segunda-feira, 26 de junho de 2017

A cada dia que passa


A cada dia que passa
O sofrer fica mais fácil.
Desde eu menino sei,
Por assistir a meu pai,
O que o tempo nos faz.
Num perrengue qualquer
A febre me arranhando,
A arritmia era fé, vinha
A gripe fechando o cerco
Na tremedura dos pés.
Desde menino se aprende,
Nas horas de ver o pai
Definhando suas forças,
As minhas vou tolerando.
Eram dores de cada corpo,
A cada dia que passa
O sofrer fica mais fácil
De aprender pelo tato
O que o tempo nos trouxe…
De pouco em pouco sofrendo
O que o choro consola…
É por alguém se chegando,
Ou por alguém indo embora…


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domingo, 18 de junho de 2017

Tatuagem

Se for tatuar a culpa
Do serumano em sua testa
Seremos uma humanidade
Descrita a cada marca,
A cada dolo… A saber
De cada desvairado bandido
Se já teve um lar, ressentido,
Ao menos nascido da mãe
Que o amamentou e limpou,
E fez-se fera ou perdido,
Sabe-se lá quando,
Nas vias sujas das ruas
Ou nas sujas vias da ledice.
Há justiça no ato de justiça-lo?
Talvez revolta, ou mesmo,
Que não tem volta, penando…
O que importa tenha visto
Às escondidas dos vícios
De perdulária cretinice
Nos bancos da praça ou
Nos bancos insignes
Das câmaras altas…
Se for tatuar as culpas,
O que nos falta?


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terça-feira, 13 de junho de 2017

A palavra por via
Dedico a todos os poetas dos saraus

Este poema,
Pobre poema,
Que não acaba
Quando termina…
É muita história pra contar,
Alguma ainda por vinda…
Coisas para se dizer
Da felicidade
De ser!
A pena é que me diz
Continuar a estar feliz
Nessa espera decenária
De voltar à raiz.
Este poema…
Esses poemas
Que buscam nas entranhas
As partes boas dos dias…
Sem eles, o que me seria
Essa alegria tamanha?
Essa ode à maestria
Da palavra encontrada
A cada via…


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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Em branco e preto


A vida em branco e preto,
É preciso que se a colore
Com ação…  Ação… Ação,
Seja sovertido ou não,
Viver do dia a claridade,
Da noite a luaridade,
Do canto do passarinho
Que se fez empenado e voou,
Da semente que se fez arvore
E se fixou no chão movediço.
Fazer desse chão o inicio
Do voo do crescente,
Virando gente.
Porque a vida é escrita
Em preto e branco,
E temos uma caixa cheia
De gizes coloridos.


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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Inadvertidamente


Quando refaço planos
Desenho novos conceitos,
Que já deixei para o antes
Os velhos sonhos desfeitos…
Quando refaço planos
Nesses desenhos em eitos,
É em suas entranças que
Volto inadvertidamente
Aos rabiscos pertinentes
Àquela infância…




Por que chorar?


Não há porque chorar
A morte do corpo
Se se esvai em dores.
Vejo isso como boa sorte,
Livra-se a alma
Desse peso morto.
O bom da vida
Não é juntar tesouros,
Mas vive-la na tranquilidade,
Cobrir-se ao manto os louros,
O bom da vida é deixar saudade,
Portanto
Não há porque chorar
O bom que foi-se,
Se apenas a dor te faz lembrar
O velho corpo.







Arranques


Madrugada fria,
Fria poesia,
Frestada à hora
Madrugada.
A gente pensa,
Pensa que pensa,
Que a noite é longa
Feito eternidade.
Mas cedo acaba
Como tudo acaba:
Iluminada.



Pensamentos


Pesa-te o pensar
Que o tempo foi-se
Pelo ralo
Das horas vadiadas…
Mas pensar
É apenas suar a mente
Entre o plano e o feito.
Então, se não tem jeito,
Pensar-se híbrido
Entre detalhes
Inconsumíveis
E formas fáticas
Desse sentido.




A loucura da lucidez
Persegue a razão…
Haveria um meio
De dizer quer não?




Me encontrando
Nos desencontros…
Soluciono a indecisão
E pacificar-me.








