quarta-feira, 15 de julho de 2015





Essas manhãs
Acordam diferentes...
Hoje se fez sol,
Ontem se fez nuvem.
Amanhã quem virá
A ser feito?






No voo do pensamento
Não acompanho,
Estou cansado
De seguir estranhos...










A cada viajem que faço,
Em verdade ou sonho,
Continuo provinciano...







Os dias se atritam...
Um indo outro vindo,
Cada qual com seu ritmo.













Pessoas não deveriam
Deixar saudade.
Quando se vão,
Irem de verdade.








A vida está dura
Mas tenho a alma em festa,
Não deslumbro com coisas...
Como Cecília, sou poeta.







Quando nos vemos


Quando nos vemos
O que vejo é a paz.
Quando nos vemos
Vislumbro coisas boas...
Que você me traz.
Quando nos vemos
As dúvidas se dissipam,
As dívidas se quitam...
Quando nos vemos
As falhas se consertam.
Quando nos vemos
A briga vira festa!











O tempo dirá


Quanto vivemos,
 ou morremos,
Em cada tempo
Entre o vir e o ir embora
Do tempo agora.

O ontem, o amanhã,
O que pode para o amanhã...
É bom prestar atenção
Em cada tempo feito,
Que será semente

Para cada tempo
Esperado ser.
Não é vazio
O saber plantar
Para saber colher.






O velho e o relógio
Do livro Abrigos

Quase imperceptivelmente
Olho as rugas, o olhar cansado,
Os dentes amarelados...
Mas, quando fala as ideias claras
Brilha sua esperança
Escondendo as saudades...
Aí seu Omega de bolso bate horas
E volto a identifica-lo:
Suas horas estão no passado.



Sergiodonadio.blogspot.com


terça-feira, 14 de julho de 2015






À sombra das meias horas



Estamos sobre taboas podres,
Uns a meio caminho do nada,
Outros despercebidos ainda...
Mas todos sobre a mesma taboa
Apodrecida de más intenções...
A colheita não é suficiente
Para a fome de carências...
Uns estagnados em terra,
Outros viajando sem destino,
Alguns sem morada em desatino
À sombra dessas horas contadas
São meias verdades lacradas
Entregues aos moribundos,
Esses que já se vêm mortos
São os mais infelizes.
São meias horas esperadas
Nesse latifúndio.






Enquanto eu dormia


Enquanto eu dormia
Passou-se a ocasião preciosa
De invenções e manipulações,
Cada coisa em seu lugar
E tempo...

Enquanto eu dormia
A cidade virou metrópole,
Sangrando e costurando
Obras no subsolo e
Nas pessoas...

Enquanto eu dormia
Tu dormias... E, de pronto
Desaprendemos a esperar
A esperança de reviver
Dia após dia.

Enquanto eu dormia
A poesia pôs-se a trabalhar
Nossas mentes distraídas
Esquecidas de aprender...
A vida...



Mala


Não tenho a mala pronta
Mas a alma para viajar...
Quero conhecer os mares,
Outras pessoas,
Outras cachoeiras...
Quero me ater às forças
Veladas de cada parede...
Pensando bem, acho que
Tenho a mala pronta
Para viajar os sonhos
De procurar tesouros
Onde possa a vida aportar.















Poesia,
Estou te produzindo
Aos borbotões...
Eu digo: faze.
Não me digas não.
Pelo caminho
Vou catando letras,
Formando frases
Em alguma direção,
Umas se guiam bem
Pela essa trilha,
Outras, bêbedas,
Se desguiam...
Algumas nunca
Servirão.













Só eu mesmo sei como sou...
Sou sempre a fim de sair de mim
Para conhecer-me melhor.
Estou divisando o que sei de mim
Entre as páginas do nunca mais...
Viajo em torno do que me sei
Apalpando as partes ainda desconhecidas procurando
A cada vez que me desencanto...
Percebo então que finalmente
Nem eu mesmo sei como sou.

















Este cara não
Me é estranho.
Então, por que esse cara
 Me estranha?










De humano a desumano,
Quanto o homem rotula
O outro homem, infame?












