O esquecimento das quimeras.
Pelo imenso vazio dessas águas
Podemos dormir, comer, dançar,
Não podemos é esquecer a força
Dessas ondas dementadas ao mar,
Fronteiras do que há de ausências
Entre portos e o restante corpos
Doídos mas satisfeitos por isso,
De não ser agora que se vá doer
Entre o ir e o ficar em cada lar.
Nosso lugar é o aqui e o agora,
E aonde mais possamos navegar.
Entre ir ou ficar é preciso definir
O que se aspira respirar.
Aqui somos nós, mais que antes,
Mais que depois, dos amanhãs.
Que o amanhã já é hoje ensilado
No fuso de se esperar o momento
Que nos dê finalmente Gibraltar.
O que ficou está presente entre
O horizonte azul e o solo de tapetes
A remexer-se no balanço em nós,
Navegantes sem noção de navegar.
O forte dessa magia é justamente
Esperar o expirar de cada dia.
Vive-se ao mar as dores do mar.
Vive-se à terra as dores da terra,
Que aqui nos vamos a navegar
O esquecimento das quimeras.
Pelo imenso vazio dessas águas
Podemos dormir, comer, dançar,
Não podemos é esquecer a força
Dessas ondas dementadas ao mar,
Fronteiras do que há de ausências
Entre portos e o restante corpos
Doídos mas satisfeitos por isso,
De não ser agora que se vá doer
Entre o ir e o ficar em cada lar.
Nosso lugar é o aqui e o agora,
E aonde mais possamos navegar.
Entre ir ou ficar é preciso definir
O que se aspira respirar.
Aqui somos nós, mais que antes,
Mais que depois, dos amanhãs.
Que o amanhã já é hoje ensilado
No fuso de se esperar o momento
Que nos dê finalmente Gibraltar.
O que ficou está presente entre
O horizonte azul e o solo de tapetes
A remexer-se no balanço em nós,
Navegantes sem noção de navegar.
O forte dessa magia é justamente
Esperar o expirar de cada dia.
De Pessoa a Vinicius
No vagar desses dias a razão do Pessoa
Sobre a força dos mares aos navegantes,
Que se o propuseram trafegar.
De quando em quando uma ilha,
Promessa de atracar nossas esperas
Na fecunda ociosidade dessas horas.
No vagar, navegar barcos e tripulantes
Com a noção de voltar à terra do antes...
Que esperar desse plaino horizonte?
A espera doutro mar, reto, distante,
Em terras de Espanha, fechadas enseadas
E portos e promessas de vacâncias...
A beleza é sem ser, caro Vinicius,
Que tudo ilude à ótica, e o feio no geral,
Ao olhar pessoal é belo. Iludido?
Talvez pelo instante. Cada rosto lembra
O amarelo pôr do sol, invisível
Ao censo pétrico de narciso.
Que tal superar esse mar de horizontes?
Talvez um novo lar(?) refeito das sobras
De vossas esperanças...talvez o retorno
Do que se quebrou em nossos avós...
Que fizeram o inverso, sem rotas,
No vagar desses dias a razão do Pessoa
Sobre a força dos mares aos navegantes,
Que se o propuseram trafegar.
De quando em quando uma ilha,
Promessa de atracar nossas esperas
Na fecunda ociosidade dessas horas.
No vagar, navegar barcos e tripulantes
Com a noção de voltar à terra do antes...
Que esperar desse plaino horizonte?
A espera doutro mar, reto, distante,
Em terras de Espanha, fechadas enseadas
E portos e promessas de vacâncias...
A beleza é sem ser, caro Vinicius,
Que tudo ilude à ótica, e o feio no geral,
Ao olhar pessoal é belo. Iludido?
Talvez pelo instante. Cada rosto lembra
O amarelo pôr do sol, invisível
Ao censo pétrico de narciso.
Que tal superar esse mar de horizontes?
Talvez um novo lar(?) refeito das sobras
De vossas esperanças...talvez o retorno
Do que se quebrou em nossos avós...
Que fizeram o inverso, sem rotas,
Navegar é preciso
Dedico aos amigos de viagem 26/03/2011
Estamos a construir empatia
Na presença de novos amigos,
Na ausência dos antigos.
