quinta-feira, 24 de maio de 2018

 O que estou precisando
Não é controvérsia às teorias.
O que estou precisando
Não é esgueirar-se pelas pontas.
O que estou precisando
Não é medir as diferenças...
Mas, concluir das aparências
O miolo podre de vencido.
O que estou precisando
É um canto feito em coral
Com as meninas da escola
E os idosos do sarau
Em confraria de respostas
À lida sem reciclagens.
O que estou precisando
É de ouvir, mais que falar,
Sobre as necessidades
Desse meu povo sofrido
Em meio às malandragens...
O que estou precisando
Não é ser partidário
De um lado politizado,
Mas que unamo-nos à este
Partido, partido em vários.
O que estou precisando
É da ética abandonada
Como filho bastardo
Das promessas esquecidas
Nesse patamar de vários
Contendores dessa lida.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva.
Incógnita (Portugal)
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Perse e Clube de Autores

domingo, 20 de maio de 2018


Da perspicácia


A chuva é perspicaz,
Mesmo depois que cai,
Corre atrás...
Atravessa bueiros,
Leva paredes, pega gente,
Lava, mói, põe na rua
Sem casa ou guarda-chuva,
Sem futuro leva a moldura
Desse passado sem mobília,
Sem o rádio que avisa
Da meteorologia...
Que a chuva vinha, vinha,
Desabando as paredes,
A fé, futuro e fibra.
A chuva é perspicaz,
Por isso capaz.







Todos os dias passados


Todos os dias assisto
Homem do lambe-lambe
Expondo sua persistência
Na praça da catedral...
Último retrato fotografado
Nesta caixa de saudades...
Penso no romantismo
Daquele tempo,
Que imaginava esquecido,
Quando passa ao largo
Com sua matraca
O beijuzeiro que tanto
Assanhava a gula.
Para quebrar a nostalgia
Um casal de noivos
Procura pelo lambe-lambe
Para registrar preto e branco
Este singular momento:
Uma foto recrudescendo
O tempo.



Eles sabem o caminho de casa


Esses meninos, vendendo-se
Em doces, mutretas e fósforos,
Nessa esquina desnutrida,
Sabem seu destino de hoje,
Amanhã inexiste na desesperança.
O sol se pondo marcará seu tempo
Nesse fim de vida em fim de tarde,
Que se mostra lúcido de sua pseudoliberdade de não ir nem vir
De lugar algum para lugar nenhum.
Esses meninos sendo vendidos,
Deixam-se vagar até mais tarde,
Sabem o caminho sem casa.
Se os deixar decidir por si o melhor para suas fomes aduaneiras
Serão uma vez ainda Senhores
De suas verdades...








Do momento mudo em mim
Tem alguém que fala
Da sorte de ter-me quieto
Se minha mente se cala...

Deste momento, mudo,
A voz se desprende e estala
No híbrido entendimento
Do silêncio lívido

Deste momento mudo
Saber o quanto exala
A flor plantada ontem,

Hoje flor murchada
Entre o susto emudecido
E a voz que se cala









Sempre comigo
Esta ideia tosca
De ter me perdido
Deserticamente
Entre as fases ricas
E os pensamentos.
Sempre comigo
A sensação de vivido
Cada momento
Desacontecido
No silêncio.
Sempre contigo
O poder da mente
De juntar laços
E elementos...











Ter a visão alerta ao ego
A distar-se de um cego
A mudez que te fala










Não há de haver
Esperança na sopa rala
Vertida da concha
Por mera caridade



quinta-feira, 17 de maio de 2018




O tempo do corpo
Medido em anos, meses,
Horas, minutos,
Tão finito a cada segundo
Improrrogável...
O tempo do meu corpo,
O tempo do teu corpo,
Os nós desenlaçáveis
Que nos unem...
Tempo corpo, tempo riso,
À espera pela dor
Já seria dolorido,
A nosso juízo.

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A poesia é feita de sinceridades.
A palavra, dita ou escrita,
Pode descrever esta verdade.







A alma é posta à prova,
A calma é que reage.
Não se iluda, querida,
A palavra é a realidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2018


Desconsolos


Aquela face
Que tive, um dia,
Arvorada de sonhos
E fantasias,
Transforma-se nessa face
Lívida que o tempo esculpiu
Nas fases de um tempo
Levado pelo tempo...
Fica o fogo extinto,
Como dizia Bandeira,
Nesta cinza fria...
São passados sentimentos,
Fases que viram a
Cada página relida...
Quem sabe inda possa
Reviver a velha alegria
Desse tempo sarcástico,
Cansado de ter sido
Alegre um dia...











