quarta-feira, 13 de julho de 2016

Todos os desafios
Todos os dias me desafio
A construir versos concisos
Para um poema melhor...
Como todos nós.
Quando construía casas
Fiz bem isso de uma vez conseguir
Melhorar o mal serviço.
Agora o desafio surreal
É construir com palavras simples
Um intrínseco complexo,
Explicado nisso.
Talvez uma hora dessas consiga
Levantar essa palavra e sentir
Que fiz o meu melhor,
Mesmo que ínfimo.
Aí calarei de novo
E talvez volte a construir
Paredes materializadas sólidas,
Outra vez do nada apruma,
Como se fazem palavras
Em bolhas de espuma.
sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva.
Incógnita (Portugal)
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores

domingo, 10 de julho de 2016

Finitudes
Despedida do amigo Jair Carnicelli

Hoje,
Em que a vista já não alcança,
O dia amanhece antes,
A fome se aprimora em sopas
E vitórias...  Hoje...
Que a paz esteja conosco
Nessas horas silenciosas...
Que é preciso entender o silêncio
Das esperas... Hoje...
Que as vidas se reencontram aqui,
Sob um mesmo teto,
Frente à mesma fruteira... Hoje...
O canto é mais sincero,
O pássaro volta na tarde
Com seus apetrechos esperados,
Os pintainhos piam... Hoje...
Que o tempo já não espera
A solidão das horas,
Nesses minutos preciosos
De demora... Hoje...
Tens de ir embora?

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Viés


Aquela pessoa perdeu o medo,
Isso é um perigo quando
Atravessar as pantanosas
Ruas movimentadas, ou desérticas,
For seu degredo.
Por que a pessoa perde o medo,
Se a outra está a amedrontar-se?
E atravessa essa linha imaginária
Do perigo iminente?
Como é essa sobrevida dela
Entre arames e serpentes?
A idade da pessoa a faz madura
Ou dura mais que a verdade
De seus temores?
O que obtém do mal essa pessoa,
Além de também se tornar mau?
Qual o objeto de seu delírio
Se já não teme infortúnios
E semeia verdades?
Aquela pessoa perdeu seu medo
Entre as agruras engendradas puras
Nessa pessoa, antes pura,
Que se fez dura, à idade.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores




Eu vim buscar-te...
Buscar-te em mim,
Como se fosse fácil
Achar-te assim...







Neste momento,
Em que anuviam as promessas,
As ações proibidas
Parecem ser as certas.












Agora que as paredes
Estão azuis
Pretendo viajar minhas dores
E deixa-las, uma a uma,
Cada uma em um lugar,
Para que, na volta,
Não peçam socorro
À minha alegria de as deixar
Ao ter ido...
Os idos e as idas
Fazem parte dessa lida,
Parte essencial
Para que as paredes
Se tornem azuis
Em algum momento
De vivido ser-me.






quarta-feira, 6 de julho de 2016

Janelas fechadas
Seres recalcados...
Eles existem!
Na pele de quem rouba
E de quem é roubado.

A violência leva à violência...
Quase apanho quando o digo,
Repetindo o mesmo susto
A cada “menino” preso
Ao crime desorganizado...
Quando vejo esses achaques
De pequenos vergados
Penso em quem amestra
E quem é amestrado...

Seres desumanizados...
Eles existem!
Na pele de quem farda
E de quem é fardado.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores





Talvez eu seja
Menos do que sou...
Porque ao ser
Deixo de sorver
O que seria
Se não fosse.







Numerologia


O que dizer
Do número certo?
O que daria certo
Emendado o verbo?


Discípulos de Diógenes

Talvez estejamos diogenesando,
Procurando com lanterna, alguém
Cuja honestidade seja transparente...
Dizendo bom dia às estátuas
Representativas desses procurados...
Vivendo das sobras deles, como o cão,
Servindo a duas bandeiras opostas
Sob o mesmo distrato da verdade...
Talvez estejamos procurando
Algo que a lanterna apague.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores








Caminhos


Caminhos pedregosos
Esses da felicidade...
Sangram pés e a alma
Nas contrações do ego...

Singram águas amargas
Na passagem das pontes
Entre o nada e o tudo,
À reversão dos males...

São confessos pecados
Assumidos veros ralos
Na contação dos fatos.

São caminhos vários,
Variados, lesados de
Culpadores passados.






Efemeridades

Sabemos que a felicidade
É sentimento de instante,
Não é alegre nem triste,
É distante...








Toda pessoa, em certa idade,
Vive saudade ou remorso,
Mas não consegue
Viver o esquecimento.











