quarta-feira, 8 de maio de 2013

especo blog A mente com poucas verdades Expõe-se a mentir mais e mais Para sustentar-se crédula.
Cor da hora blog A mágica cor da hora A cada virada do dia Espanta-me o senso, Sopra-me o vento Acordado evento Nas minhas sanções Irrelevantes de que Possa raiar o dia. Que hora seria esta Que queima a face Com sua verdade, Açoitando mentiras?
sinais blog No teatro desta rua Assisto a pantomima, Uns vão sem destino, Apressadamente, Outros se divertem de ver A pressa dos estressados. Faço parte dessa turba Entre os se vão e Os que ficam... Acordo em mim o viajor e saio Deste corpo apático Conservando minhas asas sonhos De tantos outros anunciados. Por que a rua não tem passado? Apenas eu vivi a pena de penar Suores e dores entre risos? Mecenas de alguns ficados Encontro-me no último Temerário, Que me acena.
vazios Vejo-me Em todos que respiram Mas não vou comigo A sonhar estradas... Apenas me preocupo Com a sombra do passado, Que me visita e insulta, Acha-me gordo e apático. Mas não sou assim, Sou antes estorvado Líbero entornado Desse líquido.
instante A cada instante Que me passam os passos que não dei E ainda ensaio, Talvez seja a planura de meus atos, Que ferem a sombra Que me põe ilhado. Em minha própria terra degredado. Quanto faz falta Aquele moço que fui, tímido, Mas ao mesmo tempo atirado, A correr as vias que desconhecia, Tendo por bússola uma idéia fixa De arrombar costumes e Apagar os passos Para retornar ao leito de nascido E ser recebido Com o mesmo abraço, Se não de amigo, Da mãe tranqüila, Que repousa em outro céu desmembrado. Leio em sua campa a alegria De me ver retornado. Estou aqui a pedir a bênção E o perdão por ter me afastado. Estou aqui, sem aquela sombra. Somos nós dois agora Do mesmo lado.
prometidos É possível otimizar um poema? Pergunto-me frente à poesia que surge Nas palavras com que me descrevo Na dor e no prazer, Na vitória e na derrota, Na saúde e na doença. Somos agora uma só pessoa, Abençoados pela palavra. O que somos se a palavra não obedece A ordem natural das situações Adversas? Perverso como um contendor O poema descreve a poesia como idéia, Posta em prática ela dissimula E pasma, admite-se fera. Assim somos, bem casados, mal casados, Eu a palavra e a poesia Que pousa nela, desavisada De sorrir sempre.
E agora? Vide a fragilidade da pessoa Frente ao momento de estar Morrendo... Seu temperamento Talvez seja de aceite, Mas é Sua vida que se esvai, porra! Quem pode mais nessa hora? Ela olha para o vazio pensando O quanto tinha bebido demais, O quanto tinha sorrido de menos... Mas agora é o de menos pensar... Apenas a espera é angustiosa Porque demora mais o tempo De espera real, pelo resultado, É muito mais lenta que a outra Daqueles exames costumeiros Ou de antes, na corriqueira, Pelo pudim no banho Maria De um fogão a lenha seca... Quem já viveu isto sabe bem O que é esperar... Esperar... Quando esperar é rotineiro Não demora, Mas quando A dúvida é se vive ou morre... A pessoa não quer esperar, Definha-se nessa de espera, Vivenciando a dor que espera, Pensa findar tudo ali mesmo, Mas em pé ao lado seu amor Implora atenção para a colher De sopa o remédio para a dor... De que vale o remédio à dor Se dor é efeito e não causa? E a fragilidade via crescendo E tomando conta da pessoa Estendida na cama branca, Rodeada de favores e louvor A pessoa não entende como A vida pode ser tão frágil... Resvalando na penúria de Morrer-se antes. E agora?!