Paiol de ideias


Aqui guardo meus pensares,
Paiol de ideias e saudades...
Armazeno passados rentáveis
E imprestáveis para consumo
Como fora as tardes
Deixadas ferver em fogo lento...
Como fora os dias congelados
Em climas desérticos...
Mas nada, nada pode ausentar-se
Desse paiol, sem culpa.
Paiol de arrependimentos,
Que não matam,
Mas isolam o senso dessas horas
Guardadas como alimento
Dessa alma que se emola ao tempo...
Paiol das culpas e desculpas...
Deixadas mofar ao relento.













O tempo em obras


Estamos pintando o muro
Ao cheiro velhaco dessa tinta,
Onde chapisca a calçada
E odora o ar, antes puro,
Onde a calçada divisa a grama
E lhe faz escura...
Estamos borrando o dia,
Executando formigueiros
Onde a calçada termina;
A aranha moradora fugiu antes...
Fico aqui, apenas eu,
A sentir a cabeça doendo,
O cachorro cruzou a rua
Sentindo o indesejável...
Mas, enfim, fica bonito
Este traço novo na velha corrente,
Há um tempo deixada para trás
Pelo navio viageiro e sua âncora,
Ainda servindo de estanca
Aos predadores...
Espero que amanhã renasça
A flor surgida no cimento...
Ceifada há pouco.










Tu,
Que bem sabes
A direção dos ares
Diga-me
A sorte que tenho agora
De não despertar a raiva,
Senão o carinho
Pela tal esperança,
Aquela de em criança
Pelo aniversário...
A de agora pela liberdade
De crê-lo vero.





















Este corpo,
Que se desfaz
         Em fezes
Na aspereza
Deste dia que
         Deves-te...








Na tua forma
De medir o amor
Quanto te amaste?













Limites


“Cada um com seu cada qual”,
Dizia-se há um tempo...
Calvários ditam seus limites,
A dor tem espaço finito,
Um se acha normal
Quando esquisito,
Outro se sabe esquisito
Normalmente...
Falo comigo e me redarguo
Sobre as condições de,
Quando pego, me calar
Assustado por me ter dito
O sincero pensar ralo...




















HÁ, SIM, DIFERENÇA ENTRE
O BARATO E A BARATA,
O CIGARRO E A CIGARRA,
ESTA IDEOLOGIA DE GÊNEROS...








Neste balaio guardo
Lembranças e deslembranças,
Talvez um dia separe o joio
E prepare o trigo brunido...














Mens sana


Caminhamos...
E o escuro das passadas
Funde-se ao pó da estrada.
Aonde queremos chegar,
Senão ao cansaço final?
Todas as letras são vitais
No bloco amassado de uso,
Tanto quanto a respiração
Sussurrada ao mouco ouvido
Distraído com o canto longe
De outro pássaro errante...
Caminhemos pelo trecho
Onde as águas mourejam
E o verde caminhe junto...
Talvez cheguemos ao fim
De um caminho florido,
Feito das pedras ao fundo.








                     O dia depois da catástrofe
Não faz muito tempo atrás, algumas pessoas andaram com uma bandeira em fogo ilusório de liberdade, outras pessoas andaram por aí com fachos desse fogo, de verdade sobre as cinzas das cinzas e poeira de sua marcha e eles não acreditavam em fazer um barulho...  Então eles calmamente se mudaram para os grandes edifícios abandonados e deles tomaram posse, como seus, e quando as coisas ficaram difíceis eles fizeram uma oração e se ajoelharam ante a força dos cassetetes, um pequeno braço balançando e um pouco de balança não foi nada de bom, eles mantiveram um direito de dizer a que vinham, mas todos saíram e fizeram um pouco menos exigência e muito mais paciência, mal acomodados em suas barracas, recebendo sua ração diária de “cala boca” Um pouco menos de levantar e um pouco menos de pensar muito mais e muito mais de esperar... Mas continuam votando esperando muito, menos esperando mais demonstrando menos perolado, mais brigando e muito mais andando até que finalmente ninguém fala mais, apenas sussurram seu medo e sua desistência frente ao difícil convencimento de que a promessa passe o dia da eleição e se solidifique na resolução das necessidades deles, deles e deles... Como  final desta história não é claro para ver que eles finalmente alcançaram, a igualdade? Agora, como você e eu, eles podem se levantar fortes e livres e dizer sim senhor e claro senhor e qualquer coisa que você disser, desde que nos dê o teto prometido, o direito do suor vencido pelo descanso do dia esperado

domingo, 29 de abril de 2018


Anuário para minhas dores


Sentindo-me
Portador das encomendas
Respiro esse ar
Das flores olorizadas,
Esse som das larvas
Mastigando folhas,
Esse farfalhar
Feito ao vento…

Não sou eu
Que vivo esses momentos,
Esses instantes
É que dividem comigo
Seus valores,
A água a mourejar da pedra
A pedra a brilhar da água,
Borboletas
Passeando sobre flores
Emancipadas…