Tudo tão explícito:
O que os olhos não vêm
O sentimento alcança…



E COMO DÓI…



HOJE TEM MARMELADA? 
-TEM, SIM SINHÔ!
HOJE TEM GOIABADA?
-TEM SIM SINHÔ!
O PALHAÇO O QUE É?
- É LADRÃO DE MUIÉ…
O POLÍTICO O QUE É?
- É UM CHUTE NO SACO
E um tiro no pé...





O cansaço te desespera?
-Só não posso desistir
De mim nessa espera…







O que faz chorar


Quando a foto de um lugar
Lembra uma pessoa
Ou quando ver a tal pessoa
Lembra um lugar?





Seria legal…


Ouvir a cor do céu
Em noite límpida…
Ver o canto da bem-te-vi
Em sua resposta…
Sentir o som da fala
Do primeiro mugido…
Do primeiro riso…
Do primeiro coaxar…
Do bigornear da araponga,
Do chalrear da baitaca,
Do afar do beija-flor,
Do gloterar da cegonha,
Talvez até do silêncio
Da girafa… Mas,
No gazear da garça
O gato bufa, o cão uiva…
E tudo que posso
É me calar à zurra
Desse animal de estufa.

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Favas


Nunca vivi na roça.
Mas a roça sempre viveu em mim,
O cheiro das colheitas,
Das queimadas…
Da terra mexida para ser plantada.
Do plantio,
Da florada…
Ah, a florada do cafezal…
O branco a se tornar vermelho
Da fruta doce do café
Antes de colhido e secado…
Nunca vivi na roça?
Mas a roça inda cheira
Quando
Viajo as tardes vadias
E me vejo entre as flores
Da estrada…






 Na imensidão do silêncio



Essa falta de vozes
No interior do templo
Faz bem maior o silêncio
Que me quer calado.
Lá fora,
Entre os tantos gritos,
Longe da meditação,
Mas não é de diálogos,
É tempo de decantações,
Desertadores do templo
Laminados ao pé do Santo
Cuidando suas pessoas
Perdidas em dissertações
De seu tempo…








Cansaços d’alma


O peso dessa alma cansada
Sucumbe à força do braço,
Abraço que volteia,
O cão sabe a força do laço
Que o peia…
O peso para essa alma
Talvez seja o amontoado
De vidas nas trincheiras.
Desde os primórdios
Do velho testamento
Aos templo colhedores
Desse dízimo de agora…
Pena essa alma, talvez,
Pelas culpas assumidas
Entre o crente das falácias
E o seguimento de vidas…







Segundo meus versos


Segundo meus versos
Sou aquele que surfou entre eles
E surtou ao dessaber-se deles…
Segundo meus versos
Viajei o mundo sem escoras,
Até mesmo quando não.
Segundo meus versos
Batalhei os tempos de arribação
Entre a alegria e a responsabilidade
De me ser, adulto, pai, dever.
Assim,
Segundo meus versos
Deixei para depois projetos
Que estão esquecidos
Em alguma gaveta de meu cérebro
Deixados fenecer
Por certo…






Momento a sós


Tivemos momentos bons,
A perder na desmemoria,
Que se foram aos cantos
Ao sabor de cada hora.
Preciso foi a lisura
Para deixá-los nesse vácuo
Das desventuras….
De perder tempo a imaginar
Momentos a sós…
Essas lembranças tão esquecidas
O que teriam pra dizer
De nós?











No tempo revivido


Nesse tempo vivido
Não procurei aventuras,
Elas é que se ofertaram a mim,
Vindas ao clamor adolescente
Despertando para as cores novas…
Há de vir, ainda, a qualquer hora,
Uma nova onda aventureira.
Que pena, se demorar muito
Encontrarás a dor envelhecida
A travar os sonhos
Que esperei da vida.






A lembrança dos fatos,
Que não existiram,
Faz a festa nessa mente
Cansada de retiros…








As ideias velhas,
Algumas vezes ditas,
Lembram xícaras sem asas
E cabeças aflitas










A pré vida
Tinha tantas certezas,
Que foram-se diluindo
Confrontadas com o tempo,
Esse implacável juiz,
Que indefere sonhos gratuitos,
Por serem caros demais
Nesses sentidos banais
De ir-se…
Quando outros estão chegando
Ao mesmo lugar, indecisos,
Das vidas por viver antes
Aos tempos por viver ainda…




A noite está passando,
Eu não quero dormir,
Quero ficar acordando…





A meia DO PÉ esquerdo


Tem um furo à altura da canela
Outro furo na ponta do dedo,
Embora longe da vista alheia,
Esse sim, me incomoda…


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tudo é irrevogável

Vejo pessoas
Mortas em vida…
A realidade
É cruamente exposta
A cada despedida,
Seja do amigo
Ou da mãe parida…
Tudo é irrevogável!
A floração do cacto,
O aninhar do pássaro,
A filiação ao facto…
A inação é um trágico
Senão entre os atos!
Tudo é irrevogável
Desde o nascituro
Ao obituário fático…
Então não posso deixar
Para depois de amanhã
A dissertação que me faço,
Perdido nesse tempo
Deixado inapto.


REFÚGIOS


O que te passa na cabeça,
Inábil mandatário?
A volta do esporádico?
A vinda do salvádego?
A voz de anjo, ou demônio,
Fantasiado de benedeto?
O que te faz insuspeito
Nessa rixa de altos salários,
O salafrário? O guardador
Das verdades inventadas?
Dizem aos incautos,
Pejorativamente:
- Coisas de poeta…
Quando a culpa latente
Se espraia em dissolventes
Asseclas dessa laia.
Resposta de um entre tantos:
- Somos poetas,
- Não otários!




Contagiânças


Ouvindo Raul Seixas
Degringolando
Seu maluco beleza
Aos ventos contrários…
Uma alma de dez mil anos?
Um senhor engravatado
De segunda a sexta?
Um maluco na sua beleza
Deixando as correntes peadas
Em suas formas vis…
Quem sabe somos todos,
De segunda a sexta
Preparando o sábado
Domingueiro de malucagens…
Raul… Raul… Que maluco
É esse que nos contagia
De relembranças
Tardias?





Dilutos


Todos os sonhos
São dilutos em doses
De realidade bruta…
Como cápsulas
Diluem-se na água
Que nos habita
E nos aplacam dores,
Somem com o tempo
Passado e não voltam
Nos tempos atuais
Do mesmo verbo.







Abrandamentos


Chuva,
Que me vem molhar o cenho,
Que satisfaz a alma
A ensonar o corpo.
Que transforma as sementes
E a terra afofa
E prendes que lava a poeira
Do outono…
Por que vens assim, tão braba,
Derrubando casas
E entristecendo almas?
É derrubar paredes
O que resta de ti?
Chuva… Chuva…
Que violência esta de arrasar
Que não se aquieta mais?







Aos dedos perdidos


Os tantos dedos perdidos…
Agora lá se vão os anéis.
É o ouro derretido dos dedos
Que se valiam disso,
E nem por isso os guardei
Um dia antes da agonia…
Dos valores os anéis
Seriam de mais valor?
Já que os dedos
De pouco me valiam
Perdida a função de apontar
A esmo pelo deserto
Os sonhos derretidos.







Comuniqueixas


Meus pais ligavam o rádio
Para saber das coisas,
Da guerra e da paz…
Nostalgicamente à memória
Do silêncio de seus pais,
N’outro tempo atrás…
Eu ligo o CPU
Para me comunicar
Com meus contemporâneos…
Nessa fase de descartados
Meus filhos usam-se
Nos notebooks desatualizados…
Seus filhos pelo wathzapp
Apressam a não se atrasar
À próxima desmemoria
Que já lhes vem atrás…
Como farão os filhos
Da próxima geração
Para saber das coisas
Da guerra e da paz?

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Inadvertidamente


Quando refaço planos
Desenho novos conceitos,
Que já deixei para o antes
Os velhos sonhos desfeitos…
Quando refaço planos
Nesses desenhos em eitos,
É em suas entranças que
Volto inadvertidamente
Aos rabiscos pertinentes
Àquela infância…






Por que chorar?