Na calma desse mar novo
A acalmar esses dias,
Na face calma da amada,
Na alusão às alegrias,
No que se faz ocioso
Na ociosidade desses dias.
Estamos a reconstruir empatias
Nos momentos olvidos antes,
Rememorados nesses dias,
De algumas vidas distantes
Da diversidade das vidas,
Na conclusão dos instantes
Como poucas vezes vira.
Estamos a desconstruir manias
De enfatizar o óbvio:
Que é ainda preciso se dar
Valor devido a cada dia,
Levados de mar em mar
De Santos a Barcelona,
Visto da popa tardia
Como se fora outro lugar
O mesmo lugar instante.
Quando se pode superar
As dores, os acalantos,
E, por fim, almejar agora
Os agoras tão distantes,
A reconstruir bases fortes
Aos ausentes tão presentes
Na memória desses antes,
De quando fomos jovens,
E nos fizemos amantes,
E voltar à jovialidade
Daqueles ternos instantes
Reconstruindo nas vidas
Nossos prazeres restantes
Em cada sorriso franco
De cada amigo do dia
Em cada rumo do sextante.
Assim, de passo a passo
Em cada porto um pedaço,
Em cada mesa um riso,
Em cada parceiro um abraço,
Em cada aula uma agenda
Em cada agenda um laço
Que não se desfará no porto
Ou na memória do outro.
Dedico aos amigos de viagem 26/03/2011
Estamos a construir empatia
Na presença de novos amigos,
Na ausência dos antigos.
Na calma desse mar novo
A acalmar esses dias,
Na face calma da amada,
Na alusão às alegrias,
No que se faz ocioso
Na ociosidade desses dias.
Estamos a reconstruir empatias
Nos momentos olvidos antes,
Rememorados nesses dias,
De algumas vidas distantes
Da diversidade das vidas,
Na conclusão dos instantes
Como poucas vezes vira.
Estamos a desconstruir manias
De enfatizar o óbvio:
Que é ainda preciso se dar
Valor devido a cada dia,
Levados de mar em mar
De Santos a Barcelona,
Visto da popa tardia
Como se fora outro lugar
O mesmo lugar instante.
Quando se pode superar
As dores, os acalantos,
E, por fim, almejar agora
Os agoras tão distantes,
A reconstruir bases fortes
Aos ausentes tão presentes
Na memória desses antes,
De quando fomos jovens,
E nos fizemos amantes,
E voltar à jovialidade
Daqueles ternos instantes
Reconstruindo nas vidas
Nossos prazeres restantes
Em cada sorriso franco
De cada amigo do dia
Em cada rumo do sextante.
Assim, de passo a passo
Em cada porto um pedaço,
Em cada mesa um riso,
Em cada parceiro um abraço,
Em cada aula uma agenda
Em cada agenda um laço
Que não se desfará no porto
Ou na memória do outro.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Lampejo
Alguém está batendo
Nesse coração cansado.
É a guerra das idades e gêneros,
A menina se mostrando
Em saias e mini-blusas,
O apanhado senhor espiando
Entre elas...
Mas esses seios são quebráveis
E esses meneios meneáveis,
Assim alguém sua a vontade
De permanecer entre eles,
Sem quebra-los, frágeis.
Alguém está delirando
Paisagens...
Onde as coisas mudam
As coisas continuam as mesmas:
O velho já esteve moço,
A menina já envelhece modos
E arqueja uma única passada
Entre as blusas, coxas, e
Meras idades.
Alguém está batendo
Nesse coração cansado.
É a guerra das idades e gêneros,
A menina se mostrando
Em saias e mini-blusas,
O apanhado senhor espiando
Entre elas...
Mas esses seios são quebráveis
E esses meneios meneáveis,
Assim alguém sua a vontade
De permanecer entre eles,
Sem quebra-los, frágeis.
Alguém está delirando
Paisagens...
Onde as coisas mudam
As coisas continuam as mesmas:
O velho já esteve moço,
A menina já envelhece modos
E arqueja uma única passada
Entre as blusas, coxas, e
Meras idades.
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