Não sou eu
Que vivo
O que o som delata,
Somos parceiros,
Sim, dessa efeméride,
Embora me ache
Senhor das intempéries
Apenas capto
Essa vida em redor de mim
A me mostrar
A independência
De seus atos,



Assisto
A nascimentos
E funerais da espécie
Que viceja à próxima
Primavera suas cores,
Enquanto assisto
Esse féretro acinzentado
De meus valores…
Absorto ao dado fato
De que apenas eu
Não voltarei renovado
Com as águas
Do próximo agosto.

quinta-feira, 26 de abril de 2018


Charneira


O espelho que ora me vê
Não me enxerga como eu.
Sei que esta dor não se mostra,
Que este labor se esconde
Nas barbas por fazer…
Charneira me mostra em rugas
Que não me sei,
Este cansaço de olheira
Faz-se inimigo da vida inteira
Que me põe a derreter.




















Constatação


A poesia que se inicia
Se irradia…










Ao pensar-me fazedor
De discorrer meu dia,
Não me descrevo nele,
Delineio em si o dia…

















Se a paz desse momento
Não lhe faz sentido
Socorra-te desse estorvo
Sem pensar-me aguerrido.
Que a paz esteja convosco
Se a guerra em “vosco” estiver.








Quantas palavras cabem
Num pensamento?

















Esta chuva, da grossa,
Grassa sobre roseiras
E despetala os pés
Dos meninos na poça.









Ideia mole em cabeça dura
Tanto bate até que burla…


















Cachola funciona direito
Se o explicar não for estreito…












Às vezes no silêncio madrugueiro
O murmúrio das folhas multiplica
E assusta o solitário solteiro
Em sua cama de espinhos…












Voláteis


As agruras de meus avós,
Suas fomes de sonhos,
Suas mãos calejadas
Fazerem-se lágrimas…
O amargor das viagens,
Dos plantios às colheitas,
Alheias enquanto meeiras,
Fazem suas defensas
Ante as tardes e luas cheias…
As tristezas… As tristezas…
Trazem para minha alma
A politizada aspereza
Que se levanta ao gemido
E me põe em guerra
Sem outro sentido
Senão o de querer
E não ter ido…
















Eu me faço descobridor
Dos ares das marés…
Me faço provedor de minha fé,
Corcoveando um cavalo baio
Que se empina ao meu lado…
De dentro.
Eu me faço outra vez moleque
E me dou o direito de quebrar
Vidraças e conceitos velhos…
Me faço alto e bom som
Perscrutador das melodias
Que ouço a partir do vento…
Por isso posso me fazer estátua
Se me convier calar palavras
E olvidar o que me tenho:
A paz que ganhei com o tempo
De procurar momentos…
















A palavra, na poesia,
É uma paulada… Amena.
Sinta-se ofendido ou elogiado
Pela poesia em que a palavra
Centra-se mais no que foi ouvido
Do que foi falado…



























Conheço
As coisas que o são,
Por si…
Como a fruteira,
Vazia…
A janela batendo
O vento…
O cheiro da fruta
Que não há,
Que a gulodice
Inventou…
Apenas o vento bate
Agora a janela
E eu.
















O reflexo


A lua, na água,
É a mesma lua,
Molhada.











Estou ficando paranoico
Ou teremos eleições
Sem candidatos
Que o valha?












Nascituro


Quando me vi
Desvestido de minha mãe
Percebi no choro
A alegria de estar vivo. 










Poema com endereço


A comemorar este momento
Nas lágrimas que vêm agora,
De emoção ou contentamento,
Outras por teres ido embora…








Conceda-me esta contradança?


Dancemos, menina,
Que o tempo é curto
Para lamentações…
Apenas guardemos o que valha a pena
Neste lixo todo de badulaques dos sonhos.
A valsa continua sendo a voz
A impor o ritmo de vidas…
Tempo vai, tempo vem,
Mudam-se os versos, as cadências
Neste ritmo forçado de nhem nhem nhem
Mas o tempo ritmado é sempre o mesmo,
Cadenciado em sentimento…
Conceda-me esta contradança
E vamos bailar os dias vindos…
















Leminski estava certo:
Não vem um dia atrás do outro,
Quando o amanhã estiver vindo
O hoje estará indo…









A gente diz que está tudo bem
Mas não está tudo bem,
Senão a alegria da despedida
Não doeria tanto…













Tem momento em que o momento esquenta
No momento em que o momento esfria…
Assim o tempo conta o tempo de poesia.












Por mais que eu caiba em mim
Sempre extravaso assim…










Metrô


Quando pego o trem
Para a Pinacoteca
A viagem parece curta
Mas alonga-se
Na poeticidade
Que me põe a viajar
Nos longes da arte…