quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pose para foto A carne está enrijecida, Um mapa extenso de veias Torna-se o gráfico de tal tristeza... Os ossos mal cobertos Saltam nos cotovelos, Velho, Tu és o passado de beleza? Ela se foi com a carranca Dos tempos frios... Um deslize Pelas bordas das calças Seu perfil Parece um nevoeiro. Sem peles lisas para acariciar As mãos trêmulas pairam no ar Desiludida surpresa... Mas seremos iguais enfim Na desigualdade de saber Do tempo vivido até aqui, E no olhar de cansaço O por viver. perdão O amor de um momento É o momento, Não se estende ao firmamento. Poder-se-ia amar a dois Por tanto mais tempo Fora o amor perene... Esquecimentos.
Tênue beleza de olhares Abraço-vos ao alcance de meus braços, Uma légua adiante vos enxergo baços. Mas, em verdade, assim e longe Sois tão bonitos Que me encanta chegar perto E abraça-los... Quando nos aproximamos é que desisto. Assim como desistisses de mim Bem antes disso.
fidelidades Pelas costas a matrona se esmera, Por trás da fera há de sempre haver Outra fera... A que se esconde na subserviência Das situações de escravidão... Ou quase. Mas é quando o esposo parte Que ela acorda-se em diversas Outras esferas, de amantes a fantasia De tantas alegorias... Que fantasma poderia ser a hora Da catarse? Pelas trilhas deixa sangue o amante, A amante acompanha a viagem Aos rincões de outrem, à margem De esperas... Entre as paredes maritais e pegadas De outras feras. Mas outra vez se abraçam ternos Os dois cônjuges enlevados horas, Agora à condição de pais na paz Dos lares. Aqui a volta faz a fantasia de Querer-se mais.
amarrios Todos somos amarrados A uma invisível corda, Que nos dá liberdade vigiada. Somos assim trazidos de volta A cada impensável ato. Malogradas as formas de fugir, Voltemos ao convívio de termos A manso o mando que nos faz Agir no esperando vir O termo de soltura antes. A transparência do vidro Nos promete horizontes azuis... Inalcançáveis à distância, Sonhados por todos o escravos Desta mesma instância. Até que estique a corda Somos livres para tal esperança... Um casto procurador de metas Se espanta com tal soltura, mesmo
crendices Acredito Que os amigos sobreviverão Ao mito. Acredito Que a fé admoestará Feitiços. E quando eu tiver sido O que premedito, a canção Não será grito, Mas o sussurro ao pé do ouvido Fazendo entender o não dito. Acredito Na paz de viver a família, Aos gritos? Nem pensar, se Forem banidos da violência, Acredito.
entemente O presente é a realidade. Não nos furtemos de realizá-lo Plenamente. Amanhã ninguém sabe Nem saberá porque amanhã Será o presente do depois. Assim caminhemos de mãos dadas, Visto a impossibilidade Caminhemos de pensamentos dados... Ouçamos a madrugada Com suas promessas para o hoje. Esqueçamos ontens... Deliberadamente, que incuráveis. Não nos apressemos para próxima Madrugada. Somemos nossas idéias. Se possível nossos ideais... Surfemos nesta água límpida Que filtramos Das horas mais banais, Porque todas as horas são Instantes revividos ou não Dos outros relembrados, Nada mais. Pensemos agora o agora. Ontem já se cicatrizou, amanhã Não sei a hora. Pensemos o presente como razão De viver os amigos, os filhos, A paz de poder vê-los assim Maduros, assim sinceros, Assim tratados, não como erros, Mas como sonhados. Curtamos esta hora das monções, Estamos em plena primavera, Mesmo que não. Depois não sabemos da viagem, Se podemos zarpar ou não De nossos portos abafados De compromissos inadiáveis. Somos o que a terra chama de sal A temperar esses momentos Atualmente válidos entre os que passaram e os que virão... A passar por nós... ou Sobre nós, apressadamente Esquecidos de sorver exemplos, Se... Aqui somamos nossos males, Aqui somamos nossos olhares, Aqui somamos nossos falares. A academia pode esperar, O prioritário é respirar o agora Com suas manias de flanar Suas verdades inda não ditas, Esperadas emergir. Assim somemos nossas verdades Que nossas mentiras afogarão Em mágoas e mornarão inanimadas Se... Pincemos com o coração sem mágoas A mente limpa de lembranças... A memória de só saudade. A esperança é o agora, Que amanhã será o Agora de amanhã. Pensemos assim a mesma água Correndo o mesmo chão A meares de aguadas, Sem outra solução, senão A de correr o sempre, Alhures. Assim somos, A água que vive pelos veios E não se acaba neles. A verdade que advém do enleio Que não veio. A paz das guerras acabadas. A paz não se acaba, A paz é eternamente grata À nossa convivência Dos presentes, ativos, falhos, Externamente ridentes, Mesmo que ausentes. Nesta hora somemos as saudades Quer a vida comece outra vez A cada idade. A cada passo da água rumo ao nada. A cada passo de mim Para mim mesmo. Consolidam-se aqui a verdade E as mentiras sedimentadas, todas Num mesmo cimentado piso Que servirá aos advindos de nós, Uma vez amparados nisto De sorrir ao imprevisto. O presente é a realidade, Não nos furtemos a realizá-lo. Pensemos agora o agora. Ontem já se cicatrizou, amanhã Não sei a hora. Depois veremos o depois. Pensemos assim a mesma água Correndo o mesmo chão A meares de aguadas, Sem outra solução, senão A de correr o sempre, Alhures. Pincemos do coração as mágoas A mente limpa de lembranças... A memória de só saudade. A esperança do agora ficto, Que amanhã será o Agora de amanhã. Maduros, assim sinceros, Assim tratados, não como erros, Mas como sonhados. Curtamos esta hora das monções, Estamos em plena primavera, Mesmo que não. A paz não se acaba, A paz é eternamente grata À nossa convivência Dos presentes, ativos, falhos, Externamente ridentes, Mesmo que ausentes. Nesta hora somemos as saudades Quer a vida comece outra vez A cada idade. A cada passo da água rumo ao nada. A cada passo de mim para mim mesmo. Se consolidam aqui a verdade E as mentiras sedimentadas, todas Num mesmo cimentado piso Que servirá aos advindos de nós, Uma vez amparados nisto De sorrir ao imprevisto. Fácil assim ensinar açodamentos Sem a razão de cumprir os tentos Prometidos antes desta hora. Façamos nossa hora, mesmo falhos Que, como dizia Millôr: “Viver é do caralho!”

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Este foi o pai que convivi, Sem abraços e beijos, mas De um amor rude e sincero, Nas viagens, nas roçadas, Nos portões dos sítios, que Faríamos juntos, eu criança Ele adulto, paciente quando Saí do exame para exército Estava esperando para dizer: Tudo bem? Como a saber, Conformando revide muda, Não precisava de palavras. Este meu pai, me domou Fez-me pai também, antes Orientou-me filho a viver, Que me respeitou pessoa A conviver a extrema hora Como iguais, de mesma fé Este meu pai, um cara bom, A erigir um lar de sua casa.