terça-feira, 18 de julho de 2017

                                    Briga de unhadas

A cada leitura nessa insana mídia, desconsola a insensatez, pra dizer o mínimo, dessa corja de delatores, e delatados, como se fora prática comum o alardear-se corruptor dessa parcela minoritária da população, que verga ao peso da vergonha estampada nas gravatas enfeitadas de regalias enfáticas. Mas são reais, e não realezas, as cenas impudicas a que se vendem tantos larápios, transvestidos de excelências num suntuoso palácio congressual, ornado de malefícios programados para ferir a honra dos cidadãos decentes desse País maravilhoso, tão depredado.
A síntese de nossa história, vilipendiada por tantos golpes, firma-se na revolta muda de inconsoláveis habitantes desse solo, d’onde, como já dizia o primeiro invasor a pisa-lo, em se plantando tudo dá. Em paralelo ao semeio desse esforço, que nos torna o maior produtor de alimentos em diversos setores, afloram por aqui, disseminados, usurpadores do que seria a maior realização de nossos valores, a honra de um povo! Desde há muito vilipendiado, como já dizia Rui Barbosa, nos idos de um século atrás, ainda hoje não reconciliado com a ética, deixada vazar em mal cheiroso pus dessa ferida mal curada, recalcitrante, hereditária às vezes, de uma nação ferida pelo conceito discriminatório de outros povos, que nos mede pela mesma medida escrachada de nossos mandatários insanos. Dói ver nosso presidente ser excluído de encontros já programados na reunião dos vinte países, semana passada. Dói ver um ex-presidente ser condenado por desvios de caráter, dói ver parlamentares em peso processados em ações contra corrupção ativa e passiva, dói a desesperança de eleitores, que sonhavam o futuro, ver tornar-se um pesadelo a aproximação de nova eleição, sem opção à vista, de melhores quadros a quem confiar o leme.
Nos borrões da história recente não se salva quase nada, que possa dar um fio de esperança para a história futura, a curto prazo. Infelizmente nosso prazo está se esgotando em firulas, onde desajuizados legisladores digladiam pelo reparte do butim, sem se preocupar minimamente com o futuro, pensando que ao afunda-lo se salvariam, mas estamos todos no mesmo dilema, o barco não afunda a proa, afunda inteiro.
Cansado de números escabrosos em nossa cidadania, não vou enumerar mortos e feridos, famintos, incultos, doentes desassistidos, viajores abandonados, etc. mas apenas lembrar uma tétrica comparação que nos coloca em pior situação que países em guerra, como pode? O que é feito dos trilhões arrecadados do lavor desse povo, se não reverte para suprir suas necessidades?

A República Federativa do Brasil rege-se por uma Constituição que está sendo rasgada quando não atende seu parágrafo único do Artigo 1º: Todo poder emana do povo. E, muito menos o Artigo 3º nos seus 3 parágrafos: Construir uma sociedade livre e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Que dirá então do 4º parágrafo: Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação! E agora, José? 
Lugar tempo


O tempo é um lugar
Para onde ir…
Seja apressadamente,
Seja vagamente…
Decorre das circunstâncias,
Dias largos, breves dias,
Favores à revelia de valores…
Apenas um passo adiante
A cada meio passo atrás,
Indo e vindo a nenhum lugar,
Conquistado com suor e lágrima
O tempo repensa-se inútil
Neste tempo lugar
Onde o chegar talvez seja
O tempo de estar.



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sábado, 15 de julho de 2017

Braseiros


Sobre essas brasas frias
De que falou Bandeira,
E Adélia, Sabe-se bem
Que foram noutras eras…

Sustos das descobertas,
Mundos novos, de favas
Contadas como não foram,
Vividas como deixadas…

Sobre essas brasas frias
Cuidadas com o cuidado,
Desvendados para agora,

Doídas porque memória.
Incandescentes retóricas.
Emudecem-te guardadas.



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quinta-feira, 13 de julho de 2017



Tudo foi tão bonito
No tempo das esperanças…
Do sol da manhã à era
Dos entreveros…
Fazia dó ver meninos
Escondendo erros,
Com faz dó hoje
Ver homens catando fomes
Nos restos do outro homem…
No pós guerra era tudo bonito,
Que eu não sabia a miséria alheia
Com o saber d’agora…
Assim é o tempo no tempo
De tempo inteiro.












Alcanças, homem,
O fundo do mar
E das consciências
Para descobrir-se
Nas profundas d’água
E dos viventes…
Onde é igual a superfície,
Das pessoas e do mar,
Nessa desdenha.

















Tenho pisado
Em areias movediças…
Onde encontrar a terra firme
Que assisto na fala de outrem?
São todos vitoriosos,
Até mesmo na derrota,
Passam reluzindo carros,
Mulheres de novidades,
Enquanto suo meu salário!
Mas nessa aparente terra firme
Há o choramingo
Atrás das cortinas sorridentes.














