terça-feira, 5 de janeiro de 2016



A música que me embala


A música que me embala
Numa manhã desairosa
Talvez não seja a brasa
Deixada acender ontem...

Embala minhas palavras,
Meus sonhos viajados
Nela que traz à memória
O olvido de que já eras...

A música que me embala
São lembranças atinadas
À esperança dos hojes...

A mesma que inda cala
A prostração ao desalojo
À música que me embala.













Os sonhos que sonho
São sonhos velados,
Viagens aos longes
Donde despregados...

Entre o fico esperado
Chegar do horizonte,
Um sol das manhãs,
Um tempo flagrante...

Uma voz estreada
No meio a estrada
Virada em curvas

O sonho desvelado
Às ideias maduras
De não ter passados.













Vendo, ao largo,
Um pequeno barco...
Esvaecendo longe,
Que inveja me dá...

Um barco... Sonho...
Levado mar adentro
Para ventos fortes
Dos lados de lá...

Seria muito tentar?
Seria pouco desistir,
Que tudo é viável

Sonhado e arguido
Fazer o feito amuado
E seguir adiante...

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016



Viajar é preciso...


É preciso conhecer,
Na prática,
O que a teoria fantasia,
Saber o tempero
De cada manipulação...
Que a ida tem mais sentido
Que a estagnação.
Que o ver o mar, as cidades,
A gente vivente nelas,
É imprescindível para
A verdadeira aquarela.
Viajar ao menos para
Desopilar o fígado
Dessa mesmice que é
Viver cativo.


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domingo, 3 de janeiro de 2016



Gênios


Todos eles estão mortos,
Mas em suas obras vive
A parte forte dessa raça,
Não da baioneta, do cinzel,

Arma ferina se impondo
Esculpindo entendimento
Que se impõe ao tempo,
Mesmo mortos os autores

Vivem longe suas obras...
Longe daqueles guerreiros
Que depuseram suas armas.

Todos eles estão mortos,
Mas os recordo vivos
Esquecidos pelo defendido...


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sábado, 2 de janeiro de 2016



                                                                Perspectivas
Na primeira década do século produziu-se mais conteúdo de fatos novos que em toda história, segundo o Whatsapp. Quando se analisa os dados históricos conclui-se que tivemos progresso. Embora aparentemente sente-se um retrocesso, o mundo melhorou sua condição de habitabilidade humana. Segundo dados oficiais a média de mortes por guerras foi um quarto das mortes ocorridas na segunda metade do século passado, apesar da guerra civil na Síria ter alterado a passividade  com más notícias, as vítimas de atentados são 2 % das mortes violentas, tendo uma diminuição de 3% segundo dados da OMS, o planeta está mais habitável. Na saúde o número de mortes de pessoas até 5 anos de idade caiu pela metade. Epidemias são controladas com mais presteza. O acesso à informação ajuda a salvar vidas. Os fatos mudam com muita rapidez nas previsões temporais, mas os fatos mais perenes, às vezes, passam despercebidos por toda vida. Muitos desses fatos são cacos da história, para amortecer o impacto tem de esperar seu finalmente. Por outro lado, política e financeiramente nós brasileiros retrocedemos na última década, pagamos por erros históricos que nos colocam como país do futuro indefinidamente... Mas temos que reconstruir o otimismo com os recursos que essa terra nos oferece. Somos um povo forte, embora vivendo um sistema injusto. Entremos no novo ano com a vitalidade de desbravadores frente aos descalabros dos choques entre os poderes. Enquanto o executivo promete, e não cumpre, austeridade, o legislativo discute picuinhas sobre usurpação do erário, deixando engavetados os verdadeiros projetos para sair da crise que nos impuseram. O judiciário, na figura do Supremo Tribunal, envergonha-nos pela sua passividade ante tais descalabros anuindo e avalizando atos escusos, inviabilizando qualquer corrente política a conseguir confiabilidade para consertar o estrago. Os ardis em favor dessas manobras estão sendo percebido, o que é benigno para o futuro ano eleitoral, dificultando o ilusionismo frente à massa, provedora do bem ou do mal, elegendo seus pares segundo cada lábia. Num tempo premente de aliviar o peso tributário, a burocracia gastadora ameaça aumentar tal custo, sufocando o cidadão que produz, sendo empresa ou não. É auspicioso que em todo nosso continente o caudilhismo esteja perdendo espaço, com essa geração crítica e racional que pode influenciar positivamente na mudança para melhor.
Da primeira década do século aprendamos a ser otimistas, virando o olhar para as ações positivas mundo afora, como internamente o processo de aprisionamento de usurpadores do erário, que estão sentindo na pele o peso da justiça, e nos fazendo sentir na alma o alívio da juridicidade aplicada ao mais aquinhoado. Lembrando a resposta do Ministro da Islândia, perguntado se lá não tinha corrupto: “Tem, mas estão presos”. É disso que precisamos, a luz no fim do túnel, escuro no momento, mas auspicio

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O lucro do vidraceiro

“O vidro que se quebra
É o lucro do vidraceiro”.
Seguindo a lógica desse dito
Encontramos motivos
Para todas as tragédias:
Tudo que se quebra
Será lucro para um outro...
Se não pela tristeza
O que seria da funerária,
Que não torce pela cura.
A bacia meada de água
Da chuva é uma reserva
Para o sertanejo que apara
A seca há milênios...
O pedinte faminto na calçada
É o consolo para o boia fria.
Peões vagando pela poeira
Levam bois castrados
Para um matadouro
E se safam de serem eles
Castrados para o matadouro...
Seguindo lógicas de viver,
O lucro do vidraceiro está
No suspiro do moribundo.

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