Ouço tiros na madrugada,
Alguns pensam rojões,
Mas não,
São tiros distantes,
Na madrugada...
O silêncio dessa hora
É propício a esse disparate
De tiros a esmo,
De cabeças drogadas.














Desistidos


Todos estão desistindo?
Encontro amigos de infância,
Como estão velhos...
Surdos,
Alquebrados,
Penando dores,
Pensando-as únicas,
Deixando ver suas perebas
Na expressão de cansaço,
Que se desfazem em lágrimas,
De dor ou alegria,
Em suas calças soltas,
Em suas bocas tortas,
Em suas pernas frouxas...
É pena vê-los desistindo,
Desistindo... Desistindo...
A cada passo trôpego.


terça-feira, 5 de julho de 2016

Noticiários


A mente procura consolo
Nas coisas fúteis... (inofensivas)
Ocasião em que os jornais televisivos
Dão um tempo para a propaganda,
Itens sem uso algum,
Mas que são mostrados como imprescindíveis,
Naquele varal de tranqueiras
Sobre a pia da cozinha
Ou dos banheiros,
Tão descartáveis quanto
As notícias de todas mortes, (ofensivas)
Usadas como atrativos válidos
Pelas trambiqueiras...
Passando pela (in)tolerância dos atos,
Dos soldados aos estupradores,
Que as telas mostram como novidade









As coisas e as pessoas,
Que se tornam coisas
Na visão de apartes,
São os astros dessa pantomima
De recados...
Os soldados e os bandidos
Mastigam maçãs enquanto atiram
Nos que passam...
Os soldados e os bandidos
Escrevem bilhetes amorosos
Enquanto lavam o resquício
Do sangue, com sangue dos coitados
Que inadvertidamente
Passam à sua frente
No exaspero do momento.
E ferem a alma com tal desplante
Que nem se sabem chegados
Ou retirantes...







A mão sobre o peito
Está perto do coração...
O mais que foi possível.





Se não sei porque
A pessoa fez o que fez,
Porque vou dizer que
Não deveria ter feito?





.

Sob a visão opaca
O mundo ri do nada,
Alguém tropeça e cai,
Alguém se esguicha água.





Lambrequins

O romantismo externado
Em madeira de lei protegendo
Do destempero do tempo,
Pondo o passado presente...

Janelas fechadas

Seres recalcados...
Eles existem!
Na pele de quem rouba
E de quem é roubado.

A violência leva à violência...
Quase apanho quando o digo,
Repetindo o mesmo susto
A cada “menino” preso
Ao crime desorganizado...
Quando vejo esses achaques
De pequenos vergados
Penso em quem amestra
E quem é amestrado...

Seres desumanizados...
Eles existem!
Na pele de quem farda
E de quem é fardado.





Talvez eu seja
Menos do que sou...
Porque ao ser
Deixo de sorver
O que seria
Se não fosse.







Numerologia


O que dizer
Do número certo?
O que daria certo
Emendado o verbo?


Discípulos de Diógenes

Talvez estejamos diogenesando,
Procurando com lanterna, alguém
Cuja honestidade seja transparente...
Dizendo bom dia às estátuas
Representativas desses procurados...
Vivendo das sobras deles, como o cão,
Servindo a duas bandeiras opostas
Sob o mesmo distrato da verdade...
Talvez estejamos procurando
Algo que a lanterna apague.


sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

domingo, 3 de julho de 2016


Todos os adeuses
Todos os adeuses
São doloridos...
Mesmo que seja
Um até logo...
Ou o último voo
Para longe...
Todos os adeuses
Ferem a alma,
Descompassada
Pelo momento crucial
De ter-se perdido
Olhares afetuosos,
Os gestos sensuais
Em ofertas de maneios
E sexos ativos acariciados...
Todos os adeuses
São alentes vistos
Pelo retrovisor
Das idas.

sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva. 
Incógnita (Portugal) 
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Por esse mundo afora...
Desabafo: à anarquia dos mandatários
Há uma extrema diversidade
Entre os fatos difíceis
E os fáceis...
Por esse mundo em que
Os contendores nascem do nada,
Um pra ser escudo,
Outro, espada.
Por esse mundo
Há um cão bravo, que muito late,
Mas o que mais assusta
É o mudo espionar da cobra.
Por esse mundo há o conto
E o fato,
Onde a mente se desenrola
Em atos,
E o mentiroso a granjear vitórias
Como fora o forte
Em sendo o fraco.
sergiodonadio.blogspot.com
Editoras: Scortecci, Saraiva.
Incógnita (Portugal)
Amazon Kindle, Creatspace
Perse e Clube de Autores