Não há porque chorar
A morte do corpo
Se se esvai em dores.
Vejo isso como boa sorte,
Livra-se a alma
Desse peso morto.
O bom da vida
Não é juntar tesouros,
Mas vive-la na tranquilidade,
Cobrir-se ao manto os louros,
O bom da vida é deixar saudade,
Portanto
Não há porque chorar
O bom que foi-se,
Se apenas a dor te faz lembrar
O velho corpo.


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fuga


Nos eludimos
À frente da batalha…
Esses egos destonados
Fazem fogo de arresto
Nas paredes dispersas…
Mas fogem das verdades
Muradas à frente…
Quando?
Quando seremos covardes
Outra vez?
Quando a frota vier
Nos receber
De braços abertos
E baionetas?
- Quando os poetas
Vierem nos receber
Com suas palavras
Baionetadas!





TODOS SOMOS DESIGUAIS



TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI.
TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI?
TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI!
Todos somos desiguais Perante
Essa temerária lei que admite caução
Ao grande dono das ações na bolsa…
Quem pode ser o caucionário
Do pequeno lesador do ulnário
Saco de farinha surrupiado ao dolo?
TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI…
Quem garante ao esfarrapado
Seu direito de, além de ir e vir, ficar?
TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI?
Até mesmo o usuário lesado pelo
Financiador do crediário preditivo
Na promessa da vitrine proibitiva
Ao bolso raso do salário pago?
TODOS DESIGUAIS PERANTE A LEI…
Tantas vezes lido e ouvido, olvido
Pelo mando do predatório lenido!


Gentilezas

Quão gentil pode ser
Essa pátria desamada…
Até o roxo da pancada
Será cicatrizado em vão?
Até quando o honesto
Será o tolo da negociação?
Até que o malho desmalhe
Todas as circunscrições
O objeto se objete
E torne-se inalienável
Ao casco do barco ao fundo?
Quão gentil pode ser
Essa pátria desarmada,
Povo que pensa o não
Mas se aquieta ao medo?
Se preciso a inquisição
Ao predador depredado,
Que assim o seja, melhor
O futuro que o passado…
Apeado ao suor do bardo
Que se baldeou por fraco
Ou por gentil ao fardo…
Do qual se fartou!
CONVIDO-OS A VISITAR
Desplanejos


Sempre pensei em relevâncias…
O que afeta, ou não, instância.
Sonhos profundos, futuro tosco,
Essa vontade de viajar o novo…

Se joguei sonhar-me impossíveis,
Até que me foram comprovados,
Aí fui desistindo de olhar o longe
E passei a contemplar meus pés

Pensando assim no caminhável
Entre o real d‘agora e o sonhado,
Inda hoje relevante para mim,

Que vejo os sonhos impossíveis
Com certo apreço esperançado
Sobre ilusórios de planejados.












O sonho maculado
Pode ser apenas o futuro
Indo para o passado…









Em meu olhar intimista
Pode seja que me sinta
Nesse espelho de ontem
Em que me via realista…







O que já não é de uso


O que já não se usa
É bem que se espere
Que de velho em velharia
Acabe o atual objeto
A se tornar antiguidade.
Não tu, caro senhor,
Que de velho se estraga
A cada idade…















À minha neta


É, minha cara, melhor
Esse tempo de espinhas no rosto
Que o de rugas de desgosto.









O que vale não esquecer,
Dependendo do tempo,
Não o tempo a conceber
Mas o de compreender…







Patronato


O que se apreende
Com a idade
É que não se comanda
O tempo. O tempo
É que nos comanda…
Entre o prazer
E o fazer, medindo
Cada distância…


















A internet é um barato
Mas faz quase impossível
Tornar a notícia em fato…







Como em sendo verdade
Contei uma estória triste,
Mas às vezes a verdade
É que até ela não existe…







Sonho que não


Sonho que não sou…
Seria bom, fosse verdade,
Não teria responsabilidade
Desse sol nascer em chuva…
No sonho de não mais ser
A mágoa desistiria de ser
No chão virado em prata
E no céu do amanhecer.
No tempo de não ser
Seria fácil perdoar danos,
Cicatrizes, feridas abertas,
Contar a vida que esconde
Antes de ter sido existência,
Assim a gente amanhece
Ileso do tempo perdido
Em desovado espírito…







Compulsoriamente


A pergunta é sempre outra,
A resposta sempre a mesma.
Falta imaginação ou mudou
A dissertação desse esmo?