Hoje encontrei minhas mãos
Como nunca vira antes,
Pálidas, envelhecidas, turras,
Porque antes não tivera a idade
Que tenho hoje, de cansaços…
A discrepância das horas vindas
Num dia a dia de sol e lágrimas.
Hoje, tendo encontrado minhas mãos,
Descubro quanto as tinha perdido
Nos entreveros das tardes,
Nos vilipêndios dos dias…















Uma vez distendi-me em tantos,
Que sorrateiramente me traí
Olhando os longe com intimidade,
Que me pareciam mesmo ali…
Corri atrás daqueles sonhos vagos,
Entre sonhos vagos me perdi.
Outra vez desistira do intento,
Machucado voltei-me a rever
Futuros no espelho dos passados,
Agora faço palavras como lanças
Tendo como alvo o próprio peito,
Já que não tenho talento
Para mirar o desafeto.













Depois da manhã amanhecida
Eis-me aqui,
Frente o farol da existência,
Soletrando as mesmas
Primeiras letras, que ao tempo
Confundi com cirandinhas
Arrodeando pensamentos…
Depois da tarde envilecida
Eis-me aqui,
Entre flores e espinhos,
Querendo bem mais ser
Do que eu tenha sido
Entre as flores refloridas
E a manhã amanhecida.









Feito menino bobo


Estou feito menino bobo
Vendo balões de junho
Subindo ao céu de inverno
Voltando em fogo…
Feito menino bobo
Pela espera de milagre
Sobre a aparição das tardes
Que voltaram a brilhar
Aos meus olhos inocentes
Desses tempos invernais…
Feito menino bobo
De quando pensava sonhos
E terminava excitado.
Feito menino bobo
Mesmo crescido e arranjado
Nessas vestes comportadas
E passos trôpegos…
Que menino é este que sou,
Assanhado a não mais querer
Que o dia se acabe em festa

Outra vez?
Da serventia à servidão


Para o bicho homem
Tudo é válido,
Da serventia à servidão,
As colheitas do não plantado,
As cercas dos não roçados,
A imensidão de águas
À frente do arroz cortado…
Tudo pode valer a pena
Se ingerida de pouco em pouco
Salivando pastoso…
Tudo cultivado à vida,
Como o dia em que vi o homem
Esculpindo a madeira,
Outro esculpindo opiniões…
Da servidão à serventia,
No caminho faz-se necessário
Sangrar as mãos, a mente,
E num repente descobrir-se
Criador, no antes criatura.


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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Íntima sensibilidade
(Relendo a soltura dos celerados da lava jato , em última instância)

A trava da vida basta-se a si mesma,
O íntimo melindre não tem governo.
Com seus senões e minha certeza:
- Que o mundo girava quando nasci,
Vai continuar a girar quando morrer
Ante meu ciclo de espairecer…
Então, basta-me a tragédia da alegria
Esse entender e desentender comigo
Que comigo convivo às turras
E não preciso inimigos, políticos,
Tenho-os como bem à distância.
Meus olhos veem o pôr do sol,
Não o pôr da razão.
Assim tenho comigo que possa ser eu
Meu inimigo, ou amigo, de ocasião,
Levado, sem flores, à morada
Que outros reverenciam como última,
Mas fogem dela, ali seremos iguais,
Eu e o mais promíscuo politiqueiro
Nessa prostração genérica
Que nos incute culpas e mazelas,
Tempo inteiro.


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Borboletas


Conheço
Flores e bichos e insetos
Com nomes incompressíveis…
Lepidóptero em metamorfose!
Será que ela sabe disso,
Ou atende por borboleta mesmo?
Equus asinos, o nosso burrico…
Órkhis, as belas orquídeas
De mil faces coloridas…
Humanus. É, somos nós,
Mesmo não o sendo tanto…
Hominídeos postos em pé
Sem saber datar de quando
Nos levantamos e quando
Nos deixamos curvar…
O bípede que se perde em mim
Tem esse torto andar
Indo para o fim?


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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Os dias de viver


Os dias de viver
São como aqueles bolos
De casamentos…
Os glacês em branco e rosa,
Intercalados na cobertura
De uma massa macia,
Cheirando a pão de ló,
Assim como nossos dias,
Branco e rosa…
Rosa e branco…
Intercalados num doce
De atritar a alma
Igual o açúcar, os dentes
Branco e rosa… Branco…
Dos dias que nos são
Ofertados, doce amargos.











A festejar-se


Sabendo,
De algumas pessoas,
Que não têm festa,
Ou motivo para,
Me convenço de que
As cores têm limitações,
Subestimando uns,
Sobrestimando outros,
Nessa luxuria do tempo
De festas, natalinas,
Carnavalescas, efemérides
Das quais algumas pessoas
Não alcançam nem pensar
Como seria tê-las.













Novedios


Nesses tempos novedios,
O pinhão fervendo na panela,
Que a criança curiosa
Não sabe o que seja,
Informada das mensagens
Intermetidas de seu tempo,
Excluindo tais coisas simples,
Como pinhão cozido
No frio da manhã de hoje…
Como feijão batido de vara…
A espera pelo gelo nos beirais…
O chocolate quente
E mesmo o leite tirado na hora,
Só conhecem o de caixinha,
Não ligando a vaca
Sua história. 











