quinta-feira, 17 de agosto de 2023

 

 

 

 

O mundo se sabe pronto,

Como um adolescente

Tentando mandar-se...

 

 

 

 

 

 

 

Da casa em ruina

O alicerce ainda está vivo

Entre formigas e traças

Ao desabrigo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O tempo ensina: Quando morrer

Não ser assunto de jornal...

 

 

 

 

 

 

Peremptório

 

Quando a frequência de sexo

Perde a importância, mas

O amor continua acontecendo...

 

 

 

 

 

 

NAS SOBRAS DO DIA

 

Encomendo as alegrias

De vez desalegradas,

Juncando para este dia

As desalegrias passadas...

 

As vozes que desmereço

Por tê-las deixado vazias

Nas eras de recomeços

Quando flores se floriam

 

Sem pesares de malícias...

Por tantas desalmas dadas

Por certo alguém preferia

 

Sangrar verdades doídas

Entre melhores mentiras

Que o dia me oferecia...

 

 

 

LISTA DE EDIÇÕES

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

quinta-feira, 13 de julho de 2023

 

 

Aqui, na paz do silêncio,

Silencio tensa a sobra deste dia.

Aqui, entre flores e espinhos

Idolatro a arte ter-me vindo.

Aqui, entre pilastras firmes

Me enternece a mente

Esquiva desse labirinto...

Daqui d’onde me aprecio,

Vejo a parte límpida dessa

Fonte a laborar o brilho...

 

sergiodonadio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem sabe o vinho

Inda brote neste umbral

Espremido em frutos

Deixados no quintal...

 

 

 

 

 

 

 

Parece insano

O termo que ouço:

-Grunhido humano...

 

 

 

 

 

 

 

Quando o sol se põe

 

As verdades recrudescem

Com tal força intrínseca

Que a dor espairece entre

Parições antigas...

Agora, às seis horas da tarde

A face enrubesce e desfaz-se

Em folhas soltas de preces

E raízes descarnadas...

Agora todas as sombras

Se desensombram dos nós

Que tropeçavam nelas

Ao sol do meio do dia

Expresso em agonias...

 

 

 

 

 

 

 

 

Outonal

 

A linha tênue

Entre as franjas do verão

E as outonais se iluminam

A este sol brilhante

Das onze horas deste dia

Disposto às alegrias de viver

E viver-me em sentimento...

A linha se atenua em suores

Nesta manhã de afazeres

E desfazeres de imbróglios

Advindos das festas finais

De um ano pandêmico

E bagaço demais...

sergiodonadio

 

 

 

 

 

 

 

Forração de ideias

 

Dizemos,

Inadvertidamente,

- Vou tomar uma água.

- Vou levar um tempo.

Como se pudesse

Dividir água ou tempo

Em partes de divertimento

E advertimento...

Fácil se arguiria sobre partes

Divididas em lidas

De forrar ideias de idas e vindas

Como argumento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma vez ditado o verso

Perde-se no universo...

 

 

 

 

 

 

 

Estamos parados no tempo,

Um tempo assim ilusório,

Que ao ver tentos vencedores

Tornamo-nos seus servos

Aduladores...

 

 

 

 

 

 

 

Com meus botões

 

Das vezes que parti

A conta não tem hora,

Fico com meus botões

E o tempo evapora...

 

De tudo que perdi

Jogando o tempo fora

Fico com meus botões

E o tempo evapora...

 

Será que esqueci

O quanto nós sofremos

Antes de machucados?

 

De tudo que esqueci

Perdendo de hora em hora

 Vi o tempo ir embora...

 

sergiodonadio

 

 

 

Os mares desmedidos

 

Na medição dos mares

As marés mentem-se

Atribuindo às areias

Que se repartem

Em teias dos tempos

De mares desmedidos

Nas marés cheias...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A água está imóvel

Sem a precisão dos homens

E se rebelam contra

A invasão dos foles

Entre solfejos e redondilhas

A pô-las em movimento

Não por sua vontade,

Por seu alento

Ao vento...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fujo da tristeza

Que me acode os dias,

Que vida se guia

Com certeza

Pelas alegrias...