Qual a melhor resposta
Para novos acontecidos?
Hoje incendeiam pneus
Os que queimavam livros…

Esses que não se podem
Queimar dessas verdades
Queimam as inutilidades…

Para os pequenos delitos
A pena seria compulsar
A leitura daqueles livros





Há um certo tempo


A um certo tempo vivido
A gente recorda a infância
Como essa alegria triste
De sentir ter-se perdido
O lembrar acontecidos,
Vulneráveis ao crivo
De amadurar-se nisso…
Tempo de importante
Ser as desimportâncias…
Desmanchar formigueiros,
Montar obstáculos para
Garrafa de vazia serventia…
Nesse certo tempo o vivido
Se importa em nós mais
Que notícias do repente,
Como brigas politiqueiras
E outras atuais asneiras,
Tudo mudado… Mudou-se,
Nem há mais formigueiro
Para o chutado coice…




Se o dia é findo

Se o dia é findo
Que se finde a sorte
Que carregamos
Do nascer à morte…
Se o dia é findo
Se acendam as luzes,
Despertem morcegos
Corujas e boêmios,
Viventes do findo dia
Ao luar do escuro.
Se o dia é findo
Dê-se ao sossego
De pender ao balanço
Dessa rede e sorver
O gole do sereno
Vindo de quando o dia
Por findo é feito.






Quando o bonito parecer feio

Quando o bonito parecer feio
E o hoje feio se tornar bonito
À nova visão de valor finito
O que será da bela esbelte
Da jovem quase esquelética
E da musculatura disforme dele?
Em certos povos o belo é untuoso
Em contradição ao manequim
Das passarelas e desavidas,
As praias são o pior momento
Para os que contiveram a gula
Antes de veranear o tempo
Mas que não chegam ao belo
Segundo estreito conceito
Efêmero em ossos desfeito.






Casa de estimação


Ah, casa,
Tinhas seus encantos
Entre paredes carcomidas,
Pilares podres e suas vigas,
Quintal de varanda florida…
Areia amontoada ao canto
Ciscada pelas galinhas e
A montureira das formigas…
Um cão chamado Duque
Que não respeitava ordens.
A casa talvez não sonhada
Mas muito bem vivida…
Não tem mais cancha
Para aquela casa inércia
No viver de hoje a lida,
Perfume de margaridas
Maneira de revividas
Cenas deixadas voar…
Ah, casa, que falta faz
Tua presença viva…


O que me vejo

O que me vejo
Revendo meus dias
É um bocado de mim,
Esquecido no espelho
Ficado noutros dias…
O que me vejo
É a paz desistida
No guerrear comigo.
O que me vejo
É o som da trombeta
Chamando as recordações
Do futuro.
O que me vejo
Caminhando entre pedras,
Areias e caramujos,
Deixados
Pelo último banquete do rei.
Aqui me sei espelhado,
Sorrindo pra fotografia
Mesmo que entristecido antes,
No instante passado.


Nas chamas dos dias


Nas chamas
Dos dias
A espera é forte
Aprendiz de ti.
Que mais pode
A fase ensinar-te
Ante as paradas
E a energia
Despendida
Dos gestos?

















Para se tornar luz
Faz-se preciso
Apagar as sombras
Externas.
Apenas a própria,
Essa que se desliga
Quando se evolui,
É imprescindível
Manter à luz.


















O dia se negou a nós,
Humanos,
O claro se desfez
Ao meio desse dia,
Apenas os gatos continuam
Perambulando,
Com suas patas sensíveis,
Medindo à frente
Os perigos que nós
Humanos,
Não prevemos
Tropeçados…















Aprendiz de feiticeiro
Se fazendo de rogado,
Sabe a sanha de tudo isso?
Já é passado…














Pelo cheiro do vento

Pelo cheiro do vento
Vem tempestade,
A poeira no ar,
O fio da ramagem…
Pelo cheiro do vento
Vem destroçagem,
Talvez um nó górdio
Nas minhas vontades.
Pelo cheiro do vento
Já não se pode navegar
As naus afundadas.
Esse cheiro no ar
É mesmo covarde,
Faz o que faz
E não move aragens.