Acredito que o bem vença o mal,
Só não distingo
Qual deles e mais mortal.

domingo, 12 de julho de 2015



Transidos


Se quiseres pensar meu desabrigo
Tens de caminhar o meu caminho
Entre as dores que sinto e o sorriso
Entre fases vividas e o descaminho

Por onde viajei, vem, nem te digo
O que encontrei de faca e arminho
Nas pedras que pisei ao que intrigo
Nas flores colhidas meus espinhos.

Se quiseres sorrir o meu sorriso
Arrisque me ultrapassar transindo
Sem tropeços meu tropeço sofrido,

Que a paz conseguida tem comigo
A mesma irmandade d’outro linho.
Entre risos e choros, me abrigo.











Depois do amor
Todas as horas são cinza,
Talvez um motivo
Para absorver o dia...
Depois do amor
Todas as horas são cinzas,
Talvez o fogo apagado
Acenda ainda...















Os construtores do mundo
Do livro Abrigos

Entre
Os que destroem seu redor
Tem os que se matam,
Por amor, ódio, indiferença,
Que se ferem por ferir, ou
Pela dor de não poder partir...
E pior se sente...

Neste mundo indiferente
De que seja pedra ou gente.

Entre
Os que destroem seu redor
Tem os que reconstroem
E que farão tudo novamente,
Por amor ou dó ao doente...
Este se sabe melhor e
Melhor se sente.

Neste mundo indiferente
De que seja pedra ou gente.


sergiodonadio.blogspot.com
Lonjuras


O mar está longe,
O sonho está longe.
Onde estão as coisas
Possuídas?
Passíveis de nunca acontecer
Limito-me a olhar o mar e
O sonho nesta pintura,
O que me torna menor que sou,
Apenas criatura.
Mas continuo meu passo
Viajeiro
Que importa o mar ou o sonho,
O que vi primeiro?







sexta-feira, 10 de julho de 2015



Doze badaladas


Esta é a hora
De sentar e pensar:
De pouco em pouco
A ilusão se apaga...
De gesto em gesto
Afaga-se a mágoa
De querer vida
Onde já não haja...

Querer da vida
Apagar as mágoas...
Querer do tempo
Que se ilharga...
Da fonte límpida
O som da água
Que escorre e vem
Saturar feridas...

Esta é a hora
Das despedidas.





Jornais anunciam tua morte.


Mas eu sei que vives,
Sei que inda voltas.
Quando somamos
Nossas horas
Coloridas
A história muda
Para se tornar verdade...
Porque há música ainda
Onde pedes silêncio...
Mas silencio se assim o queres
De verdade,
Que as horas são coloridas
Pela esperança
E pela saudade.











Cirandinha


Quando transbordam
Os córregos no céu
Eu visto os sonhos infantis
De novo...
Quando os vejo coloridos, crianças,
Sei-me menino
Pintando as cores das nuvens
E das folhas...
Sob a água desses córregos
Me molho
Ouvindo o correr delas pelo corpo
Inda secado antes.
Quando brinco de correr as sobras
Os vejo livres
Como as nuvens, os córregos,
As águas que partiram
Adiante...
E as flores pintadas hoje
São as mesmas, pintadas
Antes.








Todas as folhas em branco
Guardam o escrito que há de vir
Devido ao eterno espanto...









Reencontro



-Alô. Pode voltar, te perdoo.
-Ah, sei...  Sei... Sei...
-Então, me perdoa, por favor?






A carta


Diz das tristezas de partir,
De não chegar...
De diluir-se em lágrimas,
Em riso,
E, pior, do sarcasmo de ir
Sem ter-se ido...







O tempo tem
Um sinistro lugar
Onde todos vão passar...












De algum lugar distante
Ouço vozes...
Reclamam do clima,
Frio?
Reclamam da frieza
Das pessoas,
Das ruas vazias
De ruas cheias...
Do silêncio às reclamações...
De algum lugar ainda
Há tempo hábil para voltar
Ao sol, aos risos,
À atenção aos prejuízos.












Moda


Teve a febre das vitrolas,
Das coleções de flâmulas,
Da ostentação de penteados
Tipo Elvis...
Da profusão de Elvis
Pelas praças...
Agora a febre é dos
Smartphones,
Dos whatsapps...
Tão criticados, como fosse
Diferente do tempo
Das lantejoulas,
Das ligas coloridas...
Das abotoaduras
Tudo tem seu tempo,
Que não dura.

Sergiodonadio.blogspot.com