quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016



Nos anais da história

As pessoas se amam e se devoram...
Os antigos diziam que o mundo
Terminaria em fogo, mas
Continuaram a construir em palha.
Nos anais da história
Arderam praças, catapultas, ultimatos,
E continuam catapultando ameaças,
Agora atômicas, sempre inviáveis.
Um dia se historiará que pessoas
Se amaram e se devoraram
Como os antigos profetizaram,
Terminando em fogo, e continuarão
A construir de palha seus esforços...
Nanocientificantes,
Ainda inviáveis.

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Editoras: Saraiva,Perse, Incógnita Portugal
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016



Porquês
Hoje somos a verdade,
Descritívelmente Intragável,
Como todas as necessidades
Deglutidas sem mastigo,

Para ver se me apercebo
Das continuidades de mim...
Plenas ou desconstruídas
Num possível desconvívio.

Indontem fomos audazes
Com as transas da tarde
A descrever o não vivido,
Um tanto choro entre risos...

Que é feito dos momentos?
Apenas memória rediviva
De um escrevinhador
Querendo o impossível?

Se não doesse viver-me
Não seria vida a que vivo
Plena de planos iludidos
Num possível convívio.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016



Sete décadas


Há quantos elos
A viagem começou?
Aquele trem noturno
Mostrando a paisagem
Diluída em névoas...
As luzes ofuscadas ao longe,
As vitrines de tudo,
Revivido agora...
Há quantos anos luz
A vida começou
Nesses azuis de um tempo
Levado não ser,
A cada vez passados?
A mesma estrela brilhante
Chega agora, ao amanhecer,
Que o tempo esmorece...
Preconizando a falha tectônica
Nos nervos e aparas do tempo
Relembrados na efeméride
De sete decaídas...
Estranhamente deixadas levar
Por essa névoa pendular
De ideias idas...

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Moto continuo
Será preciso sete palmos
Para soterrar valores...
Com corpos calcinados,
Vidas ceifadas...
Será preciso bem mais:
Uma saraivada de razões
Para não errar.
Será preciso olvidar
As ofertas de penalizar
Pessoas pelo credo, pela cor,
Pela indulgência de depois...
Seria preciso recomeçar
Quando a pessoa renasce
E anda, e desanda...
Seria preciso algo 
Que não temos como alcançar
Entre as verdades, as mentiras,
As promessas, as premissas...
Quantos processamentos
Para cumprir um mandamento
E ensaiar novas vidas...
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