terça-feira, 10 de novembro de 2015



Pontos de vista, à minha vista


Uma vez, em mutirão
Estávamos construindo uma sala
 nova na escola de meu filho,
Chegou um chefete, pegou
A colher da mão do pedreiro,
Assentou cinco tijolos para a foto
E saiu com seu marasmo...
Incitando-nos a fazer o mesmo,
Enquanto o pedreiro desfazia
A fileira torta de tijolos...
Cuidando o cimento ainda mole.
Doutra feita
Estávamos reunidos, chegou
O chefete, serviu cerveja
Em todas as mesas despediu-se,
Deixando a conta para trás...
Assim formo minha opinião
Sobre políticos, alguns, atuais.







A forma da chuva


Deixando a forma da chuva
Entre memórias esquecidas
Penso a lareira reacendida
No amontoado de lenhas...
A cabeça exposta a prêmio
De um inocente espectador...
O cuco lembra as horas hoje
De agora em diante essa dor
Vinda de horizontes passados
Para a espera do agora, entre
Lenhas verdes e ramagens
E uma cabeça de homem
Pendurada nas pernas dela...
Bela imagem de um tempo
Deixado ficar na memória
Da esperança de ontem...
Indo embora.








O vento solitário


O vento solitário do silêncio
Abrange coisas esquecidas
Numa mata cheia de vidas,
Tintinando falhas na guarida...

Ruídos ronronam a quebra
De galhos ao pisar pesado
Do traçador de canafístulas,
Cansado dessa névoa ripa.

Abranjo as folhas verdes
Para espantar muriçocas
Com a fome das prenhes...

O vento solitário ruge
Entre coisas esquecidas,
Lembradas de ter vidas...

Sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Saraiva,Perse, Incógnita Portugal
Clube de Autores, Amazon Kindle.







Encaixes


Às vezes me encaixo
Entre os revoltosos,
Às vezes me encaixo
Entre os acomodados.
Às vezes não me encaixo...
Desiludido com certas ações
Despropositadas
Iludo-me com mudanças
Desacostumadas...
Às vezes irrita-me a lentidão
Das autoridades...
Outras vezes a falta de...
Mas sempre volto ao princípio
De acontecer desacontecidos
Entre deveres e haveres tidos
Por merecer o desmerecido.
Às vezes me encaixo
Entre os desaparecidos
De uma corja de bandidos
Reabilitados pela idade
De saber que nada sabe.

domingo, 8 de novembro de 2015

Pontos de vista, à minha vista

Uma vez, em mutirão
Estávamos construindo uma sala
nova na escola de meu filho,
Chegou um chefete, pegou
A colher da mão do pedreiro,
Assentou cinco tijolos para a foto
E saiu com seu marasmo...
Incitando-nos a fazer o mesmo,
Enquanto o pedreiro desfazia
A fileira torta de tijolos...
Cuidando o cimento ainda mole.
Doutra feita
Estávamos reunidos, chegou
O chefete, serviu cerveja
Em todas as mesas despediu-se,
Deixando a conta para trás...
Assim formo minha opinião
Sobre políticos, alguns, atuais.



Picles
Às vezes me sinto culpado
Por não saber o nome
Dos amedrontados...

Não se consegue avanço
Se não se aplaca o ranço.

Pior que bicho de sete cabeças
É a cabeça de sete bichos...

Pensou que nunca seria tarde?
Acaba o tarde sendo nunca...

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Editoras: Saraiva,Perse, Incógnita Portugal
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sábado, 7 de novembro de 2015



Desacontecimentos

Meu poema tem a liberdade,
Não que eu lhe tenha dado,
Que conquistou com coragem,
Dizendo-me a que veio,
Quando e o porquê,
E fico triste quando se vai...
Sem dizer por que,
Por quem, por causa de...
Meu poema tem vida própria,
Diz-me palavras que não sei,
Reprova outras que me sei...
Inseguro pelas entrelinhas
Sei-me capaz de prevê-lo
Mas foge aos meus preceitos,
Diz-me saber pensamentos...
Meu poema diz suavemente
Verdades que eu mentiria,
Não fosse por ele ser-me.
Meu poema provoca frases
Inundando meus momentos
De algum novo saber
No desacontecimento...

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sexta-feira, 6 de novembro de 2015



As sepulturas antigas


As sepulturas antigas
São deixadas para trás...
Deslembradas de terem sido
VIDAS!
As sepulturas antigas comprovam
Que eles eram felizes,
Que bem se davam
E se lavavam das impuras
Manobras desses dias hoje...
Se encontram sob a laje,
Embaixo da grama úmida,
Entre folhagens sujas...
Mas estão felizes por estarem
Entre raízes...
As sepulturas antigas
Não têm medo de retalharem-lhes
Os nomes em bronze,
Os tributos em granito ou aço...
As sepulturas antigas
Não são invejáveis, pois que
Deixadas cobrir de folhas
E formigas, sem brilho
Que as faria frágeis.

Decimais


Como comprar um sonho?
O pregoeiro bate o martelo,
A oferta é a ocasionalidade
Dos sonhos impossíveis...
Os sonhos mais interessantes
Serão depressa comprados,
São visíveis as ofertas boas,
As tangíveis ofertas fáceis...
O pregoeiro elogia até mesmo
Os sonhos deploráveis...

Como comprar um sonho
Perseguido desde a infância
Nessa balburdia de fases?
Sonhos de liliputianos,
Alguma pasárgada vencida
Pelo cansaço das lidas...
Haverá uma oferta razoável,
A melhor a ser escolhida,
Mas os sonhos são frágeis,
Dissolvem-se na colhida.

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