quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

 

Feito o sol da tarde

 

Feito o sol desta tarde

Aprecio seu levante

Entre sombras e ventos

Indo embora...

Talvez à noite perceba

Quão escuro pode ser

O daqui a pouco...

Assim como o amanhã

Visto do hoje findo,

Como pode ser escuro

Este labirinto...

Feito o sol da tarde

Sinto-me apagando

As verdades deste dia

Todo feito de mentiras...

 

 

 

 

 

 

Descoberta/invasão?

 

Viajando marcam presença

Nos rincões d’outros viajados...

Quem pode gavar-se da terra

Por onde seus passos aram?

 

Quem vai banhar-se na água

Que escorre de seu costado

E saber-se dono dessa terra

Se anteverem-se regrados?

 

Por aqui passavam pessoas

E todos cá se apoderaram

Por poderes imemorados

 

Dessas ceveiras pendentes

Dos braços desabraçados

Dos pendões amendoados ...

 

 

 

 Baú de esperas


A cada vez que dói
Aumentam os linimentos...
E o tempo se esvai
Pela janela de si...
Feito de extremos
O sentido se supera
Querendo impor-se
À vontade do corpo,
De dormir...
Dormir eternamente...
A cada vez que dói
Prepara-se uma dúvida
Como será amanhã cedo.
Das tormentas a pior
É a interna, pois é a realidade,
E dói!
Que vem e vai, sem motivo
Plausível para doer mais...
Na espera o que sobra?
Um baú cheinho de esperas,
Do nunca mais.

sergiodonadio



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

 

  

Qualquer fato efêmero

Se faz eterno no enlevado

Expresso na memória

 

 

 

 

 

Voos

 

As asas são palavras

Soltas que soltam

Pensamentos presos

 Formando poesia...

 

 

 

 

 

 

segundas feiras

 

o clima de segunda feira

não é o mesmo do domingo

como não foi do sábado...

tudo a seu tempo,

da fanfarra à ressaca.

o clima desta segunda feira

é a espera da terceira feira

sem alardes, sem tristeza...

apenas a sobriedade sábia

de viver o hoje no clima

que se faz presente na fila

de valores de agora, depois

de cada festejado domingo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

todos os corpos

perecem um dia,

todas as almas

voltam a viver...

 

 

 

 

 

quando o corpo perece

a alma volta viver...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

este canto de chegada

ou despedida

é o que resta em comunhão

com nossas vidas

a saber que vezes tantas,

por partida, chegamos

a nos encontrar...

este canto, mais que louvor,

te faz visita

no torpor do tempo

inda em crédito

com a vontade de ir

sem ter que ir-se

desta paz inda agora

conseguida...

 

 

 

 

 

 

 

 

quando olho o horizonte

parece estar tão perto,

ao dar o primeiro passo

me desperto...

 

 

 

 

 

 

 

 

quando escrevo o poema

o poema me descreve...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

feito o sol desta tarde

aprecio seu levante

entre sombras e ventos

indo embora...

talvez à noite perceba

quão escuro pode ser

o daqui a pouco...

assim como o amanhã

visto do hoje findo,

como pode ser escuro

este labirinto...

feito o sol da tarde

sinto-me apagando

as verdades deste dia

todo feito de mentiras...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chorar em silêncio

 

Lamento baixinho quando

Vejo a chorar desconhecidos,

Não por sentir o que sentem,

O choro em mim faz sentido

 

Quando por além-mundos

Minha fé é pouca de vez que

Aninha de prantear o pranto

Que meço na amargura alheia

 

Momento de perder a graça

Perdida a remissão ao torto

Do agora em pleno esforço

 

Pelo que sentimos em cadeia

Pela dor do outro, que passa

No momento daqui a pouco...

 

sergiodonadio

 

 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

 

Voz que chama

 

No silêncio da noite

Esta voz que chama

Não me é estranha

Na áspera vivência,

 

Apenas não distingo

De memorial passado

Em extremos lapsos...

Laços de sugar tentos,

 

Pena que saibas pouco,

Bem ralo conhecimento

De meus passos dados,

 

Vagos sonares ventos...

Pingos fosforescentes

Nos olhos desolados...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cimeiros

 

Não sou afeito

Ao contraditório,

Aceito,

Que tomem consciência

Sem interferência, apenas

Fico indignado quando pedem,

Exigem aquiescência!

Talvez uma vez entendam

Que seus valores não são

Valores universais, valões

Deixados cavar nas consciências...

Talvez aceitem que se pense

O contrário do contrário quando

O cotidiano for contrário.

Enfim, não discuto valores

Políticos, religiosos, cimeiros,

Apenas me calo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Divórcio

 

Separar

A dúzia de copos

Em meia dúzias...

Acho tão deprimente,

Vergonhoso, tão...

Quão baixo chegou o valor

Dos sentimentos... 

 

Céu vermelho

 

O céu está empoeirado,

Uma visão assustadora,

Embora fascinante...

Cinzas do vulcão Tonga,

Viajando do oceano pacífico

Ao oceano atlântico

Alcançam a estratosfera...

Que força tem a natureza

Sobre nossa pretensão

De fortes contendores...

  sergiodonadio

sábado, 8 de janeiro de 2022

 

Gastos

 

Dentro do poema,

(Se houver poesia)

Encrudesce a verdade

Contida nos silêncios

Emoldurados de lavras...

Na conta da verdade

A encrudescer o verso

Há de haver a casca

Protetora de sentidos...

Na conta dos sentidos

Caberá enfim a poesia

Deixada fluir no poema

Gasto em evidências...

 

 

 

 

 

 

 

 

Temporal

 

Se vira o sol em chuva

De repente o assunto muda...

 

 

 

 

 

 

 

 

De conversa em conversa

De repente vozes se calam

Onde verdades estalam...

 

 

 

 

 

 

 

 

Meus guardados

 

Meus guardados

São guardanapos nas gavetas,

Rabiscados entre sonos,

Sorrisos nos retratos

Resguardados de sofreres,

Lágrimas ocultadas

Nas vertentes de emoções...

Meus guardados valorosos

São ideias e saudades,

O resto vai pro lixo

Dos esquecimentos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De herança

 

Pai e mãe tiveram

Uma vida simples,

A casa cheia de filhos,

Vindos de um a um

Transmitindo amores...

A fome de minha avó,

Trazida de anos de penúria,

Quando morava conosco

E tinha fartura, escondia lanches

Pelo medo do amanhã

Revestido de ontens...

O pai com mãos calosas,

A mãe com brasas em prosas

De verdades sinceras...

Herdamos deles a vida,

Que mais esperar no encanto

De serem vividas?

 

 

 

 

Desalentos

 

Como

As pessoas

Se vão da gente

Sem perguntas

Ou respostas,

Apenas acenos

Imaginários

De adeuses...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Expectante

 

Quero apenas expectar

Os arredores de meus setentanos...

Desanuviam-se as dúvidas,

Quando me achei demais,

Passou, agora me sei de mais.

Não estou a fazer projetos

Do arquiteto que nunca fui

Sobra o construído

Em tijolos que empreendi.

Hora do silêncio,

Bom para poetizar,

Daqui a pouco a manhã

Nos trará a luz, do sol,

No lugar da luz das ideias,

Depois acordaremos

O senso outra vez...

 

 

 

 

 

Na sala de velórios

 

Não há mortos visíveis,

Todos cabisbaixos escondem

Terem morrido...

Salva-se a um canto um menino

Brincando de herói.

Todos os ignoram

Na sua inocência sem culpas,

Ou dívidas bancárias,

Ao longo do silêncio

Os mortos ali presentes

Confraternizam com sua ideia

De vidas...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roupas abodegadas

 

Dia de lavar roupas,

Lavam-se lençóis, fronhas,

Em separado toalhas

E camisas brancas,

Calças e mentes...

Dia de lavar roupas de baixo,

Íntimas derrotas

Enxaguadas e torcidas

Como a memória dos dias idos...

Dia de lavar roupas de festa,

De missa, de provas vencidas,

Um consumismo de trapos...

Dia de lavar possibilidades,

Negócios e namoros desbotados,

Procissão de valores destímidos,

Decididos serem válidos,

Já desvalidos como velhos

Senhores de tempos idos...

 

sergiodonadio