PARA LEMBRAR A MIM MEUS 77 ANOS:
domingo, 5 de março de 2023
domingo, 29 de janeiro de 2023
Manumite
Vejo enflorar
Paisagens
inexistentes,
Flores pretas,
folhas secas,
Olhares
desconfiados
Da mentira de sol
posto
Em plena
desalegria...
Feito de tantas
surpresas
Da noite tornando
dia
Entre ventos
sobpostos
Em clima de
alforria...
Episódio
A fragilidade
deste tempo
Entre paz e
destempero
Assusta o
decorrente
Do que o fez
primeiro...
Talvez a estreita
linha
Entre o feito e o
desfeito
Traga a incerteza
minha
Sobre o dedo
apontando
E outro retrocesso
Para um tempo ermo
De evento incerto
Abancado
Hoje
Estarei voltando
Ao meu lar,
Meu tempo de
aventuras,
Meu sonho de
futuros...
Hoje
A vida corre lenta
A passos
inaudíveis
A certa distância
Pelos que
passaram...
Hoje
A paz de aceitar
Meus erros e
desacertos
Me faz bem...
O amanhã está
próximo
Posso tocar com os
dedos
A solução de
ocorrências,
Ontem impossíveis
De sorver.
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
Constatação:
Para envelhecer
Tem de merecer...
O tempo fica
bisbilhotando
Cada aceno despercebido
Pelo outro sentido...
Prioridades
As almas não
contam tempo,
Contam eventos...
O chão é grama
A paz é cama,
A voz é lama...
Eu estava
sonhando, acordado,
A consciência
fez-me notar
O quanto estava
errado...
Um homem
caminhando
Chega ao seu
destino
Mas não o
reconhece
Conforme
prometido...
No sombreado da
tarde
As cores mudam,
O claro do meio do
dia
Esparva-se em
agonia...
Estava ocupado com
tarefas,
Agora me ocupo
Em respirar
profundo
Ideias de um novo
mundo...
Abancado
Hoje
Estarei voltando
Ao meu lar,
Meu tempo de
aventuras,
Meu sonho de
futuros...
Hoje
A vida corre lenta
A passos
inaudíveis
A certa distância
Pelos que
passaram...
Hoje
A paz de aceitar
Meus erros e
desacertos
Me faz bem...
Hoje
O amanhã está
próximo
Posso tocar com os
dedos
A solução de
ocorrências,
Ontem impossíveis
De sorver.
Licitações
Por dois gramas
Corta-se a
grama...
Casos e
causos
Pela minha percepção, sem floreios, casos são
verídicos recontados, causos são inventados não vividos. Então, indo ao ponto,
dedico esses casuísmos aos meus contemporâneos, que persistem em avançar
idades, em series de memoriais inibidos antes, soltados agora, nessas sete
décadas de desacertos, remendados de casos, vividos, a causos, desmembrados de
sonhos, deixados na gaveta das intenções vencidas pelo cansaço de ilusões
desiludidas ao tempo requentado de fornos apagados de ontens... Dedicando aos
setentões palavras de convívios, inda relembrados com sorrisos, ou sarcásticos
risos anedóticos sobre tropeções assumidos, ou não, daqueles dias
convulsionados pelas urgências das fomes diversas, aventureiras e prolixas de
retalhos de fatos e boatos. Segundo estatística, todos os dias se locupletam
por guerras, pessoais ou impessoais, dos avizinhados ou do outro lado do mundo,
que nos afetam o juízo dos porquês de suas existências. Nascidos nos pós
segunda grande guerra, nós, desta geração, amiúde nos perguntamos: O que tenho
com isso? Ao mesmo tempo somos parte das escaramuças, e nos distanciamos da responsabilidade,
pela distância dos fatos, mesmo aos afustuados na vizinhança de nossas vidas,
corridas e escorridas nos suores da sobrevivência de cada um. Guardamos nossos
casos e nossos causos nesta memória de distâncias, nessa idade em que não
guardamos ocorridos de hoje, por desnecessários ao convencimento de reais
motivos. De fatos e não fatos vivemos a pensar nessas décadas de arranhões na
pele e na alma, de nossas cicatrizes, teimosamente reincidentes na
inconsciência de os ter vividos. Na idade em que estamos as importâncias de
ontem se desimporta por agora, nesta ebulição de motivos os relacionados a
comorbidade se tornam essenciais, ante outras dores ou prazeres possíveis.
Caros, é hora de curtir a ausência de barulhentas companhias, que preferem sons
pesados, modos deseducados, atos impensados... terão uma vida toda para se
reconhecerem tão chatos quanto nós, em nossa idade, no momento de atingirem
este ponto sem retorno, a saber o que inda não sabem, a perceber a chatice da
chamada “melhor idade”, esta última idade na contagem regressiva dos tempos
vividos e sem retorno ao esquecido de viver, quando se verão, como nós hoje,
afunilando segundos, mancando passos e ideias,
Pedros, Zés
Maria, Marias José, Dalcis, Vilsons, e tantos outros teimosos em continuar
respirando, mesmo que doa, consolemo-nos porque a outra opção seria ter deixado
de respirar antes de envelhecidos, mas igualmente envilecidos, rsrs...