Ventres livres
Os braços estendidos da libélula
Sugerem o bebedouro do leão,
Onde bebe sua gota de água e
Põe seus ovos impunes...
Mas o leão está preso!
A libélula está livre, que inveja...
Para sair para esse mundo
Colorido das árvores.
A situação é mesmo trágica
No olhar triste do leão
Em seu mundo fechado,
A libélula foi e leva junto
O que o leão inveja e ruge:
A felicidade.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Anoréxica
Passeiam pela passarela
seus braços
Finos
E suas ancas ossudas e
Suas pelves sombrias
Essas meninas.
Rodeia seus passos cruzados
Uma promessa de estar morrendo
Células cansadas
E ossos frágeis,
Uma camada de pele alisada
Cobre essa ossada saliente,
E suas veias fúnebres
Trazem uns olhos tristes
E mãos trêmulas
E esse cansaço de saber
Que a este regime
Nada sobrevive.
Passeiam pela passarela
seus braços
Finos
E suas ancas ossudas e
Suas pelves sombrias
Essas meninas.
Rodeia seus passos cruzados
Uma promessa de estar morrendo
Células cansadas
E ossos frágeis,
Uma camada de pele alisada
Cobre essa ossada saliente,
E suas veias fúnebres
Trazem uns olhos tristes
E mãos trêmulas
E esse cansaço de saber
Que a este regime
Nada sobrevive.
bedel
Vestido com essas roupas vencidas
O velho não se lembra
De ter sido o carrasco um tempo,
Surrando os pequenos e batendo
Em suas cabeças a régua dura.
Mas agora ele sente o frio do inverno
Em sua pequena casa de um quarto
E um pinico sob a cama...ele não se lembra,
Mas os meninos sentem-se vingados
Por essa derrota do carrasco para o tempo,
Tempo ilimitado que é a velhice,
Tempo limitado que é passando fome,
Tempo parido doutros tempos
E maldito entre os homens...
Tempo de esquecer, lembrado.
Vestido com essas roupas vencidas
O velho não se lembra
De ter sido o carrasco um tempo,
Surrando os pequenos e batendo
Em suas cabeças a régua dura.
Mas agora ele sente o frio do inverno
Em sua pequena casa de um quarto
E um pinico sob a cama...ele não se lembra,
Mas os meninos sentem-se vingados
Por essa derrota do carrasco para o tempo,
Tempo ilimitado que é a velhice,
Tempo limitado que é passando fome,
Tempo parido doutros tempos
E maldito entre os homens...
Tempo de esquecer, lembrado.
desabroches
Com o suave sol de junho
Desabando sobre mim, estou calmo
Entre as calmarias desta tarde...
As mãos invisíveis afagam
Vendo-me triste...
Mas não estou derrotado, não vivi
As amarguras prensadas nas lides,
Apenas consumi-as como quis,
Ou como quereria minha sorte
De ainda sorrir.
Fico ouvindo essa harpa nos dedos
De um menino prodígio, que, penso,
Poderia ter sido eu, com o violino
Que meu pai deu, julgando-me capaz.
Que não aconteceu.
Assim como não aconteceram tantas
Outras iniciativas, falhas talvez
Das próprias, ou de minhas feridas
Absortas nos fracassos de viver-me
Enquanto talo.
Com o suave sol de junho
Desabando sobre mim, estou calmo
Entre as calmarias desta tarde...
As mãos invisíveis afagam
Vendo-me triste...
Mas não estou derrotado, não vivi
As amarguras prensadas nas lides,
Apenas consumi-as como quis,
Ou como quereria minha sorte
De ainda sorrir.
Fico ouvindo essa harpa nos dedos
De um menino prodígio, que, penso,
Poderia ter sido eu, com o violino
Que meu pai deu, julgando-me capaz.
Que não aconteceu.
Assim como não aconteceram tantas
Outras iniciativas, falhas talvez
Das próprias, ou de minhas feridas
Absortas nos fracassos de viver-me
Enquanto talo.
Diálogo com o mesmo eu.
Estou indo para o lugar nenhum,
Daqui contemplo o que eu estava quando
Inda penava os favores de viver...
Sem perturbar as cinzas assopro o fogo
Que me tala, não tenho medos mais,
Apenas receio de leve a voz da razão.
Me sinto em casa quando estou em mim
Como agora, sem hora para pensar ou
Espernear o perdido, as intenções secam
Em mim aquele sonhador, perdido,
Passado a limpo neste torpor de dia,
A fumaça do vulcão no Chile abafa.
Os planos de sair, de alguns temerosos
Senhores de gravata e pés trementes,
São desfeitos pela cinza dessas lavas.
Aqui somos mais que promessa, somos
O cumprido de quem nos prometeu,
Arcamos assim com o que se perdeu.
Estou em casa agora, estando em mim.
A ordem decrescida das prioridades
Se perde na vantagem dessa idade
Entre o imberbe e o senil, começamos
A vida comendo papinha, vamos findar
A vida pedindo papinha...que merda!
Estou indo para o lugar nenhum,
Daqui contemplo o que eu estava quando
Inda penava os favores de viver...
Sem perturbar as cinzas assopro o fogo
Que me tala, não tenho medos mais,
Apenas receio de leve a voz da razão.
Me sinto em casa quando estou em mim
Como agora, sem hora para pensar ou
Espernear o perdido, as intenções secam
Em mim aquele sonhador, perdido,
Passado a limpo neste torpor de dia,
A fumaça do vulcão no Chile abafa.
Os planos de sair, de alguns temerosos
Senhores de gravata e pés trementes,
São desfeitos pela cinza dessas lavas.
Aqui somos mais que promessa, somos
O cumprido de quem nos prometeu,
Arcamos assim com o que se perdeu.
Estou em casa agora, estando em mim.
A ordem decrescida das prioridades
Se perde na vantagem dessa idade
Entre o imberbe e o senil, começamos
A vida comendo papinha, vamos findar
A vida pedindo papinha...que merda!
Lições do fogaréu
O renascer das coisas em cinzas
Faz crer na existência de um deus
Entre as inverdades das promessas
E a verdade dessa brotação em festa.
Daqui, desse solo carcomido,
Dentre as chamas as cinzas mortas
Revigoram o verde, esse milagre
Para quem não acredita mais nisso.
Olhai os lírios do campo...
Que os plantou e fez florescer
Tais puros caules a fazer colores
Das cinzas que ventaram ontem?
Se hoje existe esse campo verde
Que vejo entre minhas dúvidas
É porque a natureza mais que abusa
Das precauções do cético.
Inda ontem estava eu chorando
As cinzas da queimada doutro dia,
Agora vejo renascendo o que não sabia.
Assim é a prova, amigo, da ignorância
De nós que não cremos nesse deus
Que nos leva de adulto a ser criança
Outra na inocência que se perdeu
Entre as descrenças provocadas
Por essa manada de ateus.
O renascer das coisas em cinzas
Faz crer na existência de um deus
Entre as inverdades das promessas
E a verdade dessa brotação em festa.
Daqui, desse solo carcomido,
Dentre as chamas as cinzas mortas
Revigoram o verde, esse milagre
Para quem não acredita mais nisso.
Olhai os lírios do campo...
Que os plantou e fez florescer
Tais puros caules a fazer colores
Das cinzas que ventaram ontem?
Se hoje existe esse campo verde
Que vejo entre minhas dúvidas
É porque a natureza mais que abusa
Das precauções do cético.
Inda ontem estava eu chorando
As cinzas da queimada doutro dia,
Agora vejo renascendo o que não sabia.
Assim é a prova, amigo, da ignorância
De nós que não cremos nesse deus
Que nos leva de adulto a ser criança
Outra na inocência que se perdeu
Entre as descrenças provocadas
Por essa manada de ateus.
ensejo
A poesia deve perfurar paredes,
Mentes reacionárias, vadiações
Do tipo não sabe nada...
A poesia deve sangrar os poros,
Chacoalhar miolos nas variações
Das frases natas...
A poesia deve morar na lagarta
Que explode de seu casulo
E colore-se borboleta...
A poesia deve ser pura para impuros
E impura pra os puristas, sem
A náusea provocada pela ira.
Que a poesia é voz, não é mania,
É como que seria providência,
Não a penitência do culpado.
A poesia escuta o mal falado
E explica a datação carbônica
De cada ato, desde o ranço.
A poesia é para ser a recriação
Do fato, mesmo do que ainda
Está por acontecer.
A poesia deve perfurar paredes,
Mentes reacionárias, vadiações
Do tipo não sabe nada...
A poesia deve sangrar os poros,
Chacoalhar miolos nas variações
Das frases natas...
A poesia deve morar na lagarta
Que explode de seu casulo
E colore-se borboleta...
A poesia deve ser pura para impuros
E impura pra os puristas, sem
A náusea provocada pela ira.
Que a poesia é voz, não é mania,
É como que seria providência,
Não a penitência do culpado.
A poesia escuta o mal falado
E explica a datação carbônica
De cada ato, desde o ranço.
A poesia é para ser a recriação
Do fato, mesmo do que ainda
Está por acontecer.
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