quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Enquantos
Enquanto o tempo não vem
Trazer novidades de ontem
Seremos ásperos ou doces
Com nossos desencantos...
Enquanto a rua floresce
Sua próxima primavera
Seremos outonais também...
Entre mazelas e calmarias
Seremos nós mesmos
Como naquele primeiro dia.
Enquanto o céu se estrela,
O lago reflete as cores,
A estrada leva às distâncias
E traz notícia da saudade
Enquanto choras a partida
Nas gares entrevidas...
A paz de tão sonhada
Será conseguida,
Ou esquecida.
sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva.
Incógnita (Portugal)
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O grande armário


O tempo,
Esse grande armário,
Com tantos cabides
Quanto necessário...
Onde hoje pendurei
Meu terno do casamento
Ao lado da roupa de trabalho,
Mas guardo nesse armário
Os sonhos armazenados...
Alguns não pude guardar,
Por muito suados...
Um dia, de feito em luto,
Despendurarei aquele terno
Pra um novo compromisso
Inadiável.


sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Do mesmo modo


Aquele que sofre o frio
E aquele que bem se cobre,
Ambos feitos do mesmo barro,
Do mesmo instinto homem

Sonhos não conhecem limites,
Apenas passam pelos morros
E pelos vales e mares adiante,
Sem pressa, insistentemente...

Eivados dessa esperança fixa
De ir adiante quebrando seixos
Curtindo ventos contrários...

Aquele que sofre desse frio
E aquele que bem se cobriu,
Ambos igualmente otários.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace

sábado, 27 de agosto de 2016


Aos 4uarentões

A vida nunca foi fácil,
Nem te foi prometido isso,
A vida vem aos percalços
Nessa estrada sem asfalto
Ou algo que se faça liso.
A vida te surpreende?
É mais ou menos por isso
Que te cansa o passo dado,
Menos que o arrependido.
A vida te contrapõe?
Ou tu é que obtempera?
Se a mão de ida não acertas,
Já erras na prima seta...
As regras são assim mesmo
No trânsito em que viajas,
Sinais fechados aos tantos,
Os verdes são ocasionais...
Não acelere demais
Que a multa que a vida traz
Não tem boleto com prazo,
É sempre à vista que cobra
Tuas cagadas na obra.
Se o ir não está tão fácil
A volta doutros quarenta
Tem mais pedra,
Menos asfalto. 


sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Confabulário


Nesta fusão
Entre idas e vindas,
As idas,
Que era para serem
Apenas idas,
Se tornam vindas:
O senhor perecendo
Na realidade,
O real se tornando
Sonho na saudade...
Neste intenso
Confabulário
Apenas cicatrizes
Lembram tombos
O resto lembra
Saudade.


sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Metforminas


Quem sabe o tempo
Seja o linimento...
Metforminas e aspirinas
Não dão valia ao sofrimento
Que o tempo cura...
Que o tempo assopra
E cicatriza.
Quem sabe seja esse tempo
A cura da maior ferida,
Aquela advinda
Dos maus momentos...
Quem sabe seja disso,
Do sempre preciso
Discernimento.









Minha próxima lágrima


Minha próxima lágrima
Que seja por uma vida
Que chega...
Minha próxima lágrima
Que seja por uma vida
Que parte...
Que a alegria a traga
Entre sorrisos largos...
Ou a tristeza marcada
Pelo senso do nada...
Minha próxima lágrima
Contida por um tempo
Seja enfim deflagrada
Por alguém precioso
Entre os que passaram
E o que se passa...

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores






O tono complexo


O tono desse tempo
Se completa quando o azul
De céu verdadeiro
Se faz vermelho na pintura,
Como o pincelaste...
Assim na letra da poesia,
Roxo, verde, branco acre...
O azul que seria o céu
Que o poeta viu verdadeiro
Não distingue suas cores,
Apenas o reflexo
Desse amor em corte celeste
E suas sombras
No dia feito choro
Ou no outro dia feito alegria...
O dia a dia sempre o mesmo
Entre a beleza da tristeza
E o contraste com a alegria
Efêmera a cada mesa.




Vento sul


O vento não pende
Todos os pinheiros
De uma só ventada...
Quanta força tem esse sopro
Que me acossa e impõe
Que me resguarde
Sem poder combate-lo,
Vergando pelo pinheiral
E como esses, resistindo
Outra vez agarrado à raiz
De meu solo insídio...












Brenhas


Fechar os olhos
Instintivamente
Pra não ver o pássaro
Ser abatido,
Calar aboca,
Fechar o bico,
Silenciar o grito ante
O absurdo desmedido
Do resto da verdade
Que não foi dito.













É lá que moro


É lá que moro,
Entre os ventos da Mantiqueira,
Acima da Serra do Cadeado
E do Ivaí...
Sobre a plataforma inteira
De canelas e cafezais...
Hoje o frio se espalha
Nos meus ossos,
Que estão mais frágeis,
Empalha os gestos lerdos
Frente aos ventos da Mantiqueira
E o fatigado do antigamente
Ágil batedor
De picadas...









Credos


Há os que creem na salvação,
Há os que creem no inferno,
Mas o inferno humano
É mesmo aqui,
Como creem os ateus,
No seu ateísmo religioso
Como salvação ao sarcasmo
Fanatizado frente ao inexorável
Preito de se ver salvo
Sem medição.
















O senhor atrás da cortina
Se distancia... São galhos caídos
São minhas vidas no vendaval
Deixando fluir haveres...







Como somos tão iguais
Em nossas desigualdades...
Vejo bem de perto isso
Nessa espera pela terapia.








Inexorabilidade


A casa,
Em que moramos por tempo,
Está enrugando...
As paredes nuas de pintura
Descascando...
As venezianas quebradas,
Partidas de envelhecimento...
Perdendo seu brilho de antes,
Deixando ver suas falhas,
Seus desalentos...
Como envelheceu
A casa em que moramos...
A casa em que moramos
É nosso espelho
Inexorável.









Término



Invejo as asas
Soltas das aves...
Imagino que elas
Invejem minhas
Pernas firmes

Nessa laje...

domingo, 21 de agosto de 2016

Acometidos
Do livro Primários

Por esta vida que nasce
Ou aquela vida que morre,
Oremos...
Mesmo o ateu tem seus medos,
Que é o clero de todos,
O medo faz a oração
E faz o acometimento
Porque se divide ao tempo
Sem procrastinação...
Pensemos nossos degredos...
Perdemos nossos segredos...
Que a importância, enfim,
Não é o começo ou o meio,
Mas como será o fim.


sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores