quarta-feira, 18 de maio de 2016

Por aqui passou a realidade


Por aqui passou a realidade,
Deixou a marca de seus passos.
Quem pode separar os sonhos
Que possa ou não efetivar-se?
Por aqui passaram as verdades
E suaram as frontes só por passar,
O que ficou de fato, o que sonhara,
Tendo por tarefa maior se realizar.
Por aqui passou a desesperança
E fixou-se em se desesperar,
O que fora sonho, em criança,
E que ainda se pudesse sonhar...
Por aqui passara a dor cicatrizada
Pelo posterior fazer-se alcançar,
Que sonho, em sendo factível,
Espera paciencioso seu chegar.
Que ainda há tempo para o viço
Nesse tempo rude de outonar...
Pois, nos filhos, netos, sobrinhos,
Há que se moldar o sonho findo,
Deixado de ser feito por tardar.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Tem horas


Tem uma hora
Em que te dão à vida,
Tem outra hora
Em que te tiram a vida.
Separe bem acontecidos
Pra menos sofrer
Quando esquecido
Entre as velhas
Coisas de seu vivido
Entre os lixos
Podres do varrido.
Que, nesta hora,
Se te vale a pena,
Somam-se àquelas
 Que jogas fora
Entre os lixos
Que tivestes em tempos
E a desmemoria
Desses relentos...








Descoberta


Descobri que
A casa paterna não é lugar,
Um endereço,
Mas uma resposta ao fim
Voltando ao começo...
Aprendi que
A voz dos pais ressoa
Por onde quer que esteja,
Em sendo outra pessoa...
Decidi que
Vou aos quatro cantos
E talvez por encanto
Volte à casa de meus pais,
À sombra de sua força
À que não tenho mais.












Seguindo em frente


Seguindo
Sem saber pra onde...
A onda assim vai levando
A opinião dividida
Entre o real da partida
E a partida do real...
Assim vivida ou sonhada,
Sem caminho, sem parada,
Entre feras e coisa e tal...
Seguindo
Essa fumaça intervinda
Das paróquias desnutridas,
Querendo ser mais normal,
Caminhos desencontrados
Entre futuro e passados
Deixando ver cicatrizes
Que sangram ainda o final.
Seguindo
Só para ir seguindo
O que foi definitivo:
Voltar a ser anormal
Entre o sonho e o real,
Desvivido.




Das minhas almas


Uma das minhas almas
Espanta-se com o acúmulo
Do prometido às outras...
Da eternidade abanam lenços
Para quem ficou por último.
Estranho que se cumprimentem,
De há pouco divergiam
Dos caminhos a seguir.

Uma de minhas almas levanta-se
Enquanto as outras cedem,
Desfalecem ante dificuldades
E preme à espera pelos passos
Lentos com que procuro chegar.
Uma de minhas almas sabe
O que as outras têm de pagar...
Antes de acomodar-se.










Temperanças


O que o tempo nos traz
Não se comparte...
Apenas se vive
Parte a parte.
O que o tempo nos leva
Não se comparte...
Apenas se guarda
Na saudade.
Que o tempo é parceiro,
Não antagônico,
Se a guerra é a paz
Que o tempo nos traz.















Quando os tempos tiverem ido

Quando todas as noites
Tiverem ido...
As luas cheias desistido,
Os pardais calarem sua pressa
E a pressa perder o sentido
As eras voltarão...
Seremos mais velhos que os pardais
E as luas, e as paixões...
Seremos a volta ao fim do princípio,
A mão de adeus sem lencinhos,
Barcos partindo em chegadas,
Avoadas de folhas outonais
Pelos campos forrados de frutos
Deixados de ser colhidos...
Quando as noites
Não voltarem mais
O vento dobrar eucaliptos,
A grama dançar reverenciadas,
Então, sim, seremos imortais.
Que o tempo ido não valerá mais
Que a passarada cuidando ninhos
E o corte dos troncos vencidos...
Quando as noites voltarem atrás
E os tempos tiverem ido...
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sábado, 14 de maio de 2016