         Desmembradas as fases

Socorrem-se às lidas

Testando as verdades

Nas despedidas...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sei que não tenho as forças

Que tinham meus ascendentes

Mas espero ter a coragem

De ir em frente...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                      Acolitados

Dizem que a riqueza moderna foi inventada, há cerca de 200 anos, o ocidente teria descoberto como enriquecer, os que aprenderam prosperaram, os outros patinam neste “aprendizado”. Duas ideias erradas: Uma que vem da exploração, advinda da revolução industrial, que prega o poder de alguém enriquecer tirando do outro. A segunda, concebida no mesmo erro: A riqueza vem do aproveitamento dos recursos naturais de cada região. Os recursos naturais dependem do mercado, sem isto nada valem. A riqueza moderna não vem de ter fonte primária, mas de descobrir como usufrui-la, os países com pouca chance de recursos naturais, o Japão por exemplo, mas com habilidade de exploração desses recursos oriundos de outras partes, são os que mais usufruem dessas fontes. O mundo colonialista pode não ter tirado proveito das colônias a ponto de enriquecer, pois as riquezas vindas das colônias foram suplantadas pelos encargos. Tampouco o fato de ter sido colônia tornou pobre, irremediavelmente, o colonizado, pois quando se libertaram tornaram-se economicamente competitivos, agora algumas dessas ex-colônias florescem num patamar idêntico aos seus colonizadores, outras, que não tiveram essa experiência, não atingiram boas condições. Isso não justifica o colonialismo, que conceitualmente contrariou os valores modernos. A exploração do ser humano pelo outro ser humano assume diversas formas, a mais característica é do escroque que explora o crédulo. Levando isto ao nível de nações, pode-se imaginar que os países ricos provocam a estagnação dos países pobres. De certo modo pode ser real, mas sem a exploração das fontes, alcançada pela tecnologia implantada pelos poderosos, esses recursos continuariam sem valor algum. Segundo estudos a terra possui recursos naturais suficientes para a população crescente obter melhores padrões de vida. A sustentação dos países mais pobres são as transformações internas, incluindo políticas humanitárias, melhorias na agricultura, na modernização, até dos conceitos. A independência do auxílio exterior só pode secundar o esforço interno, os países pobres têm uma difícil tarefa de criar novas maneiras de agir frente ao “coitadismo” usado como parâmetro ante favelados e flagelados, desistidos de resistir ao poder do aquinhoado de persuadi-lo de sua “incompetência”. Este ajeito de apequenar a competência pela aparência destrói a autoestima do que vem de baixo, fazendo-o considerar-se inapto pelo fato de assim ser tratado. Voltando ao coletivismo de nação, encontram-se argumentos de que países ricos devem concessões ao terceiro mundo, pela necessidade de recursos naturais deles, erroneamente interpretados. Segundo Herman Kahn na sua teoria sobre a situação nos próximos 200 anos, apontando dez motivos para o abismo entre ricos e pobres, a situação ajuda os mais desfavorecidos a desenvolverem-se mais depressa, pois os países ricos fornecem mercados, tecnologias, exemplos para serem copiados e são forçados a criar mercado para desenvolvimento dos países pobres. Isto não é gratuito, mas seria pior sem este prato feito para os chamados países pobres alimentarem seus sonhos de fartura.  

quinta-feira, 18 de maio de 2023

 

 

Entre eu e mim

 

Há uma distância palpável

Entre eu e mim...

Somos diversos na diversidade

De ser.

Talvez um lapso de instantes

Nos separa em tantos

Que não é possível cercear

Qualquer viração de termos...

Entre mim e eu

Há um abismo de existências

Paralelas

Que não se encontrarão

No infinito...

 

sergiodonadio

 

 

 

 

 

 

Morbidades

 

Não quero culpar a vida

Pelos tropeços da lida

Mas, ultimamente, tem-me traído

A consciência do vivido

e revivido nas dores do dia a dia,

Nessa idade de mais dor

Menos alegria.

Não posso culpar a lida

Mas, conforme passam os dias

Sinto que o dia-a-dia me enfraquece nervos e juízos sobre

Desacontecidos, terapias, pílulas,

Esforços... para retornar

Ao tempo ido?

 

 

 

 

 

 

Mixórdias   

 

Poucos sabem

Conviver com as chagas

Mas o tempo ensina

A prover-se às mágoas...

Quem sente a dor

Que atravessa o outro,

Destruindo sonhos?

Desses alguns reveses

Se acumulam em falhas

Desfazendo promissoras

Promessas não dadas...

Poucos sabem,

Mas os que sabem sorriem

Desdizendo lágrimas...

 

 

 

 

 

 

 

Das verdades desentendidas

 

Por aqui passava um verso

E por ele todos pendiam,

À volta da tensa liberdade

Que de alocuções dividiam.

   

O que dizer de temas rasos,

Semânticos de alguma lavra?

O que dizer da palavra fácil

Que do tema inda é escrava?

 

Que se perdeu num estilo?

O que dizer sobre a verdade

Escondida em verso idílico?

 

Se a poesia reside em planos

De verdades desentendidas

O que dizer da real vida?

 

 

 

 

Nostalgia

 

O tempo não volta atrás.

Seja vivido ou esperado,

Como algumas pessoas

Lamentam não o fazer,

É viver cada momento,

Abraçar cada intento,

Comemorar cada abraço

Como se fora o último,

Até ao último chegar...

O tempo não volta

Por mais que a saudade

Nos faça chorar...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vagação

 

Com a memória trançando

Não sei a quem me apegar...

Com o passado esquecido?

Quiçá com o presente ficar...

 

Com futuro não conto mais,

Apenas espero a esperança

De me reencontrar adiante

Na esquina vagal do tempo,

 

Desse tempo devagar, lento,

Divagando ideias soporíficas

Que me levam a algum lugar

 

Deste soar implícito arrasado

Distante meu devaneio ido,

Presente no meu esperar...

 

 

 

 

Audazes

 

Vejo poucos humanos

Se aventurarem

Como os pássaros,

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde de eu criança

O tempo embalança

E me faz vibrar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

eu deveria dizer

mas a timidez me cerceia,

eu deveria esmurrar?

mas o tempo passou, sem sangrar.

quando preciso falar, emudeço,

quando preciso calar, esmurraço,

então o minuto de resposta

acaba em não o sendo...

eu deveria esmurrar a tempo?

mas o tempo me passou para trás

e seguiu em frente...  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Azul esperança:

Uma cor define

O momento.

 

 

 

 

 

 

 

As estórias contraditórias

Contam nossas histórias:

    Somos todos gentes

    De humor e dentes...   

 

 

 

 

 

 

 

Cadeados

 

Existem tantas formas

De precaver-se de ser roubado,

A mais displicente é o cadeado.

Inocentemente argolado

Em uma barra de ferro,

Como se fora inviolável.

Existem tantas formas...

Algumas imaterializadas

Em frases sutis, gargalhadas...

As formas vis de ver logrados

Os menos avisados, nós!

Encadeados por nossas mentes

Descobertas às serpentes...

 

 

 

 

 

 

 

 

Tributo à Mãe Dona Luzia

 

Olhando de curta distância,

O tempo vivido, o tempo

Sonhado viver... confrontado 

A esperança à desesperança

De a merecer.... Cara senhora

De tantos predicados

O que mais saliento é tua paz

Frente as contrariedades

Que só o tempo, à distância,

Nos pode fazer entender 

Que o tempo é a fumaça

Do vivido e do desvivido

Quando a tivera a um olhar,

Agora que a tenho a um pensar...

Tristemente rememoro

Que o tempo não apaga

A saudade vívida em este pensar

Que a vida, por vida, não desaba

Quando o corpo se cansa

De a carregar.    sergiodonadio

 

Valha-me a palavra

 

Valho-me da palavra para expressar dores e amores...

Aqui se ferem más pessoas

Entre aplausos d’outros...

Aqui se embriagam parlatores

Sobre mentas e desavenças

Havidas no conceito de estravos

À fúria dos desavisados...

Com quantos paus se faz

A canoa sofreando nesse barro?

Valha-se da palavra verdade,

Da qual me armo...

 

sergiodonadio

 

 

 

 

 

 

 

Ao espírito do Dr. Sax

 

Pela visão de Jack Kerouac

A nuvem se enegrece e forma pássaro enorme, quilométrico,

E embica uma cobra

Que a queria degustar...

Aqui todos os danos são reais,

Até mesmo o que o menino tenta,

Que sacode o pano envergonhado

A tentar colher a nuvem pássaro

Que não lhe assusta em pesadelo,

As palavras emboscam o pensar,

A víbora se entrega ao poder

Do maior e se desfaz em partes,

Já amanhece em algum lugar,

Mas aqui o escuro reina

Entre dentadas de uma nuvem

Que não se desfaz enchoçada

Sobre a cabeça do menino

Que acredita em seres fenomenais

Na visão fantasmagórica de Jack...

 

Hora de sair do passado

 

Menino,

Enfrente a poeira de frente,

Sem arregrar sentimentos,

Apenas olhe para frente,

Atrás a ponte está caída...

Não tem mais corrimão

Em socorro à mão perdida...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Perdas

 

Ainda me lembro

Das causas ganhas ou perdidas,

Trazidas pelo correr da lida,

Mas não tenho lembrança

Das feições dos amigos antigos

Nem dos fatos recentes...

Como estarei daqui a pouco,

Perdido na rua de minha casa

Sem rumo norteado em paisagem

Nas dispersões das imagens

Guardadas numa cena vazia?

Confusas as medidas, como serei

Na foto dos ontens, se a base

Estiver perdida?

 

 

 

 

 

 

 

Das sobras do tempo

 

Das sobras do tempo

Colher os frutos doces,

Ferventar dos amargos

A mágoa que os trouxe

E adoça-las com gestos

De abanando adeuses

A cada lágrima deixada

Escorrer da face lívida...

Das sobras do tempo

Sorrir à oportuna lida

Que escolta despedida...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É preciso remar,

Mesmo que for

Contra a corrente...

 

terça-feira, 25 de abril de 2023

 

Equívocos

 

O sol, hoje, é nuvem,

Atrás uma sombra de sua luz

Transparece entre cópias

De transparências,

O tempo, hoje, é sombra

Deste sol da manhã nevoada

Em dúvidas...

 

 

 

 

 

Questão de jeito

Talvez eu seja

Aquela pessoa

Que o tempo não dobrou...

Talvez eu tenha

Rugas escondidas

Na barba por fazer,

E faça por acontecer...

Mas sinto essa dor 

do tempo a vasculhar

Meus conceitos

E talvez não tenha jeito

Para assumir toda dor

Que fiz por merecer...

 

 

 

 

Encontro com a liberdade

 

Encarcerado

Aos pactos do velho dia

Olho à janela o pássaro

Revoando sua alegria...

A lembrança

Dos tempos vencidos

Traz ao hoje improvido

A noção de o ter perdido...

Quaresmeiro

De pós tempos festivos

Me entroso ao resmungo

Cansados egos revividos...

Agora anoitece

Feitios em geral inibidos

Em noites de muito frio

Nos avejões possuídos...

 

 

 

 

 

Sílabas

 

Com os pés amarrados

Aos problemas vividos

Exponho a necessidade

De o sonhado ao clivo...

Voamos nossos senões

Ao desabrigo de forças

Puxado ao coral de lira

Pela hora da despedida

Ouvindo o canto árido

Da figura deste insano

Clarim arado gradação

De tons acima velados

Deixados morrer antes

De o futuro ser olhado

Como início de o fado

Lagrimado na saudade

Da cantata feita maça

De conexa destinação.

Louvemos ao ameado

De notícia, desfiliação

Vivente ao nosso lado...

O solucionário

 

O tempo

É o patrão de todos nós,

Ele diz: mexa-se. E nós corremos.

Ele diz ajoelhe-se. E nós oramos.

E a dor do tempo é fatídica,

Desde uma queda na rua

À dor extrema de uma hérnia...

O tempo... O tempo...

Manda que nos distanciemos

Das curvas difíceis

E nos acomodemos à mesmice

De deitar o corpo cansado

De esperar privilégios...

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 5 de março de 2023

 PARA LEMBRAR A MIM MEUS 77 ANOS:

Cá entre nós
A noite se rebela
Em densas nuvens,
Acorda seus instintos
Soprando ao vento,
Recordando tempos
Entre dobras de passado
Renitente...
O tempo, cá entre nós,
Não se apega
A mementos e momentos,
Apenas segue a linha
De seu tempo...
Por mais que freie
A passagem deste dia
Da tristeza à alegria...
Tudo passa, tudo gera
Nostalgia...
Rompe o cerco
Da folia e tresfolia
De verdades guardadas
Em diversas mentiras,
Solta o termo miserável
Entre deslocados
Xingamentos...
O que se passa
Neste nervoso momento
Que traz à fala
A fera escondida
Em elementos?
Talvez a lida de ontens
Revisados,
Talvez apenas figura
Do passado...
Frontispício de dores
(Ou de amores)
Desencontrados...
Por mais que olvide
Pedaços de revides
Açoitam a mente,
Agora pertinente
Ao tempo presente...
Por onde caminha
Aquela paz de sempre,
Acompanhada
De eterna paciência?
Foi-se com a derrota
Dos instantes nervosos
Entre calmaria
E revolta...
Por esta mecha
De cabelos brancos,
Por esta barba
De pelos hirtos
Se volta ao campo
O menino tímido
De um tempo
Inda presente
Na memória triste
Daquele tempo
Em paz consigo...
O que te sobra,
Senão o peito amigo
Desse tempo
Removido?
A vida, até aqui,
Me trouxe ao colo
Desde o eu menino
Ao tempo dorido
D’agora...
Não lembro hora
Sem ter sentido,
Tudo acontece
No imprevisto
De cada dor
Que foi embora
À dor que vive
Comigo a cada hora,
Ao desabrigo de saber
Se posso parar ou correr
Dessa que faz sofrer
Entre sorrisos...
Colhi o ouro
De todas as bateias
Que me vieram ter
A mãos cheias...
Não sou um ninguém,
Tenho minha identidade
A prezar das forças
Que carrego
Entre martelos
A pregar os pregos
E entre pregos
A absorver pancadas
Vindas de todo lado
A machucar o ego...
De quantas vezes
Estamos falando?
As cicatrizes contam
Fatos e boatos
D’antanho...
As folhas caem
Ou se atiram ao chão
Desesperadas?
Nesta hora chora
O chefe da galhada
Das folhas murchas
Por as ter murchadas
O gesto indiferente
Do que passa...
Lembra o boi pastando
Também indiferente
Ao passante crasso
Mascando sua massa
De capim e folha
Caída deste galho
Escarço...
Quem nesta hora chora
Alhures ao mundo
Ao redor de seu tempo
Vagabundo?
Quem nesta hora ri-se
Sem motivo ao outro,
Que nem sabe
Se existe o outro
Observando gestos?
Um velho cansado
De chorar a dor
De ter passados...
A terra, incólume,
Deixa passar o boi,
A folha e o homem
Que tropeça na flor
E se abate ao saber-se,
Ao ser-se pisada
Em termos laicos...
Na solidão a chuva
Perdida na saudade
Do mar revolto
À campina calma
Se eleva aos céus
E desce nas cidades
Entre gentes e flores
E bois e raive
Pelo perder-se
Entre ruas frias
E calçadas ásperas
Às dores da verdade,
Aqui sorriem viventes
Da última idade,
Sem freio de aparte