segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sua atenção, meninos


Meninos, prestem atenção:
-Os cabelos brancos, as mãos
Veiadas, a mesma aliança
Há anos nessa esquerda anelada
São as provas de amor
Que precisavam?
São a prova de vida
Que pedem nas agências.
São levadas a sério em paradas
Em que nem tinham nascido
E já eram o sonho das madrugadas…
Meninos, esta jornada inclui
Vossos choros, vossos risos…
Até os desaforos de vossa raiva.
Então, quando vos perguntam os pais
Por onde andaram… Com quem…
É por amor que o fazem assim,
Preocupados convosco,
Não por mim.


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016







Cheganças



Chegamos tranquilos
Até aqui…
Setenta anos
Levados a sério
E mais de quarenta
Cumprindo, além do altar,
O prometido aos filhos
Vindos dessa união,
Beneplácito de quem
Se dispôs a criar raízes,
Sem estagnação.












Ao tardar desse sorriso


Onde estaremos a salvo
Se escarniço por toda
Manhã pensando nisso
De sorver as dores e os risos
E de tudo criar felicidade?
Ouço o canto dos pássaros,
Que pode ser alegre ou triste,
Mas talvez seja bem isso
Que falta ao humano,
Humanizar-se no canto
De chorar do que não se disse.
Depois, no tardar desse sorriso
Saber que o sol ao pôr-se
Não entristece, mas faz-se
Escura toda beleza
Que permanece.






Às coisas e às pessoas


Às coisas e às pessoas
Dedico meu tempo elusivo
Promovendo as alegrias
Para as suas caras tristes
De suas vivências como
A xícara da louça desencabada,
E da pessoa que treme as mãos
Empunhando a xícara,
Ambos de tanto uso…
Somos todos a sobra por princípio,
Das louças e dos ofícios…
A ambos dedico tempo e dinheiro,
Nem sempre nessa ordem,
Para vê-los sorrir suas banguelas
E bordas descoradas
De tanto uso… Tanto uso…
Por quase nadas.






Extenues


Este ser vivo extenua
Se olhar para o passado,
Entrega nos olhares fundos
Sua vontade de terminar.
Estão aqui, moribundos,
Parceiros de outra hora,
Mas não se sentem assim,
Talvez o clima explique
Tanto desânimo.
Talvez, apenas talvez,
Devamos visualizar o amanhã
Como próximo passo,
Já que não encontramos
No momento hoje
Resposta para esse ser vivo,
Extenuado…







Tálamo


Do vivido passa por mim
Uma estranha lembrança
De passos dados atoa…
Vez ou outra alguém,
Trazido à mão de outro
Faz-me lembrar coisas…
Fatos, boatos de outrem.
Do vivido a mim cabe
Ordenar essas mentiras
E poder transforma-las,
Sorrir ao mal entendido,
Zelar pelo não vivido,
Pegar na mão de vinda
E aceitar a ajuda oferta.
Do vivido em mim passo
A percorrer esses fatos
De uma vez tê-los feito
Abertos em meu leito.








As coisas mudam de lugar.
As situações, as alucinações…
Com diferença nas aparências.
De cabelos brancos
E olhos cansados, semicerrados,
Ouvindo o som novo,
Batuques sem retoques
Desse tempo de pressas
E lampejos…
Apenas pernas correndo
Sem sentido, mostrando-se
Até a divisa de coxas e virilhas…
As aparências medem as pessoas,
Os mais vividos não se importam,
Sentem não os ter vivido








Alguma coisa não está certa


Alguma coisa não está certa
Quando, carcomidos pelo tempo,
Nós, humanos, nos comparamos
À preguiça do gato, que sobrevive
A tudo melhor que nós
Desde sua primeira mamada
À última procura…
Alguma coisa não está certa
Quando, a certa altura,
Nos satisfazemos com dinheiros
Para amenizar as dores.
Alguma coisa não está certa
Quando nos colocamos
Nessas cadeiras de balanço
E nos entregamos ao ócio tardio
Desse corpo cansado de procurar
A preguiça do gato.
Alguma coisa não está certa
Quando sofremos pelos mortos
E não nos condoemos ver matança
Pelo mundo longe dos olhos…
E nos fazemos inocentes
sendo parte desse genocídio.

O homem na sua cela


Neste infindo poder
Da fala
O homem se prende
E se isola
Na condição ignara
De ser homem!

Sua cela não tem grades,
Tem silêncios,
Janelas fechadas
Ao entendimento.
Frestas inacessíveis,
Pois que não as alcança
Em suas formas
De esperança.
A cela que prende este homem
É sua ignorância.


Por causa de uns versos


Por causa de uns versos
Criou-se o erário…
A pena pela morte,
A franca revolução,
A máxima da linguagem
Inventada em esporão.
Por causa de uns versos
Danou-se à vida o homem
Perdido na paixão
Da caça ao outro bicho…
Por causa de uns versos
Destronou-se o rei mantido
À força dos escravos.
Desses livros malversados
O tempo alvorou-se
Sem sentido ao ontem
O hoje descomedido,
Futuro de uma pá de cal
Sobre as amarguras dadas
Aos primeiros gritos,
Por causa desses versos
Cometidos.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O tempo válido

Os passos atravessam
O tempo válido,
Correm pela rua à procura
Da secura dos andares,
Dos falares, da licenciatura…
O tempo válido
Percorre nossos anos,
Concilia certezas e enganos,
Fantasia-se de cristo,
Redentora a palavra,
Volta a sacrificar o aprendizado.
O nascituro não se sabe,
Mas aprende toda arte
De chegar ao tempo válido,
Depois, suando em bica, se desfaz
Na chamada última idade,
Quando ao tempo já não tem valia
A vontade de viver outra vez
O deixado por fazer.
É já por feito desde o leito
Desse tempo invalidado,
Que se perpetua e grava-se
No fim das idades,
Calado.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016


Um homem vivido


Um homem vivido,
Com as mãos grossas
E olhos mirando horizontes,
As pernas descansando
Sobre o pufe…
Um homem vivido,
Fugindo das discussões vazias,
O sexo dos anjos,
A próxima eleição,
A promessa dos elegidos…
Um homem vivido,
Sabedor das derrotas,
Acertador das causas perdidas
Entre coisas e fossas,
E, vez ou outra
Com algum sentido.
Este homem, maduro bastante
Para não discutir gostos
Nem desgostos, apenas ouvindo
De hinos a hip-hop, blues
Desses meninos, que ainda sonham
Ser homens.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

autor do silêncio


Não consegui imaginar
Meu pai sendo menino…
O homem que passa
Também já foi menino?

Não o menino que vive
Nesses corpos cansados
Arrastando suas idades
Pela meia idade inteira

Caçadores de catracas
A caçar espaços entre
As negociatas de viver

Vê-los com outros olhos
Com olhar no passado
Que vem a acontecer.









Dizem que quando
As pessoas vão embora
Fazem falta…
O contrário
Também é verdade,
Quando as pessoas
Ficam muito perto
Também fazem falta















Dez minutos


Queria dormir
Dez minutos a mais…
Dormi dez dias.
Enquanto isso
Cai um avião no Equador,
Morre o Poeta Gullar…
Cassam o senador…
Agora caçam o senador.
A vida não parou
A esperar eu acordar.
Meninos
Se tornam homens
Portando metralhadoras,
Presos,
Voltam a ser meninos!
Dormirei mais dez anos
Antes de querer acordar.
Dormir, dê minutos,
Bom pra sonhar.


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                                                                NATAL



                      É longa a história da trajetória humana de Jesus, mas o que fica para os cristãos é seu ensino moral, diante desse código divino todos os cultos se unem, difícil é seguir à risca o código de proceder na vida privada ou na vida pública, princípio básico das relações sociais que se fundam em tal rigorosa visão. Todos admiram a sublimidade deste homem, poucos porém conseguem segui-Lo, e menos ainda O conhecem a fundo para poder dizer-se íntimos Dele. Coloco-me entre esses ignaros e pretensiosamente me atrevo a erguer um brinde ao Aniversariante, neste dia, convidando os convivas para ler o sermão da montanha, belíssima página, aula de vida e convivência que fará pensar melhor o verdadeiro natal, sem alegorias.    
                     Se vamos comemorar o aniversário de alguém, é de se esperar que tenhamos alguma intimidade com o aniversariante. Sem querer ensinar, mas querendo aprender, disserto sobre alguns tópicos da vida de Jesus: Dos evangelhos sinóticos(São Mateus, São Marcos, São Lucas)diferencia-se o de São João, com outra visão sobre a “boa nova”(evangelho, em grego)no sentido da vinda de Cristo.Quando João Batista batizava os que vinham à procura de tal graça, no Rio Jordão, fazia crer aos judeus que ele seria o Messias, porém quando batizou Jesus, mostrou-o à multidão e disse:-Eis o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.Ungindo Jesus como o Messias.
                      Na época de seu nascimento, vieram do oriente médio três magos à procura do recém-nascido rei dos judeus, seguindo a estrela guia. Ouvindo tal notícia Herodes reuniu os sacerdotes para saber onde nasceria tal rei, chamou então os magos para dizer-lhes que também queria reverencia-lo, os magos o informariam, assim que soubessem, e continuaram seguindo a estrela até que ela parou sobre o lugar onde se achava o menino, prostrando-se o adoraram e o presentearam com ouro, mirra e incenso, retornando para o oriente por outro caminho, desviando para não encontrarem Herodes, que, vendo-se enganado, mandou matar todos os meninos com menos de dois anos, do reino. Seguindo a voz do anjo, José levou o menino e sua mãe para o Egito, fugindo à fúria de Herodes, onde viveu até a morte deste, voltando então para fixar-se na Galiléia, na cidade de Nazaré, cumprindo-se a profecia de que Ele seria chamado Nazareno, donde iniciou a pregação de sua fé, fazendo dos pescadores do lago pescadores de homens, segundo suas palavras, seus apóstolos.

                       Na MAGNA CARTA , o sermão da montanha, Jesus pregou os princípios que devem guiar os que festejam hoje seu aniversário, cristãos de todo mundo, que se unem em oração, brindando assim ao verdadeiro sentido de natal.