Motivamentos

Gastei a meninice
Carregando sonhos,
Cansei as eternices
Abraçando sonhos.
Pensei todas as formas
De sonhar acordado
Entre as turbulências
Dos dias sem passado.
Plantei rosas em versos,
Colhi-as no reverso
Das situações amargas...
Cantei o choro doce
Das lágrimas abençoadas
Pela alegria inata.
Gastei a maturice
Entre águas e mágoas
Arrendadas serem
Horas felicitadas...
Sonhei impossíveis,
Segundo minha mãe,
Ao termo de dizer-me
Para acordar meu senso,
Porque estou poeta
Em tempo inteiro
E ganho melhor em tempo
Que em dinheiro.

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quinta-feira, 12 de maio de 2016



É bom estar só


Não é bom estar só...
Até as nuvens têm companheiras,
Até as ilhas, as fossas, as gruas,
Apenas a lua parece sempre só,
Mas assistida por todos...
Não é bom estar mal acompanhado,
Mesmo as nuvens e as ilhas
Preferem estar sós que mal
Acompanhadas....
Fico bem, sem ouvir besteiras,
Comigo comungando o silêncio,
Aqui me entendo, me satisfaço,
Me abraço, me aborreço,
Sem precisar alguém fazê-lo,
Embora seja bom alguém sorrindo,
Ou chorando, ao lado,
Reclamando atenção,
Reclamando silêncio...
Mas é bom estar só
Um instante entre o alvorecer
E a luz que surge disso,
Só.


Nos longes


Um cavalo,
Um animal correndo,
Um cenário se abrindo em leques
De palmeiras balançando,
Nos longes...
Um asno
Sob mantos se descobrindo.
Um tiro desobedecendo a lei:
O respeito.
De longe
A visão confunde
O que seria verdade profunda,
O animal correndo não é um alvo,
O unicórnio, o homem, a sombra
Trotando desesperado, fugindo
Ao tiro dado.
De longe o homem cavalo
É o culpado.









Íntima questão


O banheiro da casa
Tem um buraco
Onde antes tinha
Um bidê,
Retirado
Para dar espaço...
Ao buraco!
Todos os dias o homem
Tampa a visão do buraco
Com seus chinelos...
Até esquecer que
No piso do banheiro
Tem um buraco,
Um buraco,
Um buraco
Maior que sua percepção
De quanto fere
Um buraco
A noção de perfeição
Num piso esmaltado,
Liso, enfático.






Tarde


A mesma força
A se chamar de fé...
Por outros, de coragem,
Alguns, por sina,
A mesma força
Que ilumina
A visão de ir em frente
Mesmo que barrado
Pela fraqueza
Que doutrina...
A mesma força,
Dita de verdade,
Pode seja a mentira
Vespertina.

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

ESTAMOS ULTIMANDO O IMPEDIMENTO DO PRESIDENTE DE NOSSO PAÍS, VIA CONGRESSO NACIONAL, PELA OITAVA VEZ, SEGUNDO CONSTA. TODAS AS VEZES FORAM TRAUMÁTICAS EM 1964 OS MILITARES ASSUMIRAM O PODER CONTRA UM GOLPE COMUNISTA. SENDO TAXADA ATÉ HOJE DE GOLPE A REVOLUÇÃO, VOTADA PELO CONGRESSO DA ÉPOCA. HOJE A MESMA LADAINHA DE GOLPE VEM SENDO PROPAGADA PELA EQUIPE QUE PROVAVELMENTE DEIXA O TRONO DAQUI A ALGUMAS HORAS, VOTADO PELO CONGRESSO ATUAL. PARA SEREM VISTOS COMO VÍTIMAS E TEREM UM TEMPO PARA RESPIRAR A VOLTA À CARGA. INDEPENDENTE DE SER CONTRA OU A FAVOR, A VERDADE É QUE OS 10 MILHÕES DE BRASILEIROS DESEMPREGADOS, AS MILHARES DE EMPRESAS FALIDAS, O SISTEMA DE GOVERNAR A SAÚDE, AS RELAÇÕES EXTERNAS, A SEGURANÇA, ESTÃO MUITO AQUÉM DA NECESSIDADE DA SÉTIMA POTÊNCIA MUNDIAL, COMBALIDA PELA IRRESPONSABILIDADE DE NOSSOS GOVERNANTES HÁ TEMPOS, NÃO APENAS OS DE AGORA, LEVA O PAÍS A ESSES LIMITES, OITO VEZES IMPEDINDO O PRESIDENTE DE CONTINUAR, E, PIOR, SEM PERSPECTIVA DE QUE O PRÓXIMO SEJA MELHOR. NÃO MERECEMOS ISTO!

terça-feira, 10 de maio de 2016

BE-Á-BÁ
Nosso bê-á-bá é saber ler,
Nas entrelinhas,
O pensamento alheio,
Alheiamente deixado sorver
Em lágrima ou sorriso...
Ou sarcasmo.
É poder ensinar como fazer isso
De ouvir e entender...
E compreender,
A resposta que não veio,
Que calou-se,
Por não saber como,
Ou não querer o porquê.
Nosso bê-á-bá é poder aprender
Com o ensinamento que nos vem
De parte da sinceridade
De quem não sabe.
Difícil missão poder soletrar
Isso de querer saber ensinar
O apreendido de outrem...
Sem sofrer.
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domingo, 8 de maio de 2016

Partimentos
Dedico à todas as mães
Transformar as coisas duras
Em carinho... Arte de mães...
Assim seremos filhos dessas mães
Medindo por espelho sua força,
A força de chorar sorrindo
Frente a cada filho partidor...
Que perda é o contínuo reviver
As horas de amamentar e de sofrer
As idas pela porta que se fecha
À volta desse ser viajador,
Que parte e se reparte
Em tantas outras repartidas
No correr dos dias de ausência...
E, quando volta, às vezes se ausenta
Na presença aberta à própria porta,
Aquela que fechou-se quando
Esse mesmo filho foi embora...
E volta, mas não volta por completo,
Volta sonhando novos voos
Além do pensamento por inteiro,
O de sondar a dor do partimento
Desde o seu partir primeiro.
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Em dissonância com as alegrias desse dia,
Peço desculpas, mas preciso lembrar certos
Filhos de seu esquecimento às genitoras:
Flores para as marias...
Flores para as marias...
As cansadas do dia a ida,
As feridas por suas crias,
As deixadas na periferia...
Flores para as marias...
As guerreiras desabrigadas,
As matronas esfomeadas
Das vidas desvividas...
Flores para essas marias...
Que passam noites em claro,
Na espera da inúbil volta
Dos que só tiveram idas,
Das que dormem agarradas
Às velhas fotografias...
Das que comem os restos
De suas comidas...
Marias de todas as raças,
Marias de todas as vidas,
Das abastadas à fodidas.
Flores para as marias...
Nas campas desassistidas
Pelos que deram à vida!
Cadinhos
Cadinhos de quase nadas...
A mãe deixada prostrar-se em vida,
E na campa inominada, esquecida....
Conheço suas crias, mal criadas?
Mal vividas... Cadinhos de nadas,
Por terem sido geradas e
Dela terem se partido...
O escuro, o fluxo das mágoas,
Como a seiva do pinheiro velho
Posta a queimar à distância...
-Frutos de candeeiros! Sabem bem
Onde a fala os alcança... Cadinhos
Destilados desse ferro que ferroa,
Sucos malhados por primeiro...
Embebidos em suas emanações
Ao seu pendor por dinheiros...
Sei bem que sabem vocês...
A quem aponto o dedo.
Sois vós que vejo em primeiro
Saudando a mãe, em pecado!
Deixando a mãe doutro lado
Do muro estreso em erros