sexta-feira, 19 de maio de 2017

As vozes gritantes

Todas as vozes são gritantes!
A espera é itinerante
E teima em sair pela tangente…
Como saber no antes
No candidato premente?
Pela fala?
Pela voz que estala o látego?
Pela janela que propõe a luz?
Como, se no momento seguinte
Todos usam a mesma máscara?
Como se rissem de nós,
Não para nós, esses comparsas?
Atrás de cada santo um diabo?
Quando o santo Santo nos
Nos será apresentado?
Atrás de cada terno e gravata
Esperamos um HOMEM
Com suas forças alegadas…
Guardada em nós está essa força!
É preciso que a acordemos

No antes, não no depois!

quinta-feira, 18 de maio de 2017




























Revoos

O tempo passa,
Revoando nossas tristezas…
Um pé de alecrim secando
Testemunha que o tempo
Assim o seja. Sou feliz?
Estou tristemente feliz
Com essas incertezas…
De todos ver passar
Por mesma janela de horas,
Coberta de acontecências
Como heras em muros,
Que cavam suas raízes
Em nossas fendas.
O tempo sarça?
Não na memória
De lembranças.
Redundância?
Mas também insistem
Em existir deslembranças…
D’onde nomes íntimos
Não estão mais aqui,
Neste arrazoado feito
Poema inacabado,

Com antecedências.

terça-feira, 16 de maio de 2017



NO CONVÍVIO DOS ANOS
PERCEBO QUE POR VEZES
NÃO SOMOS NADA, POR VEZES
SOMOS O DOBRO, NESTA ESFERA GIRATÓRIA EM QUE NOS
ALBERGAMOS TODOS…









AOS QUE SE ATREVEM NÃO LEMBRAR:
MESMO POR POUCO TEMPO NA VIDA
TODOS TIVEMOS UM PAI!





O sentir das horas


Já é hora de partir de novo?
Deixar por fina a luta,
O pão, o circo, o medo?!
Assim fazem as andorinhas,
Quando empenadas as crias,
E colhidos os arrozais
Desse clima que se esfria,
Lembram sempre que há
Um verão surgindo n’outro lugar…
É hora de partir de novo,
Quebrem-se as lembranças,
Firam-se as campas…
Saber que o ponto de partida
É só um ponto d’onde partir,
É hora de mirar o ponto onde
Pegar de novo pão, novo circo,
Sem medo desse escuro
Que possa ser a manhã à frente.
Deixar as crias empenadas…
As dores esquecidas…
Para novo lugar na vida!



Lembrete


É quase sempre um engano
Acreditar no serumano…









Veem   de ver. Vêm de vir. Vão de ir.
Feliz cumple que la pase lindo
y tenga un dia maravilloso






Por querências


Por amor ao próximo.
Por amor ao dinheiro.
Por amor à aventura.
Por amor ao mal-amado…
Tudo pode, por amor,
Menos dizer a verdade
Quando fere a mentira
Que se fez empática?
Por amor à verdade
Cala-se a voz irritante
Ou não será perdoada.












Calados


Os pássaros voam
Para árvores distantes
De nós homens…
Os ratos se escondem
Em buracos vazantes,
Por nós, homens…
Os leões se refugiam
Nas estepes longe…
Os jacarés fogem
Nas águas límpidas,
As cobras se alertam,
Por nós, homens,
Presentes armados
Entre as espécies…
Maus, predadores,
Vorazes… Não há
Animal mais temido
Por nós, homens,
Que os próprios
Homens!



Ausências


O peixe nada
Em mar aberto
E não volta…
A tartaruga
Se espraia
E não volta…
O calango
Se esperta,
E não volta…
Até a árvore,
Se pudesse,
Mudaria
Ao incêndio,
Sem volta…









Script


A vida é
O que dela se faz ser…
O poema da vida
Se fez por merecer?
Será suficiente
Amar e ser amado?
Será possível amar
E ser odiado?
Nem sempre se encontra
A cena definitiva
Da palavra vida.
Por isso repete-se cada frase,
Por isso repete-se cada fase,
Por isso esperte-se cada vida.
O que estava desenhado
Com pontos X a serem vistos
E respeitados neste palco,
Nem sempre ocorrem assim,
Com a facilidade de viajar,
Sem ter viajado…



Discurso?


Tem de se estar vivo
Para dizer o discurso
A ser ouvido…
Tem de se estar vivo
Para ouvir o discurso
Fazer sentido…
Tem de se estar vivo
Ou a verdade será mudada
Para outra situação,
Irrelevante?
Tem de se estar vivo
Para as relevâncias
Se tornarem relevantes…
Na verdade
Tem de se estar vivo
Para poder mentir
Essa verdade que te habita,
Em sendo dita e redita
A cada pista.




Palco


Meditemos…
A frase inicial
É o de menos.
A partir daí
Tudo será ouvido,
Ou não…
Que o ouvido
Da mente
Sempre
Tem razão.













