quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Íntima sensibilidade
Do livro Sensibilidades

A trava da vida basta-se a si mesma,
O íntimo melindre não tem governo.
Com seus senões e minha certeza:
- Que o mundo girava quando nasci,
Vai continuar a girar quando morrer
Ante meu ciclo de espairecer…
Então, basta-me a tragédia da alegria
Esse entender e desentender comigo
Que comigo convivo às turras
E não preciso inimigos, políticos,
Tenho-os como bem à distância.
Meus olhos veem o pôr do sol,
Não o pôr da razão.
Assim tenho comigo que possa ser eu
Meu inimigo, ou amigo, de ocasião,
Levado, sem flores, à morada
Que outros reverenciam como última,
Mas fogem dela, ali seremos iguais,
Eu e o mais promíscuo politiqueiro
Nessa prostração genérica
Que nos incute culpas e mazelas,
Tempo inteiro.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Pardieiro


As passagens bíblicas assustam,
Parece se repetirem a cada ato,
Inútil a sombra das arapucas…
Emergindo a cada desagasto,
Um Caim para cada irmão Abel
Na linha turva das negociatas.
Cobras ofertantes não falta,
Têm todas as maçãs, das doces
Ao gosto forte das amargas…
A estupidez genérica espanta
Ao tato compressões digitadas.
Quem se pode salvar da oferta?
Agora o santo, o que nada sabe,
Volta ao noticiário onde a bíblia
Se repete nos judas de cada fase…
Todos se sentem imunes à esse,
Ensinado temer, não respeitado,
Nesses tempos por “dinheiro”,
Além das sobras e dos retalhos
A força vil desse metal se impõe,
São trinta dinheiros nessa babel.
Desforra-se aqui o mendigo, que,
Em não tendo tanto se contenta
Com as moedas nesse pardieiro.

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sábado, 9 de setembro de 2017

O susto


Tentando ser ouvido
Percebo que não lembro
Da voz de meus pais…
Faz algum tempo que
Não encontro os guardados
De seus pertences,
Como objetos e palavras
Dos sentimentos,
Dos aconselhamentos…
Pena que somos assim
Descuidados.
As casas em que moramos,
Os livros que deixamos nelas,
As fotos de nossos avós,
Postos em um canto,
Perdidos no pó.


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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

No dia em que tinhas morrido


No dia em que tinhas morrido,
Esbaforido de suores frios,
Poderias ouvir os grilos
Orquestrados nesse vazio…
No dia em que tinhas morrido
Ainda miavam os gatos
Nos telhados carcomidos…
À fuga dos cães vadios,
Seus parceiros para a fuga.
No dia em que tinhas morrido
Sentindo a alma soltar-se
Desse corpo dolorido
De saudades…
No dia em que tinhas morrido
Já tão fraco, sussurrando
Uma sede inexistente
Lembrando a água da fonte,
As fontes das felicidades…
Por alguma maldade delas
A lembrar-te passagens
Que havias deixado
Esquecer dálias…




No dia em que tinhas morrido,
Num colchão fedido, urinado,
Colhias a unção derradeira
De seus entreveros, o Padre.
Acenderam-se as luzes
Além da janela apagada
Ao sol da tarde…
No dia em que tinhas morrido
Não chovia, como antes,
Não aplainava seus constantes
Apelos às enxurradas…
Mas apenas os olhares mudos
À volta de sua cama
Deixavam-se em murmúrios
Sobre fatos e boatos
Desse dia fatídico, como
Tivesses morrido de verdade,
Uns comentários maldosos
De já vais tarde…


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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sete de setembro
Não seria o dia de nossa independência? Pois é, só para relembrar:
1º - A cobrança de um quinto de toda produção de ouro para a coroa, por volta de 1700, gerou uma revolta muito grande e cabeças rolaram. Que saudade desse tempo... já pensou se hoje impostos somassem um quinto, 20% da produção? Seria o céu, não o inferno, agora que pagamos 40%, por que estamos aquietados? Por que não rolam cabeças? Por que, além disso, somos espoliados de tal modo pelos chefes da “coroa”, e não nos opomos como nossos antepassados?
2º - Roubar não é um ato de necessidade premente, é um instinto primitivo, aflorado numa sociedade que evoluiu, até pelo cansaço dos experimentos, pela repetição de eventos, como guerras, tratados, inventos, inserções... Invasões aos limites decretados éticos... Tudo que acompanha o homem desde o se por ereto ao voo interplanetário. Então, quem rouba, o de mísera plebe ou o abastado, quando lapidou seus instintos e já não responde pelos seus atos? Vide legisladores que conspurcam sua classe, uns roubando, outros inocentando os larápios, e no grande leque de abstrações jurídicas quanto maior o pote maior o perdão. Se assim não fora, para uma pena de quatro anos para a moça que roubou um pote de margarina, a quantos anos deveriam ser apenados os ladrões de milhões de potes?!
3º - A infestação de corruptos (e corruptores) invade todas as esferas governamentais. O motivo pro choro é a conclusão de que os protagonistas estão por aqui, vivos, mandantes, esperneantes e diletantes, até que a morte nos separe...Onde pode se encaixar aí a independência desse povo sofrido?

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Meu cumprimento a todos os escrevinhadores de seus sonhos

Eu faço versos como respiro
Se parar, sufoco,
Digo o que penso e fico
A pensar se o disse pleno…
Parte de meus escritos
Nunca serão lidos, sei…
Mas descobri que escrevo
Para mim mesmo, meu prazer,
Minha releitura, confessionário
De ideias puras ou impuras…
Companheiro das madrugadas
Meu caderno me abraça,
Me alumia ideias novas,
Me perpassa lonjuras…
Assim viajo… Assim me volto
Para o interior a que me faço
Companheiro de mim mesmo,
Esse regaço que me embala
Sonhos diversos, outras alas,
Eu faço versos como respiro

Em todas as falas…

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Escolhas e encolhas



Espio, de meu canto,
Ceguetas tateando a vida,
Agarrando-se às normas
Proferidas por outrem.
Ora se tornam ateístas…
Ora se vislumbram com a fé.
Um dia se acomodam,
Noutro corridas ciclísticas,
Balé, surf, natação, ioga…
Aí se convertem veganos,
Procuram retiros… Insanos!
Voltam a ouvir os clássicos
Depois dos blues e baladas…
Voltam a ler poesias
Depois de pauloscoelhos…
Voltam a ter alegrias
Depois de olhares tristes…
Espio, saindo de meu canto,
Quanto viajam nas mentiras
Essas pessoas roídas
De desencantos…



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