Meninos deletreados



Eu bebi dessa água
Que agora bebes…
Comi desse amargo
Que agora engoles…
Portanto, deletreados,
Nos veremos amanhã
Como iguais,
Não agora, que já corri
Todas as raias
E me embebi de derrotas
E algumas vitórias…
Antes mesmo que tu
Sonhasse acordar teu ego
Entre as coisas vazias
Que emprego.











O que se passa?


Com essa gente que passa?
Com essa gente que fica?
Com essa gente faminta?
Com esses gatos pardos?
Com esses cães ladrados?
O que se passa
Com essas cabeças vazias
Pensando-se pensadas?
O que se passa
Com esses que roubam
De todos a indigência
Preparada solta nos cais?
O que se passa a esses
Que navegam águas turvas
Em terras secas?
Secarão suas falas vazias
Em torno de si mesmos,
Visto que não mais haverá
Atenção à sua palavra…
Que passa.

CONVIDO-OS A VISITAR 





Os olhos são os primeiros
A se despedirem dos outros.
Depois o abraço,
As mãos se dando,
Depois se abanando…
Por fim os olhos novamente
Lacrimando adeuses







A chuva de um tempo
Deve ser como de hoje,
Mas era diferente.








A delação,
Nem sempre premiada,
As comadres nas janelas
Sabem de tudo,
Vendem verdades e inverdades,
Mesmo as inventadas,
Com menos custo
Ao erário








A solidão
Não é estar só,
Mas estar em tantos
Olhares vazios…





A gente corria
Sob a chuva,
Chutando ela
Em estado de poça,
Bebendo ela
Pingando da testa,
Voltando sãos e salvos
A enxugar as alegrias
Molhadas de prazer…
Lavadas as almas.














A hora é esta


Talvez eu tenha
Me perdido nos aconchegos,
Que o canto pode seja dor,
O riso pode seja de nervoso,
Mas nas alegrias tardias
Desse bardo, o canto
Tem a ver com isto
De rir ou chorar
Ao entristecer do siso.
A hora é esta, a mesma de ontem
Com um tanto mais cansaço
Pelo vivido.








Recado


Amanheces
Teu canto de aurora
Tardiamente…
Já passa o meio do dia
De teus dias lentos,
O cansaço muda teus gestos.
Tardas responder, pela dor.
Talvez não devesses partir só,
Agora que teu remo está peado
Porque enfraqueceste os nervos
E a câimbra toma-te os gestos
E mal te aconselha,
Pois andas puxando as pernas,
E os pensamentos.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

A cada dia que passa


A cada dia que passa
O sofrer fica mais fácil.
Desde eu menino sei,
Por assistir a meu pai,
O que o tempo nos faz.
Num perrengue qualquer
A febre me arranhando,
A arritmia era fé, vinha
A gripe fechando o cerco
Na tremedura dos pés.
Desde menino se aprende,
Nas horas de ver o pai
Definhando suas forças,
As minhas vou tolerando.
Eram dores de cada corpo,
A cada dia que passa
O sofrer fica mais fácil
De aprender pelo tato
O que o tempo nos trouxe…
De pouco em pouco sofrendo
O que o choro consola…
É por alguém se chegando,
Ou por alguém indo embora…


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domingo, 18 de junho de 2017

Tatuagem

Se for tatuar a culpa
Do serumano em sua testa
Seremos uma humanidade
Descrita a cada marca,
A cada dolo… A saber
De cada desvairado bandido
Se já teve um lar, ressentido,
Ao menos nascido da mãe
Que o amamentou e limpou,
E fez-se fera ou perdido,
Sabe-se lá quando,
Nas vias sujas das ruas
Ou nas sujas vias da ledice.
Há justiça no ato de justiça-lo?
Talvez revolta, ou mesmo,
Que não tem volta, penando…
O que importa tenha visto
Às escondidas dos vícios
De perdulária cretinice
Nos bancos da praça ou
Nos bancos insignes
Das câmaras altas…
Se for tatuar as culpas,
O que nos falta?


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terça-feira, 13 de junho de 2017

A palavra por via
Dedico a todos os poetas dos saraus

Este poema,
Pobre poema,
Que não acaba
Quando termina…
É muita história pra contar,
Alguma ainda por vinda…
Coisas para se dizer
Da felicidade
De ser!
A pena é que me diz
Continuar a estar feliz
Nessa espera decenária
De voltar à raiz.
Este poema…
Esses poemas
Que buscam nas entranhas
As partes boas dos dias…
Sem eles, o que me seria
Essa alegria tamanha?
Essa ode à maestria
Da palavra encontrada
A cada via…


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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Em branco e preto


A vida em branco e preto,
É preciso que se a colore
Com ação…  Ação… Ação,
Seja sovertido ou não,
Viver do dia a claridade,
Da noite a luaridade,
Do canto do passarinho
Que se fez empenado e voou,
Da semente que se fez arvore
E se fixou no chão movediço.
Fazer desse chão o inicio
Do voo do crescente,
Virando gente.
Porque a vida é escrita
Em preto e branco,
E temos uma caixa cheia
De gizes coloridos.


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