Sementeamento


O poema na mente
Tenta encontrar saída
Premente…
Vaza pelos poros,
Extravasa pela fronte
Suada de verbetes…
O pensar o poema
Filma cada época,
Cada vertente,
Cada coturno
Do soldado ferido,
Cada depressão
Do empreendedor
Falido…
Esse é o poema,
Lavrado, urdido,
Semente…






Silêncio por segundos


Feche os olhos,
Quer ver o mundo real?
A mente enxerga melhor
De olhos fechados…
O som dessas vozes
Será mais ouvido…
Os passos da verdade,
Os suspiros da mentira,
A idade da falsa loura,
Do rapagão de sessenta…
Feche os olhos
E o tempo será mais lento
Entre segundos
De silêncio.









Canção do mais querer


Todos
Os silêncios serão ouvidos
A partir desse princípio
De esquecer ruídos indesejáveis,
Até mesmo o zumbido no ouvido.
Ficarão do lado de fora
As reclamações do horário, da fome,
Dos cilindros rangentes da tarde…
Do lado de dentro apenas o sussurro
Do sono aliviando a apreensão
Pelo próximo passo…
Todos os silêncios…
Todos.











sábado, 13 de maio de 2017

O que dizem


Dizem que há
Uma arte para juventude,
Diferenciada da arte
Tradicional…
Mas,
Qual a tradição da arte?
A arte pela arte…
Pintura, gesso, encarte,
Poesia, trecho, em carta?
Quem sabe o antigo seja
A arte inda benfazeja…
O hip hop, entende?
Que faz do tema a gente.
Dizem que há vida
No que ficou da lida
De mius anos…
Seria inda profano?
Da pedra lascada
À vida lascada
A arte é a sobra
Das sacadas…









Espelhamentos


Espelham mostram a vida
Como ela é…
Sem frescura ou pintura,
Dedos ou dedais,
Só passado, nem futuro…
O espelho espelha o riso da hora,
Quando o riso vai-se embora
Mostra o ranço, a carranca
Que é a realidade
Depois da foto…




















Uivos


O vento uiva e me assusta,
À luz de fora descubro
Que não existem fantasmas
Nas folhas farfalhando
Ou vampiros atrás dos gritos,
São apenas gatos
Com seus olhos brilhantes
Desafiando o equilíbrio
Dos medos normais
Desses instantes…




















Falas tortas


Falar torto é coisa de bandido.
A solidão deve doer igual
A hérnia de disco…
Mas sobrevivemos a isso também,
De repente uma voz sai do silêncio
E conclama para ir à luta!
Todos passam a se mover, atônitos,
Mergulhando num sonho vermelho
Dessa sociedade menos odienta,
Menos doída que isso,
Que identificam com hérnia
A solidão da ideia fixa
No falar torto desse bandido
Intuído em nós.



















Quando em criança
Tinha medo de chinelos…
Cresci-me
Tenho respeito
Pelo mesmo chinelo
De meus medos…



























Sou uma pessoa
Margeando águas,
Mesmo que não o saiba…










Essa é minha arte:
Respirar morrendo…


















Quando já não há mais queixas
A dedilhar a mente
A gente deixa de escrever,
Como diz Torquato Neto?
Mas continuo queixoso
Das inutilidades,
Como diz Manoel de Barros…
Tecendo palavras inutilizáveis,
Por isso inda se faz preciso
Junta-las, talvez em versos,
Talvez no que me cala
Cada momento.


















Cosidos


O mal cosido macacão
Se esgarça nesses ids
Feitos de horas amargas…
Tempos rudes, alguma sarça,
Um tanto sol um tanto mágoa
Nesse tormento sob chassis,
Ante roncos desmesurados
E chaves sem boca.
O uso de tudo se faz
Ferrugem e pó e laços
Que se desfazem num mal cosido
Acertado entre partes,
Sem apartes…



















CONVIDO-OS A VISITAR
MINHA PÁGINA COM VÍDEOS
E TEXTOS.       Mais o blog
Sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores

MÃE
É AQUELA QUE BATE…
MAS PERDOA.







CAMINHA
MINHA GENTE,

CALMINHA…
Mãe


A tua ausência presencia em mim
O que me falta da vida por viver
Como as fortes raízes hereditárias
Da planta mãe, solo que a acolheu.

Que mais posso querer da tua terra,
A que me fez firmar sobre a minha
Os pés segurando esse corpo frágil
E a alegria que não poderia prever?

Se não era aos tempos imemoriais?
Da infância? Não, Mãe, mesmo não
Sendo eternos mas infinitamente...

A paz de teu sermão, a benção aqui,
Enquanto irmãos, conquanto breves,
No sempre ao abraço que nos leve.

CONVIDO-OS A VISITAR
MINHA PÁGINA COM VÍDEOS

E TEXTOS.       Mais o blog
Sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dia das mães


No sentido da vida, embora esquecida,
Desde o caule da flor ao úbere da corça,
Do abraço da enseada revolvendo mata.
 No difícil dar-se à luz a luz embevecida.

É tudo mãe, desde a prenhe folhagem
A expor a ramagem, na mulher da vida,
Na galinha choca...Na complexa aragem
Da lagarta, da rã, da leoa, da vaca…

Da macieira florada, da dulcíssima jaca,
O sentido da vida no caule da flor amada
 No úbere da corça, abraço da enseada.

Na vida que nos vem da vida que se foi,
Na mãe natureza e sua graça, na paz
Daquela a quem à vida nos foi dada.



CONVIDO-OS A VISITAR
MINHA PÁGINA COM VÍDEOS

E TEXTOS.       Mais o blog
Sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores